quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Mafersa - O orgulho da indústria ferroviária nacional


Fonte: wikipedia

A Mafersa - Materiais ferroviários Sociedade Anônima - foi uma indústria construtora de trens e materiais voltados ao uso ferroviário, sediada em São Paulo.


Trem série 1100 da CPTM: enviado dos EUA pela Budd, montado pela Mafersa em São Paulo

Início e expansão
A Mafersa foi fundada em 31 de janeiro de 1944. Durante esse período fabrica rodas e eixos para as ferrovias nacionais. Devido à sua localização às margens da então São Paulo Railway, vende rodas, eixos e vagões de carga para essa ferrovia.
Em 1947, a ferrovia foi estatizada, sendo renomeada Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. A EFSJ começa estudos de modernização de sua ferrovia em parceria com empresas americanas através da missão tecnológica Brasil–EUA ocorrida nos anos 50. Em 1957 é feito um contrato de transferência de tecnologia com a The Budd Company, sendo a Mafersa a primeira companhia industrial da América Latina a produzir carros em aço inoxidável. No mesmo ano é inaugurada a filial de Caçapava, responsável pela fabricação de truques, eixos, rodas e engates.

Trem série 1400: encomendado à Mafersa em 1976, pela então RFFSA


Estatização e auge
Após o golpe militar de 1964, a Mafersa é estatizada e inicia a produção de carros de passageiros série 800  (baseados na série Pioneer III da Budd) para a Estrada de Ferro Sorocabana e Estrada de Ferro Araraquara. Em 1968 são fabricados Trens Unidade para a EFSJ baseados na série Pioneer III da Budd.
Na década de 70, a Mafersa teve o seu auge, fabricando TUE’s para o Metrô de São Paulo em 1972 (sob licensa Budd), Metrô do Rio (em consórcio com a Villares, 1978), para a RFSSA entre 1976 e 1978, e para a Fepasa (em consórcio com a Villares, ACEC e Sorefame, 1980).

Trem série 1700: o último grande projeto da Mafersa em aço inox

Declínio
Durante a década de 80 a Mafersa sofre um duro golpe com a falência da The Budd Company, sendo que fica impedida de fabricar trens utilizando os métodos da empresa americana. Sua última encomenda utilizando esse processo foram os TUE’s 700 para a RFFSA, fabricados entre 1983 e 1987. Houve uma tentativa de utilizar um processo de fabricação francês (sob licença Francorail), mas o único projeto que a Mafersa utilizou esse processo foram as frotas C e D do metrô de São Paulo (construída em conjunto com a Cobrasma). Além disso, crises econômicas impedem o governo brasileiro (que respondia pela maioria de suas encomendas) de adquirir novos trens, o que obriga a Mafersa (e sua concorrente Cobrasma) a iniciar a fabricação de ônibus e trólebus em 1985 como um meio de diversificar seus produtos para fugir da crise econômica.
Trólebus construído pela Mafersa, atualmente na cidade de Santos (SP)

 Uma das unidades construídas pelo consórcio entre Mafersa
e Morrison-Knudsen Co.  do Metrô de Chicago.
Privatização e falência

No início dos anos 90 a Mafersa fabrica trens para o metrô de Brasília, com novo processo de fabricação (já utilizado nos trens do metrô Rio). Na mesma época a Mafersa faz parceria com a empresa norte americana Morrison-Knudsen Co. Essa parceria resulta na fabricação de 256 caixas para TUE's de aço inox para o metrô de Chicago (3200-series), 38 carros de passageiros (chamados nos EUA de Mafersa Coaches) para a Virginia Railway Express. Em 11 de novembro de 1991 a empresa é privatizada, sendo que a Refer (associação dos funcionários da Rede Ferroviária Federal) adquiriu o controle acionário com 90% das ações. Em 1994 o consórcio Morrison-Knudsen Co. / Mafersa vence licitação nos EUA que prevê a fabricação de carros de 2 andares para a Caltrans nos EUA. O contrato é cancelado em 1995 com a falência da Morrison-Knudsen Co., detentora do contrato nos EUA.
No início dessa década o governo brasileiro não faz nenhuma encomenda de trens o que leva a empresa à nova crise que atingiu o seu ápice em 1995, com a falência da parceira Morrison-Knudsen Co., com a fábrica parando a produção por três meses sendo vendida ao Clube de Investimentos dos Funcionários. No fim desse ano os 1.820 empregados foram demitidos e a dívida da Mafersa atingia R$ 2,6 milhões. A fabrica foi reaberta em 1996 com 360 funcionários e recebeu apenas encomendas de reformas, tendo reformado a antiga série 100 da EFSJ (que agora pertence à CPTM).
A filial de Caçapava atinge a marca de 2 milhões de rodas produzidas em 21 de agosto de 1998. Em maio de 1999, a empresa transferiu a tecnologia e os direitos de uso da marca Mafersa à MWL Brasil Rodas e Eixos (formada por ex funcionários da Mafersa). A matriz indústrial no bairro da Lapa em São Paulo era adquirida pela multinacional Alstom.

Trem do Metrô de São Paulo (Linha 3-Vermelha). Mafersa fez parte da grande indústria ferroviária nacional, ao lado de sua concorrente Cobrasma. Crise fez com que ambas se unissem na construção de trens do Metrô de São Paulo, na década de 1980. Na imagem, trem de fabricação Mafersa.

19 comentários:

  1. Bela matéria, não sabia que a Mafersa queria "fazer" o 5000, se tivesse feito talvez ele fosse melhor

    ResponderExcluir
  2. Ultima mente estou vendo coisas estranhas na linha 7, por exemplo:
    Geralmente uma unidade da série 2000 fica parado na plataforma 10 da estação Barra Funda;
    E outro dia vi uma coisa mais estranha ainda um trem da série 2100 parado na estação Agua Branca (na via do meio), e ele estava com 9 vagões, isso é possível? Um trem tão pesado quanto 2100 estar com 9 vagões? Ele conseguiria vazer viagens com 9 vagões?
    Lembrando uma unidade no padrão metropolitano!.
    Agradeço a quem me tirar essa dúvida!!!.

    ResponderExcluir
  3. Wesley, permita-me colocar aqui a minha opinião. Todos os dias, dou graças a Deus que o meu "velho e querido guerreiro" Francorail-MTE Série 5000 foi fabricado pela Cobrasma. Apesar de ter fabricado menso trens do que sua concorrente, a Cobrasma apresentava como grande vantagem de seus trens uma caixa de aço inox bem fabricada e muito leve, característica essa que muito se busca hoje em dia e que já era utilizada pela Cobrasma desde os anos 70. Entretanto, o lado negativo dos carros da Cobrasma eram (são) seus equipamentos: todos de origem francesa, eram equipamentos grandes e pesados (para se ter uma idéia, a unidade chopper de um trem da Série 5000 pesa em torno de 1400kg). Respeito sua opinião, mas para mim, trem é COBRASMA.

    ResponderExcluir
  4. Caro Bruno, já presenciei o trem série 2000 na P10 da Barra Funda também... ele segue até lá para aguardar horário, ou para manobrar. Já o 2100 na Água Branca, tem vezes que ele vai até a Lapa levar uma comitiva da CPTM. É comum ver eles por ali, mas o fato de ter visto ele com nove carros é diferente. Ele pode rodar com nove carros, mas a CPTM não utiliza, por conta do tamanho das plataformas.

    ResponderExcluir
  5. Muito obrigado Diego por me tirar mais uma vez essas duvidas!!!


    Em épocas atrás na extensão operacional da linha 7 Rubi, mais para ser preciso em 2005 tinha duas unidades da série 2100 de três vagões rodando, era muito bom, ele tinha um rendimento muito bom nas viagens de ida e volta, mas por alguma circunstância a CPTM tirou eles no final de 2006, praticamente ficaram rodando quase um ano, a melhor coisa deles era de Várzea para Campo Limpo, pois rodava bem mais rápido do que o 1700 e principalmente no túnel, nem se quer ouvia o barulhão quando o trem passava por ele.

    ResponderExcluir
  6. Caro Bruno, o trem série 2100 circulava na extensão da linha 7 apenas para realizar testes. Todavia, é um trem que se adapta muito fácil em trechos planos e de longa distância.

    ResponderExcluir
  7. Agradeço a quem me tirar essas dúvidas:
    1ª Os trens da Série 7000 é da linha 7, 9 e 12, certo né? Os 3 trens da série 7000 q esta na linha 8 são de qual linha? E os 2 a mais na linha 9 de qual linha? Os 5 que estão na linha 11 é da 12 certo? e o mais novo que acabou de chegar que esta em testes vai pra qual linha?



    2º Os trem da Série 8000 vai ser igual ao 7000, ou não? Falam que vão ser Open-wide gangway, o que é isso? (Eu acho que é passagem livre do primeiro vagão ao ultimo, se for já até sei por que os 7000 não são assim, iria ser a alegria dos camelos e os que pedem esmolas, já que na linha 7 e 12 é a que atende a ter mais).



    3ª Quando fai ficar pronta as estações Fco. Morato, Fco. da Rocha? Estão comentando que a estação Jaragua fai ter uma nova um pouco a frente da antiga, verdade ou só mito?


    Agradeço a quem me tirar essas dúvidas!!!!!!!!!!!

    ResponderExcluir
  8. Caro Bruno, tentarei responder suas questões:

    1. Os trens da série 7000 são das linhas 7 e 12. As unidades que estão nas linhas 8, 9 e 11 estão emprestadas para ajudar na demanda, já que existem trens com problemas ou em reformas. Daqui há algum tempo, a CPTM irá distribuir os trens para suas respectivas linhas.

    2. Os trens série 8000 devem ser semelhantes ao trem série 7000. Gangway é sim espaço livre entre os carros. O fato de ser gangway não é para beneficiar pedintes ou ambulantes, mas sim, facilitar a vida dos usuários, para se deslocarem entre os carros, e distribuir melhor os usuários entre os espaços.

    3. As estações de Francisco Morato e Franco da Rocha não tem um prazo fixo para ficarem prontas. As obras estão bastante atrasadas. Já a nova Jaraguá, não tenho informações. Sei que mais a frente, deverá ser construída a nova estação Vila Aurora (outra com obras atrasadas).

    Estamos às ordens.

    ResponderExcluir
  9. E complementando sua resposta: 7500 é o prefixo dos 8 CAF's da #L9. Ainda não há nenhum/não foi mostrado/"não escapou" nenhum esboço do projeto da máscara do série 8000 ainda.
    Mas, tenha crença que "geral tá atrás"! Hahaha!

    E você ver: um dos carros de dois andares chegou a ser montado, estava nos truques, faltava só a parte interna a ser feita quando o contrato foi cancelado. Hoje, o que resistia de Mafersa - a MWL rodas e eixos - agora foi vendida/agregada a uma empresa internacional. Manteve-se a presidência/ diretoria, porém, já não há mais a sociedade de funcionários como acionistas majoritários da MWL, que foi uma empresa com crescimento e buscou toda a tecnologia frente a laboratórios de pesquisa da Poli-USP, PUC e Unifesp, possuindo assim o que há de mais tecnológico em forja de aço de alta capacidade. Mesmo sem fabricar trens, vagões e soluções completas, o esforço em continuar no segmento ferroviário mostrou que os funcionários da Mafersa vestem a camisa da ferrovia nacional. Se nós disseminamos o logo dela, não é pela empresa, mas, pelos "orgulhosos funcionários da indústria ferroviária nacional".

    ResponderExcluir
  10. Caro Italo, como voce bem disse, estamos atrás de informações do 7500 da L9. Até agora, não vazou nada, e estamos alertas sobre qualquer novidade que vier a ser vazada...

    Sobre a Mafersa, de fato é uma pena ter perdido tamanha indústria ferroviária, que tanto contribuiu para o crescimento do país. Claro que foi coisa do tempo, mas a Mafersa marcou seu nome na história. Hoje, a estrutura toda é da Alstom, que dá prosseguimento nessa história, mas não com o mesmo brilho...

    ResponderExcluir
  11. Pois é meus amigos! Permitam me intrometer no assunto, pois tbém faço parte dessa história trabalhei na MAFERSA em 78 e 79 mais ou menos, e sempre me orgulhei em dizer 'EU FUI FUNCIONÁRIO DA MAFERSA' foi uma das melhores épocas da minha vida. Trabalhei como eletrecista da linha Metrô Rio no turno da noite, as vezes bate a saudade daquele tempo, vontade de rever os velhos amigos mas... Os tempos agora são outros rsrsrs
    Caro Diego, foi pena mesmo ter perdido a MAFERSA, que tanto contribuiu para o crescimento do país. E marcou mesmo seu nome na história, e como brilhou ehin!!!
    Eu vesti a camisa e me orgulho disso!!!

    ResponderExcluir
  12. Olá Thor! Fico contente em ter alguém que trabalhou na fábrica dos sonhos ferroviários visitando o blog... Lamentavelmente nossa querida Mafersa se perdeu, mas deixou um legado que jamais será esquecido. Mesmo quem não pode participar do Orgulho da Indústria Nacional, de longe, tem aquele gostinho de poder desfrutar das obras dessa maravilhosa indústria. Parabéns por ter feito parte da equipe Mafersa!

    ResponderExcluir
  13. UMA EMPRRESA QUE NUNCA PODERIA TER ACABADO POIS ESSA E A REALIDade do nosso pais . agora depois de tantos anos de abandono de ferrovia eles viro que nosso pais só vai para frente com tecnologia sobre trilhos mais temos que ter consiencia que o transporte de passageiro não podemos deixar de lado agora e sempre .

    ResponderExcluir
  14. Trabalhei de 79 a 81 na referida empresa e fui com alguns amigos da firma colocar rodas nas locomotivas que veio de Portugal em um cargueiro chamado Albatroz no porto de Santos. Ficamos tres dias com dois de espera até o cais ser liberado para o navio. DEsembarcamos as duas primeiras locomotivas. DE lá seguimos para um depósito da RFF onde os macacos não davam a altura certa, onde tive que colocar calços de madeira para dar altura e por as rodas. DE lá foi para Cruzeiro SP e voltamos para a Lapa...........tempo bom. Abçs

    ResponderExcluir
  15. Fiz parte deste time entre 1979 e 1989. Vi o inicio do esfacelamento desta gigante nacional, a partir de um programa politico do lula em disputa com o color de mello, durante o processo de privatização que sinalizava como a salvação. Este programa mostrava a Mafersa como um Patrimonio Nacional sendo dado de graça pra iniciativa privada. consequencia: Os investidores desistiram do leilão. Parabens pro programa politico do Lula. 3200 desempregados. Não tiveram paciencia de esperar a recuperação pra dar esse golpe de estatização como fizeram com a Vale do Rio Doce que voltou pra debaixo do guarda chuva de empregos. A diferença é que a CVRD está robusta e tem muita teta pros cachoeira da vida ligados ao PT. Enfim, alguns segmentos industriais controlados pelo governo vão virar historia.

    ResponderExcluir
  16. Falando em Mafersa, em Salvador-BA, em 1995, a extinta empresa Ypitanga chegou a operar Mafersa M-210 com caixa manual. Mas mal ficou um ano na frota

    ResponderExcluir
  17. A Mafersa foi mais uma industria a ser fechada pela concorrência internacional, que COMPRA cidadãos brasileiros para fecha-la. O mesmo já ocorreu com Linhas Corrente, fábrica de aluminio em Saramenha, SADE em Caçapava, Transite em Montes Claros, Villares em Araraquara., Cobrasma em Osasco e Hortolândia,Pidner em Santa Luzia, Santa Matilde em Lafaiete - MG... e agora as caldeirarias em todo o Brasil. Seremos Cuba, Venezuela e Paraguai do passado, ou seja apenas fornecedores de comodities. O capitalismo está matando o país. Conheci a Mafersa desde que seu presidente e dono era o Sr. Lauro Parente que abandonou a empresa em virtude dos problemas financeiros, pois o único comprador eram as empresas do governo federal - FEPASA, Rede Ferroviária Nacional... que compravam e não pagvam e quando pagavam era com muito atraso.Depois veio o Collor e fez mais bobagem. O governo federal injetou dinheiro na empresa fazendo as fábricas novas em Contagem e a aciaria de Caçapava.A Mafersa foi parar nas maõs da REFER que por problemas de políticos não foi bem administrada até que a SEQUIP adquiriu-a num leilão em que todos os concorrentes foram colocados para tras numa jogada dos pilantras especialisados em adquirir em leilão - SADE, MAFERSA, Villares, Jornal do Brasil.....Jogaram a tecnologia, a experiencia, os direitos dos trabalhadores no lixo. Hoje a Lapa é ALSTON, Cobrasma é Bombardier, Contagem é transportadora Tora, Caçapava é MWL.
    Muitos ficaram ricos até um soldador em Contagem passoua a ser dono de empresa.

    ResponderExcluir
  18. Mafersa, fiz estágio e fui efetivado como técnico em segurança do trabalho em contagem no final de 89 e início de 90. Porém, depois a empresa em grande crise teve que mandar seus funcionários embora. Mas me lembro sempre dela com carinho...

    ResponderExcluir
  19. Eu só tenho a lamentar o fim das fabricas de trens genuinamente nacional, como a MARFESA. COBRASMA, e a de Três Rios/RJ, pois, um País imenso, a 7ª economia mundial ficar importando trens da China, Japão, Koréia, USA França e outros, não entra na minha lógica de raciocínio. Se temos tecnologia, matéria prima, mão de obra, por quê não incrementar a indústria nacional?

    ResponderExcluir

Olá! Obrigado por comentar no blog. Pedimos a gentileza de não usar palavras ofensivas contra a empresa nem contra seus funcionários, ou mesmo contra o blogueiro. O objetivo do blog é informar e compartilhar conhecimento.

Siga o blog por email

Seguidores