sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

CPTM - Frota de trens - Aço Inox

Trem série 1100: o mais antigo da frota
Acervo CPTM de Diego Silva - Créditos ao autor

Por: Diego Silva

A frota de trens da CPTM é bastante diversificada. De trens da década de 1950, ao mais moderno veículo disponível no mercado, a história da ferrovia está presente diante de nossos olhos. Ao assumir os serviços de transporte de passageiros na região metropolitana de São Paulo, a CPTM herdou uma frota bastante precária das empresas CBTU e FEPASA. Mas ao longo dos anos, com muito esforço, todas as unidades foram reformadas e modernizadas, e circulam atualmente nas seis linhas da CPTM. Vamos conhecer, nessa primeira matéria, um pouco da história de cada um dos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos:

 Crédito da foto: Diego Silva
Trem série 1100
Construído em 1957, pela extinta Mafersa (Materiais Ferroviários S/A), o trem série 1100 é o mais antigo da frota da CPTM em atividade nesse momento. Essa frota, numerada inicialmente como série 101,  foi adquirida por solicitação da EFSJ (Estrada de Ferro Santos a Jundiaí), num lote de 30 trens unidades, com um total de 90 carros, entre motores e reboques. Desse lote, 30 carros foram importados montados pela Budd americana, enquanto os 60 carros restantes vieram em forma de kit, para serem montados pela Mafersa, nas oficinas da Lapa. Em 1987, esse trem deixou de ser a única série a circular na linha Paranapiacaba x Jundiaí, com a chegada do novo trem Mafersa série 700 (atual série 1700). A frota inteira foi repassada para a CPTM em 1992, onde passou por uma modernização total. As maiores mudanças foram a total remodelação do interior, e a nova máscara facial, com um design mais atraente e moderno. Atualmente, circula na Linha 7-Rubi (Luz x Francisco Morato x Jundiaí), e esporadicamente, auxilia na Linha 10-Turquesa (Luz x Rio Grande da Serra). Todos os trens rodam com 6 carros, e atualmente, apenas uma unidade de 3 carros está fora de operação. As demais 22 unidades de 3 carros prestam serviços, em 11 trens de seis carros.

Crédito da foto: Diego Silva
Série 1400
O trem série 1400 foi construído pelo consórcio Budd-Mafersa, nos anos de 1976 e 1977, atendendo a encomenda feita pela RFFSA (Rede Ferroviária Federal S/A). Semelhante aos trens série 1100, contam com unidades de 3 carros, em aço inox. A CPTM cuida dessa frota desde que assumiu a administração em 1992, e atualmente, apenas 4 unidades de seis carros estão prestando serviços. Dessas quatro unidades, três passaram por reforma e modernização (atuam na Linha 12-Safira, ligando o Brás a Calmon Viana), e uma unidade com quatro carros atua na extensão operacional da Linha 7-Rubi (Fco. Morato x Jundiaí). De sua reforma, internamente pouco mudou, porém, o maior avanço na reforma foi o aumento da cabine do operador, além da substituição de equipamentos de tração e console, tornando sua condução muito mais fácil.

Crédito da foto: Diego Silva
Trem série 1600
O trem série 1600, assim como seu antecessor série 1400, também foi construído pelo consórcio Budd-Mafersa, no ano de 1978. Possui poucas diferenças com seu antecessor série 1400, sendo que o desenho é o mesmo. A única diferença notável era a ausência da porta no meio da máscara facial. Na foto, nota-se que é a versão reformada desse trem, entregue em 2010 pela CPTM. Um fato curioso para os leigos da ferrovia paulista é que existe um trem dessa série, com máscara totalmente diferente dos demais. A unidade 1605-1606, conhecida por 1600M, sofreu um acidente em 1987, na estação de Itaquera, se chocando com outro trem da mesma série. Após ser enviado para reforma no Rio de Janeiro, retornou com uma máscara completamente diferente da série, o que faz com essa unidade seja única.
Trem série 1600M - Crédito da foto: Diego Silva


Atualmente, cinco unidades prestam serviços. Três dessas unidades estão na Linha 12-Safira (Brás x Calmon Viana), sendo uma delas com a máscara original, uma modificada (unidade da foto acima), e a terceira da primeira foto, que voltou de reforma recentemente. A quarta unidade está prestando serviços na extensão operacional da Linha 7-Rubi, com a máscara facial original, porém no padrão vermelho. Juntamente com essa unidade, está mais uma com máscara facial original, porém, no padrão metropolitano (azul), também na extensão da Linha 7-Rubi.

Crédito da foto: Diego Silva
Trem série 1700
O trem série 1700 foi fabricado pela Mafersa na década de 1980, nas fábricas de São Paulo. A encomenda desses trens foi feita pela CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), que os numerou por série 700. Nesse mesmo ano, entrou em operação nas linhas da CBTU no Rio de Janeiro. Em 1987, após um acordo entre as superintendências da CBTU de Rio de Janeiro e São Paulo, um lote de 25 trens de 8 carros são enviados para São Paulo, em troca das unidades série 900, enviados ao Rio de Janeiro. Com isso, começa a trajetória desses trens em São Paulo. Tal trem circula atualmente na Linha 7-Rubi (Luz x Francisco Morato x Jundiaí), mas já operou também na Linha 10-Turquesa (Luz x Rio Grande da Serra), sendo deslocado inclusive até Paranapiacaba. Entre 1999 e 2001, a CPTM enviou 22 unidades para reforma, sendo divididos em diversos lotes. De toda a frota, uma unidade de 4 carros foi desativada, após um acidente em Perus (Linha 7). Uma unidade de quatro carros encontra-se desativada no pátio da Luz, outras duas no pátio da Lapa. Originalmente, circula apenas uma composição de quatro carros, na extensão da Linha 7. Todas as demais circulam com oito carros e modernizadas, no padrão metropolitano. Muito se diz sobre uma nova reforma em todas as unidades, com a aplicação do novo padrão vermelho, e instalação de ar-condicionado, mas ainda são apenas boatos.


Crédito da foto: Diego Silva
Trem série 2000 fase II
O trem série 2070, ou série 2000 fase II, foi construído pelo consórcio Cofesbra (Consórcio Ferroviário Espanha-Brasil), formado pelas empresas Alstom (caixa), CAF (truques) e Bombardier (sistemas elétricos), no ano de 2007. Todas as 12 unidades de quatro carros foram construídas para circular na Linha 9-Esmeralda (Osasco x Grajaú). Todos os trens contam com ar-condicionado, assentos anatômicos e maior conforto em relação aos demais. Recentemente, todos os trens foram acoplados, e desde o final de 2010, circulam com oito carros, aumentando a capacidade de viagem.

Crédito da foto: Diego Silva
Trem série 3000
O trem série 3000 foi construído em 1998/1999, por um consórcio formado pelas empresas Siemens AG, Mitsui & Co. e SGP. Foram compradas apenas 10 unidades de quatro carros cada, todas com ar-condicionado e assentos anatômicos. No início da operação, tais trens ajudaram no deslocamento de usuários entre as estação Brás, Luz e Barra Funda, durante a época de reformas na Estação Luz. Isso se deu no projeto Integração Centro da CPTM. Após, foram enviados para a Linha 9-Esmeralda (Osasco x Grajaú). O destaque desses simpáticos trens é que os mesmos são os primeiros do país a possuírem motores de tração em corrente alternada, alimentados por inversores trifásicos controlados por microprocessadores. Uma marca inconfundível dessa frota é o som de seu motor de arranque, que lembra um instrumento musical.

Crédito da foto: Diego Silva
Trem série 5000
A frota de trens série 5000 já possui certa história nos trilhos de São Paulo. Fabricado entre 1978 e 1980, pelo consórcio CCTU (Consórcio Construtor de Trens Unidade), formado por Francorail, Societé MTE, BBC (Brown Boveri Company), Traction Cem Oerlikon e Jeumont Schneider. Tal frota foi solicitada pela Fepasa, para a então Linha Oeste (Atual Linha 8-Diamante), e nomeada como série 9000. No Brasil, o representante do CCTU foi a Cobrasma, que ficou responsável pela revisão de entrega dos primeiros trens, que chegaram montados da França, e da montagem das 80 unidades restantes. As vinte primeiras unidades (num total de 100 trens), foram totalmente fabricadas na França. Uma de suas principais novidades em vista dos demais, era o controle eletrônico de velocidade através de chopper. Na metade da década de 1980, a Fepasa renomeou toda a sua frota, e assim, os trens franceses foram renumerados para série 5000. Sua numeração passou a ser identificada como UI 5xxx, onde UI = Unidade Inox, e 5xxx a numeração dos carros. Em meados de 1992, a a operação das linhas da Fepasa foi transferida para a CPTM, mas a arrecadação das bilheterias ainda pertencia à Fepasa. Em 1996, toda a frota foi enfim transferida para a CPTM. Essa frota é a maior da Companhia, sendo que cada trem conta com 12 carros (dois trens de seis carros acoplados). De toda a frota construída, de 100 trens de seis carros, restaram para operação cerca de 40 trens de seis carros, ou 20 de 12 carros. A CPTM já licitou a compra de 36 novos trens para substituição dessa frota, e os novos trens devem chegar em meados de 2011.

Crédito da foto: Diego Silva
Trem série 5500
O trem série 5500 foi construído em 1978, pelo consórcio Eletrocarro (Budd - Sorefame - ACEC - Villares). Montados pela Mafersa, tais trens chegaram ao Brasil vindos de Portugal para auxiliarem na operação da Linha Oeste da Fepasa, e também no então Ramal de Jurubatuba (atual Linha 9-Esmeralda). Foram adquiridos 50 unidades de 8 carros, porém, com o passar do tempo, muitos foram se perdendo, e atualmente, a frota da CPTM conta com cerca de 4 unidades em padrão original. Muitos dos trens avariados foram abandonados próximos da estação Engenheiro Manoel Feio, na Linha 12-Safira. Em 2007, a CPTM licitou a reforma de algumas unidades, e solicitou a retirada e recuperação de todos os trens que estavam abandonados em Eng. Manoel Feio. Após a reforma, tais trens voltaram como...

Crédito da foto: Diego Silva
Trem série 5500 fase II
... os trens série 5550, ou, série 5500 fase II. Totalmente modernizados, com novo salão de passageiros, novo sistema de ventilação, nova máscara facial, os novos trens foram reformados pelo consórcio Bombardier-Tejofran, e circulam atualmente na Linha 12-Safira (Brás x Calmon Viana). Infelizmente, duas unidades dessa série tiveram graves problemas, sendo que uma teve queima no motor, e estão já desativadas próximo a estação Brás. Mas as demais unidades circulam diariamente.

Crédito da foto: Diego Silva
Trem série 7000
Os trens série 7000 são a mais recente aquisição da CPTM. São integrantes do plano Expansão SP, lançado pelo governo do estado na gestão 2007/2010. Foram comprados 48 trens de oito carros, em licitação vencida pela espanhola CAF. Em março/2010 foram entregues os dois primeiros trens da série, que vieram montados da Espanha, sendo um para a linha 12-Safira (7001-7004) e um para a linha 7-Rubi (7005-7008). Essa nova frota conta com ar-condicionado, assentos anatômicos, câmeras de vigilância, sistema de detecção de incêndio, sensores de descarrilamento (já retirados), e isolamento termo-acústico. Dotados de um conforto ímpar, é o que há de mais moderno no mercado de trens no mundo atualmente. Até o fim de 2011, as 48 unidades devem ser entregues, sendo que 26 delas já se encontram em posse da CPTM. O terceiro trem foi construído na fábrica da CAF em Hortolândia (SP), assim como todos os seus subsequentes.

11 comentários:

  1. Qual é a diferença entre os trens feito de aço em cabono e os em aço inox?
    Porque os trens mais novos são combrados em aço inox do que o carbono? O aço inox é mais resistentes do que os aço em carbono?
    O TUE Série 2000 é feito de Aço carbono ou em Fibra de carbono?
    Já vem ai o 6º Novo trem da linha 7 Rubi, mais uma comquista!!! Todos os novos trens da linha 7 rubi não tem vandalismo (vidros, bancos, portas riscados) isso mostra como a linha esta bem educada!!!.

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  2. Caro anônimo, agradeço sua visita ao blog. A diferença entre trens de aço carbono e aço inox são contrastantes, mas creio que a principal diferença seja o fator vida útil. Trens de aço carbono enferrujam muito facilmente com a ação do tempo, enquanto que os trens de aço inoxídavel (ou seja, não oxidam) não enferrujam em qualquer hipótese, tendo muito mais vida útil. O trem série 2000 é do grupo de trens de aço carbono, semelhante aos trens série 4400 e 2000.
    Quanto ao 6º novo trem da linha 7-Rubi, tenho que ´abrir seus olhos` e dizer que todos os trens da sua linha estão vandalizados. Já vi em todas as composições portas riscadas, vidros das janelas e inclusive pedradas nos pára-brisas e faróis.

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  3. Correções:
    * A série 101 (1100) deixou de ser única na SJ em 1976, quando foram fabricados os 401 (1400);
    * Nenhum trem da série 700 foi trocado. Os do Rio foram fabricados para o Rio, e os de SP foram fabricados para SP, inclusive com diferenças no projeto (ATC, posição dos pega-mãos, etc...). Somadas, são 55 TUEs (220 carros);
    * A série 900 do RJ ("Marta Rocha") circulou aqui assim como a série 600 (1600/431) circulou por lá. Os 900 vieram para SP a fim de reforçar a frota enquanto os 700 daqui não estavam prontos;
    * Foram reformados 21 TUEs entre 1999 e 2005 (10 Alstom, 3 ADTranz, 3 IESA, 3 Inepar e 2 Bombardier), e não 22 entre 1999 e 2001;
    * Nenhuma unidade da série 1700 foi baixada. O trem do acidente de Perus foi o 1742;
    * A quantidade de TUEs da série 5000 fabricadas na França é 18;
    * UI não significa Unidade Inox, muito menos é um padrão da Fepasa. U indica que se trata de um carro de passageiros para serviços de subúrbio, e I indica que a caixa é de aço Inox;
    * A Fepasa renumerou a Série 9000 porque foi obrigada a renumerar, umas vez que a faixa de carros reservada a ela a partir da implantação do sigo ia de 923000 a 927999, sendo que a Fepasa omitia o 92, pois era deduzível. Logo, a faixa de numeração da Série 5000 é: 925001-925100 (MC), e 925201-925400 (R/R1)


    Curiosidades:
    * A Série 1100 pode operar com formação de 9 carros;
    * A unidade baixada do 1100 é o 1103;
    * Tipos de carros, quanto ao serviço: A (Administração), B (Bagagem/Correio), D (Dormitório com cabine), E (Pullman), F (Buffet), L (Poltronas leito), P (Poltronas primeira classe), Q (Qualquer/outros), R (Restaurante), S (Segunda classe), T (Classe turística), U (Suburbano);
    * Tipos de carros, quanto a caixa: A (Alumínio), C (Aço Carbono), D (Aço Carbono e Madeira), E (Aço Carbono e Inoxidável), I (Aço Inoxidável), L (Aço Carbono e Alumínio), M (Madeira), Q (Qualquer/Outros)


    Bom, por enquanto é só. ;)

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  4. Caro anônimo, agradeço sua contribuição no blog, mas algumas de suas correções devem ser também corrigidas...

    Sobre os trens série 5000, foram sim 20 unidades fabricadas na França, e o restante no Brasil. Isso é comprovado através de documentos e pela formação dos trens, já que existem diferenças entre os franceses e os brasileiros.

    Houve sim baixa patrimonial dos trens série 1700. A unidade 1707/1708 foi dada como baixa. Já as unidades 1723/24 e 1719/20 estão dadas como inoperantes/inativas; E o trem do acidente de Perus foi a unidade 1740, como está exposta em uma foto que possuo em meu acervo pessoal. A unidade 1742 não se envolveu em qualquer acidente parecido.

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  5. Caro Diego, neste ultimo sabado me surpreedeu um fato que para mim trouxe certa tristeza, ao chegar na barra funda me deparei com uma cena triste; la nao estava masi os quiosques que serviam aps usuarios, sendo com refrigerantes, agua, lanches, ate mesmo serviços como recarga de celular, entre outros. Quem nuca tomou um suco, uma agua, ou ate mesmo comeu um lanche ao fim do expediente, para enganar o estomago ate chegar em casa, nao entendo, por que a cptm faz essas coisas, sem consulta popular, atravez de uma pesquisa, para saber a aceitacao ou nao dos servicos prestados pelos quiosques. acho uma falta de bom censo, vi varias, pessoas reclamando da falta dos quiosques, e por essas e outras que eu sempre comento com amigos, que nos vivemos sim em uma ditadura, cordial, mas uma ditadura. não temos direito algum, votamos por mera obrigaçao, pois acredito que nao ha democracia,em uma pais onde o voto e obrigatorio. Logo teremos que apresentar documentos para utilizar o transporte publico. Gostaria de saber se voce poderia descobrir o que aconteceu com os quiosques

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  6. Caro anonimo, pelo que eu soube, a CPTM entrou em conflito com a empresa que administrava os quiosques, e após uma decisão judicial de reintegração de posse, foi decidido que os quiosques seriam fechados. Não foi decisão da CPTM, mas sim da Justiça. Estou tentando apurar maiores informações para poder repassar para vocês que acompanham o blog, já que estou sendo bastante consultado sobre isso.

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  7. Só quero saber o que vai acontecer com esses trens de aço inox com a chegada dos CAF 7000?
    Se vão leiloar ou vão reformar?

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  8. Ainda não tenho essa informação, mas acredito que a frota série 1100 seja realocada para outro estado, enquanto que a frota 1700 poderá ir para reforma.

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  9. Eu acho que no caso dos 1100, ela deveria colocá-los na ext. da linha 7 e os 1400 e 1600 que estão lá na ext da linha 8

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  10. Qual a diferença entre o 1600 fase 2 e o 1400 fase 2?

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    1. Foram construídos em anos diferentes, por encomendas diferentes. Freios, rodeiros e estética também varia.

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