quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A dura vida de um 1100

Trens série 1100 na Estação Luz. À esquerda, trem prestando serviços na linha 10, e a direita, na linha 7.
Caros seguidores, estava percebendo um fato entre usuários das linhas 7-Rubi e 10-Turquesa... Porque será que ninguém gosta do trem Série 1100, o nosso famoso ´milzinho` ? Depois de quase 60 anos de serviços prestados nas ferrovias paulistas, o que leva aos usuários odiar tanto um trem tão histórico para os paulistas? Adquiridos em 1957 pela EFSJ (Estrada de Ferro Santos a Jundiaí), o trem, de fabricação Budd, desembarcou no Brasil para compor a frota de trens das linhas suburbanas, até então de domínio da SPR.
Interior original do então série 101
Em caixas de aço inox, com formação básica de três carros (um carro motor, um carro reboque e um carro reboque com cabine de condução), tais trens começaram a operar logo em seguida, sendo muito utilizados nos trechos compreendidos entre Paranapiacaba e Jundiaí. Durante muitos anos, o série 101 foi utilizado em larga escala nessas vias, até que em meados de 1995, já na administração da CPTM, todos os trens foram recolhidos para modernização, revisão geral e troca da máscara facial.
 Máscara facial original de um 101. Na foto, a unidade 129 estacionada na Estação Luz.
Nessa reforma geral, o salão de passageiros foi remodelado, ganhando novo design. A cabine do meio foi retirada, tornando o trem unidade unicamente de 6 carros. A máscara facial, então de inox, foi substituída por uma máscara de fibra de vidro, com novo layout, maiores pára-brisas e novos faróis. Os pantógrafos, então do modelo ´balão`, foram trocados por um modelo mais convencional. A reforma de todas as unidades foi comandada por duas frentes: a Cobrasma, em consórcio com a CCC (Companhia Comércio e Construção) liderou a reforma dos carros ímpares, enquanto que a Mafersa liderou a reforma dos carros pares. Com isso, todos os trens foram renumerados, deixando os prefixos da série 101 e voltando como 1100.
Na imagem, o reformado trem série 1100 (1102), no pátio da Mafersa, em 1996
A reforma se estendeu até 1997, quando o último trem da série (1122-1123) foi entregue, pelas empresas responsáveis. Entre 1997 e 1998, esses trens circulavam unicamente na linha D (Luz x Rio Grande da Serra), prestando serviços esporadicamente na linha A (Brás x Francisco Morato). Em 1998, com o deslocamento da frota de 2100 para a linha D, os milzinhos foram realocados para a linha A, onde permanecem até os dias de hoje. Um dos episódios mais tristes de sua operação pós-reforma foi o tão noticiado acidente de Perus, em julho de 2000, quando a unidade 1103-1118 foi atingida em cheio por um trem série 1700 desgovernado. A unidade 1103 foi retirada de circulação, enquanto que o 1118 foi reformado novamente, e adaptado com dois carros de um trem série 1400, e voltou a circular.
Trem série 1100 #1122, na via central da Estação Ipiranga (linha 10). Treinamento de maquinistas nessa linha é bastante comum, utilizando a frota 1100.

Depois dessa breve história, o real motivo dessa postagem: porque o povo não gosta do milzinho? Certas vezes, ele aparece na linha 10-Turquesa (Luz x Rio Grande da Serra), e ao apontar na estação de Rio Grande da Serra, alguns usuários já reclamam, com ofensas e xingamentos, como por exemplo: ´lá vem esse trem velho de novo`, ´p****, lá vem essa m****`, ´vixe, lá vem o caco` ou mesmo deixam de embarcar, para aguardar o trem série 2100. Acho engraçado, porque até tempos atrás todo mundo viajava nesses trens sem problema nenhum, já que só tinha ele rodando por aqui. Agora que temos trem com ar-condicionado e conforto, ficam com escolhas e opiniões... Mas ainda tem os saudosistas... Para muitos usuários, o milzinho corre mais que o 2100, impressão percebida pelo CAF 2100 balançar muito menos que um 1100, e obviamente não se notar ruídos do motor.
Trem Série 1100 #1115, em uma de suas aparições na linha 10 (estação Pref. Saladino)
Na linha 7, não vemos diferenças... Os usuários reclamam igualmente dessa composição, alegando ser, como eles conhecem, ´´trem pequeno``. Fato, o 1100 conta com uma formação de 6 carros, o que desanima os usuários da linha 7, que tem como menina dos olhos o trem série 1700 ´mafersa`, e mais recentemente, o novo trem série 7000 (já apelidado de tartarugão, por suas constantes avarias). Mas, mesmo com tanta discriminação dos usuários, esse trem segue firme nas linhas da CPTM, sendo de grande utilidade em horários de pico e de vale. No pico, na linha 7, ele atende escala normal (Luz x Francisco Morato), e escala de loop (Caieiras x Palmeiras-Barra Funda). Um de seus maiores defeitos é a ventilação: os ventiladores instalados nas composições não são eficientes, além das janelas serem muito pequenas. Além disso, no verão ou em dias quentes, o trem se torna um forno. No frio, é excelente de viajar nele, já que se torna aconchegante e confortável. Sua principal qualidade é o tempo de operação, o que faz dele um dos trens unidade mais históricos do pais ainda em circulação, em plenas condições.
 Diego Silva com o trem série 1100 (1101-1102) em Jundiaí (31/05/2009)
Alguns entendidos de ferrovia eram a favor da reforma, porém, com a manutenção da máscara frontal original, dando um toque de classe ao trem. Há tempos, pensou-se em padronizar a frota Budd da CPTM (trens série 1100, 1400 e 1600), com máscaras iguais (atualmente, nota-se o padrão em trens 1400 e 1600 fase II). Mas enfim, seguidores...o milzinho é um bom trem, transportou gerações e gerações de famílias, trabalhadores de todos as épocas... e hoje, que temos tecnologia, rapidez e comodidade, infelizmente tal trem ficou obsoleto, sendo alvo de duras críticas por parte dos usuários. Ainda vemos as 22 unidades de 3 carros rodando, em 11 formações de 6 carros, na linha 7-Rubi, e para nós que vivemos na ferrovia, é um orgulho ter tal trem rodando, depois de tanto tempo, em nossas linhas. Vida longa ao trem série 1100!
Trem Série 1100 estacionando na Estação Luz, vindo de Francisco Morato

13 comentários:

  1. Gostei da matéria rapaz, um tom saudosista, porém sem choração. É fato que muitos reclamam ao vê-lo na linha 10, mas como você disse há quem os prefira pela ilusão de maior velocidade, já que apenas a aceleração dele é maior que a do 2100.
    Eu diria que sou um dos que preferiria a frente original, mas é apenas uma opinião minha, e depois não é feia nem ruim a atual máscara.
    Foi um grande acerto da antiga Estrada de Ferro Santos à Jundiaí por ter sido o primeiro trem de aço inox a rodar em nosso país numa inovação e pioneirismo que por sua vez proporcionou vinda de tecnologia fabril ao país, já que algumas unidades foram montadas aqui, e nessas épocas o uso do aço inox ainda era novidade na indústria ferroviária fazendo da empresa brasileira MAFERSA a primeira companhia industrial da América Latina a deter tal tecnologia.
    Tecnologia essa hoje mais do que difundida já.
    Parabéns pela matéria !

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  2. Agradeço Luisinho! Esse trem marcou época definitivamente em nossas ferrovias, já que vem de muito tempo rodando sem interrupções. A EFSJ deu um tiro certeiro ao comprar tais unidades em inox, e posteriormente, a MAFERSA foi autorizada a construir em inox também... Muito bom ver que trens antigos ainda rodam por aqui, e o milzinho é histórico. Agradeço pelo comentário! Abraços

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  3. Também gostei da matéria, e, também gosto muito do 1100, odeio aqueles bancos transversais do 1700

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  4. O trem série 1700 tem um diferencial: ele tem mais capacidade. Para fotografar viagem, prefiro o 1700, mas para viajar admirando paisagem, 1100 rules.

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  5. Diego, parabens pela matéria do Milzinho. Mas você não deve saber, pois não deve ter visto, mas os 101 tinham até banheiro em seu interior, velhos tempos..Óbvio que esta comodidade não dava certo... Abs. Jose Luis

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  6. Caro Jose Luis, agradeço sua visita e seu comentário. De fato, não cheguei a ver tais trens em sua forma original, tampouco sabia da existência de banheiros a bordo... Obrigado pela informação! Abraços e seja sempre bem-vindo.

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  7. ACHO OS 1100 MELHOR QUE O 1700 POIS ACHO AQUELE LAYOUT DE BANCOS DE LADO MUITO INCONVENINETE, POIS O POVO ACHA QUE LA OS ESPACO E ILIMITADO E SEMPRE QUER SENTAR ONDE NAO DA MAIS. GOSTO DO 1100, SEU BANCOS SAO MELHORES E ELE BALANCA MENOS QUE OS 1700. E O UNICO PROBLEMA E O FATO DE ELE TER APENAS OITO CARROS.

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  8. Caro anonimo, os trens série 1100 são menos potentes que os trens série 1700, lembrando que o 1700 possui oito carros com 16 motores, enquanto o trem série 1100 tem seis carros e apenas 8 motores. Na questão de layout interno, o 1100 é mais democrático, enquanto que o 1700 é opção única.

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  9. Pois eu gosto desse modelo ele pode ser velho na idade mais a frente dele e o interior tá bem bonito com a reformulação sem contar a campainha quando o condutor anuncia a estação que também estão presentes no 1400,1600,4400 e 5500.

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  10. Também tenho um apreço por essa unidade. Ela é a primeira de aço inox do país, e tem uma história bastante interessante nos trilhos paulistas.

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  11. Poderia ter uma reforma geral novamente, e concordo com o Anonimo, o pessoal acha que o banco do 1700 é igual coração de mãe (sempre cabe mais um) mas alguns carros do 1100 nas extremidades dos vagões tem bancos um de frente para o outro e é extremamente desconfortável principalmente para as mulheres ter que "encaixar" a perna na perna do cidadão do outro banco...

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  12. O trem pode ser bonitinho, mas para quem pega ele todo dia em horario de pico num calor insuportável sem ar condicionado, é uma lata de lixo!

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  13. Mesmo depois de tantos anos, ainda é bem confortável. Tive a oportunidade de andar em um deles, em pleno 2016 e achei louvável a maciez do conjunto.

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