quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A eterna reclamação dos usuários - Parte 1 de 8

Caros usuários e seguidores do blog CPTM em Foco... Os últimos eventos têm sido bastante irritantes para mim, que vivo comentando e informando vocês sobre as atuais condiçoes da CPTM e seus trens. Ainda tento entender porque tanta gente critica a CPTM, o seu serviço e sua estrutura. Todos os dias, sou metralhado de críticas, porque a CPTM é isso, os trens são aquilo... Acredito que grande parte de vocês são novos, não tenham mais do que 20 anos, que é o tempo de idade da CPTM. Mas quem conhece o sistema há mais tempo, sabe perfeitamente como era o serviço de transporte metropolitano servido por RFFSA,  CBTU e FEPASA, antecessoras da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Nos últimos 18 anos, temos visto uma melhora nunca antes vista no sistema de transporte sobre trilhos em São Paulo. Recebemos mais de 100 novos trens, novas estações, acessibilidade em diversas outras paradas... Tivemos políticas de prevenção de acidentes, operações de embarque melhor, operação portas fechadas, mas ninguém está contente... Hoje estou começando uma série de matérias demonstrando a incapacidade dos usuários em perceber a melhoria existente. Num panorama geral, temos descontentamento em todas as linhas, acreditem se quiserem. Até mesmo se chove, a CPTM tem culpa. Não quero ser o salvador da pátria com essas matérias, mas sim, mostrar para todos que temos o melhor sistema de transporte ferroviário de passageiros do país, e me darei a liberdade de fazer comparações com as demais companhias do setor no Brasil. Durante essa semana, estaremos apresentando essa série de reportagens, onde o foco está na eterna reclamação dos usuários.

Série 1100, um dos trens mais odiados pela população usuária de São Paulo

Nessa primeira matéria, vamos falar do panorama atual. Sou usuário de todas as linhas, sei de todos os problemas das populações, e tenho a autoridade necessária para expor a opinião correta nessas reportagens. Temos a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos como servidora de serviços de transporte em São Paulo desde 28.05.1992. Depois da estatização da CBTU e da Fepasa, ambas foram absorvidas pelo governo do estado de São Paulo, para virar o que hoje é a CPTM. Na época, diversos problemas eram comuns, tais como atrasos de trens, usuários pendurados nas portas, surfistas, tráfico de drogas dentro das composições e até mesmo assaltos.

Trem série 1600 (ex 431 da CBTU), partindo da estação Brás. Cena com usuários pendurados nas portas era absolutamente comum no início da CPTM

Na fundação da CPTM, um dos maiores problemas era a questão da frota. CBTU e Fepasa entregaram trens totalmente depredados, sem qualquer condição de uso num padrão mínimo de conforto e qualidade. Enquanto isso, no restante do país, a cena era a mesma. Eis que a CPTM começou com as mudanças logo após sua fundação. A nova diretoria se preocupou primeiramente na condição da frota. Todos os trens foram mandados para revisão geral. Nesse meio tempo, intervalos no horário de pico chegavam a inacreditáveis 20 minutos. Após as revisões, o sistema passou a rodar com maior confiabilidade. E alguns anos após isso, foi chegada a hora da aquisição de novas frotas. Em 1998, a CPTM fecha acordo com a Renfe (operadora espanhola de trens), na aquisição de 48 trens de 3 carros, dotados de ar-condicionado, música ambiente e maior conforto. No ano seguinte, trens do mesmo padrão chegam ao Brasil, num lote de compra de 60 unidades de 4 carros. Posteriormente, mais 10 unidades de 4 carros para a Linha C. A CPTM começou a mudar de cara: novos trens, com padrão de conforto nunca visto antes em São Paulo, rodavam por nossas ferrovias.

 Estação Aracaré (Linha 12-Safira) - Herança deixada pela CBTU, sem qualquer tipo de 
acessibilidade ou conforto, estações similares possuem características rústicas.

Nas estações, antes totalmente descobertas e sem qualquer acessibilidade, obras de melhorias são percebidas nos primeiros anos. A maior obra de todas: a integração subterrânea entre a Estação Luz da CPTM com a estação Luz do Metrô. Quem se lembra, sabe que tínhamos que sair da estação Luz da CPTM, atravessar uma rua, e entrar na estação de metrô. Não havia integração gratuita. Integração foi a palavra-chave na CPTM, nesses 18 anos: novos trens, novas estações, mais acessibilidade e facilidade ao usuário. Uma nova imagem dos trens se fazia em São Paulo.
Com mais segurança, automaticamente gerou mais demanda... E os trens no horário de pico ainda não suportam totalmente a população usuária. Mas hoje, espera-se no máximo 8 minutos por uma composição no horário de pico, contra 20 dos tempos de CBTU.

Estação Luz no horário de pico da manhã: Linha 7-Rubi e Linha 11-Coral são responsáveis por 66% dos usuários da estação todos os dias. Estação é atendida ainda por mais uma linha, fazendo dela a estação mais movimentada da CPTM, tendo integração gratuita com a linha 1 do Metrô

Na nossa próxima reportagem, falaremos da Linha 7-Rubi. Os problemas e soluções da antiga Linha A da CPTM, seus fatos e histórias. Aguardo a visita de todos vocês!

Um comentário:

  1. Observe bem: 1992 iniciou o projeto de estatização e o GESP fundou a CPTM;Com a fundação e reconhecida por lei, foi enviada a União que repassou a GESTÃO ADMINISTRATIVA da CBTU para CPTM até que dívidas fossem sanadas e a CPTM tomasse corpo (ou seja, ao absorver a Fepasa, tomasse pra si todas as ações e repassasse o setor de cargas a RFFSA, que, mais tarde, já sabe...). Só em 1994 mesmo é que trens começaram a circular "com as cores" da CPTM.
    Frota entregue já passa de 100 composições, sem dizer que os Alstom da linha 9 são TUE's. O série 2000 só foram adquiridos 30 TUE's ou 15 composições de 8 carros. Os 2100 tratam-se de um acordo onde a RENFE "deu" os TUE's p/ a CPTM e ela arcaria os custos do transporte e da revisão geral deles e se encarregaria de avaliar de qual modo utilizá-los (lembre-se que originalmente, os UT440 foram projetados para médias distâncias/regionais). E não só o Brasil "ganhou, o Chile também tem algumas unidades rodando.
    Drogas, pregação e comércio ambulante sempre tiveram, mas, diminuiu muito porque de dois a três anos pra cá o usuário se sente a vontade para fazer o quê: RECLAMAR!
    Então, caro, se não reclamar, não melhora...
    É melhor agora porque um dia já foi péssimo. E mesmo quem é jovem e reclama atualmente pode ter seus motivos, concordemos ou não.

    ResponderExcluir

Olá! Obrigado por comentar no blog. Pedimos a gentileza de não usar palavras ofensivas contra a empresa nem contra seus funcionários, ou mesmo contra o blogueiro. O objetivo do blog é informar e compartilhar conhecimento.

Siga o blog por email

Seguidores