domingo, 13 de março de 2011

A eterna reclamação dos usuários - Parte 5 de 8

Trem série 2100 vermelho: trem ´novo` na Linha 10

Texto: Diego Silva

Linha 10-Turquesa, região do ABC paulista... Uma linha com cerca de 331 mil usuários por dia, com estações antigas, novas, históricas. Trens espanhois dotados de ar-condicionado. Conforto e facilidade em determinados horários. E ainda assim, há reclamações, em determinadas vezes com toda razão. Na quinta matéria da série, a antiga Linha D entra no foco, e com mais detalhes, já que sou usuário de todos os dias.

Estação Luz: marco histórico da ferrovia paulista
A Linha D foi construída pela SPR (São Paulo Railway), e tem espaço fundamental na história do crescimento de São Paulo. Esse trecho foi construído inicialmente para a escoagem do café, vindo do interior, passando pela capital, e seguindo até Santos. A estação Luz era o meio do caminho, onde foi erguido um prédio suntuoso e majestoso. A história da Linha D é bastante rica, e merecerá uma postagem mais para frente, para podermos abordar os fatos com maior precisão. Adiantando os anos, seguimos para a transição da propriedade, que passou para o governo com o nome de Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (EFSJ). Posteriormente absorvida pela RFFSA (Rede Ferroviária Federal SA), e repassada para o governo do Estado para administração da CPTM. Existem atualmente 14 estações no trecho compreendido entre Luz e Rio Grande da Serra, e recentemente a linha recebeu uma nova estação (Tamanduateí), com ligação direta para a Linha 2-Verde do Metrô.
Com uma frota total de 24 trens de seis carros da série 2100 (pequena parte dessa frota está em reforma), a linha conta com um deslocamento de uma hora entre as estações terminais, o que faz de sua viagem um pouco longa, mas de longe a mais confortável da CPTM.

Trem série 2100 na nova Tamanduateí

A principal reclamação dessa linha talvez seja o fator tempo. Durante o pico da manhã, a CPTM opera a Linha 10 com sistema de loop (trens partem da Luz com destinos alternados entre Mauá e Rio Grande da Serra). Mas os intervalos entre os trens em Rio Grande da Serra nunca ultrapassa cinco minutos (no pico), já que os trens chegam, estacionam, e já retornam. Durante a viagem, muito silêncio, muita tranquilidade, até que se chega na estação Mauá, que é terminal do trem em operação loop. Lotação. Trem parte abarrotado rumo à Luz. E a viagem segue, em profundo silêncio. Muitos dormem, outros observam atentos o movimento com seus fones de ouvido... E como sempre, ambulantes passam oferecendo balas, canetas e outros produtos... 

Câmera de vigilância no trem série 2100

Reclamação número dois: ambulantes e pedintes. Principalmente no horário do meio-dia, hora do retorno dos estudantes, ambulantes e pedintes fazem a festa nos trens, incomodando o sono e a viagem de todos os usuários. Alguns trens já estão circulando com câmeras de vigilância, mas estão lá por enfeite. O que era para ser um sistema efetivo de monitoramento, simplesmente serve de distração para os maquinistas. Em centenas de viagens que faço todos os meses,  nunca vi um ambulante ser impedido de vender qualquer produto, por ter sido visto pelas câmeras. E sempre são as mesmas pessoas... Algo a ser corrigido urgente pela CPTM.

Nova estação Tamanduateí - (foto: Diego Silva)
Reclamação três: a folga dos usuários! Passageiros embarcam na estação de Ribeirão Pires no pico da manhã, voltam para Rio Grande da Serra e retornam até a estação Luz! Com essa prática, tem sido comum muitas pessoas saírem de Rio Grande da Serra sem qualquer chance de viajar sentado. No pico da tarde, os usuários embarcam no Brás, sentido Luz, para voltarem até o ABC. A CPTM nada pode fazer quanto a isso, mas os usuários deveriam ter um mínimo de consciência, embarcando no sentido em que vão viajar. Uma sugestão minha seria utilizar a plataforma 1 da estação Rio Grande da Serra para embarque, e a plataforma 2 unicamente para desembarque. Com isso, o trem chegaria pela 2, todos os usuários haveriam de sair, o trem iria até o final, manobraria, e voltaria vazio pela plataforma 1, oferecendo 100% de lugares.

Reclamação quatro: Atitudes. Usuários sentam nos pisos, apoiam pés nos assentos, correm, usam aparelhos sonoros em volume alto... Aqui não é a linha mais perfeita, mas os usuários fazem por onde degradar a situação. Claro, todos nós cansamos, mas não existe motivo óbvio para sentar no piso do trem. Da mesma forma que se fica horas na fila para receber o salário do mês, é totalmente possível ficar uma hora de pé dentro do trem se deslocando até sua estação. Pés nos assentos? Vocês estão em casa? O trem é lugar para viajar, não para ficar à vontade. Respeito aos outros usuários é necessário! E trem não é discoteca, portanto, adquiram fones de ouvido!

Um problema que foi resolvido, pelo menos por enquanto foi a questão de avarias nos trens. Era bastante comum ver os trens série 2100 sofrendo problemas, e a CPTM, com as mãos atadas pela falta de trem, se via na necessidade de colocar trens série 1100 como reservas, para a desgraça dos usuários. O que é mais engraçado é que o 1100 era o trem titular aqui antes da chegada dos espanhois, e a população só tinha eles. Com a chegada dos 2100, os usuários começaram a ficar mais exigentes.

A linha 10-Turquesa é uma boa linha, porém, com algumas poucas melhoras, principalmente entre os usuários, tem tudo para ser uma nova Linha 9-Esmeralda, e virar a menina dos olhos da CPTM. As principais reclamações vem dos usuários, sobre usuários. Então, aos que utilizam a linha 10 e leram essa matéria, revejam seus atos dentro do trem. Sua atitude será bem avaliada, e todos colaborando, terão um transporte cada vez melhor.

Estação Rio Grande da Serra (foto: Diego Silva)

7 comentários:

  1. Sou um usuário da linha 7, mas a linha 10 é uma das melhores que parte da estação da Luz, a 11 o Expresso-Leste é mais rápida tem trens mais confortáveis e estações de ponta, mas de que isso adianta se os Usuários da linha 11 são uma cambada de ignorantes, entrar dentro do trem de Guaianases é uma competição, e olha que os trens dessa linha param na plataforma 2 para o desembarque e na 1 para o embarque, mas de nada adianta ainda é um tumulto, prefiro viajar num 1700 velho e quente, do que num 2000 da linha 11 no horário de pico.
    A linha 10 só perde em um quesito: muita das estações são antigas, mas com a chegada do Expresso ABC, algumas serram reconstruídas (São Caetano, Santo André e a de Mauá), eu espero que o governo faça isso! Mas mesmo assim essa linha ganha da 7, 11, e a 12!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  2. Bruno, a Linha 10 conta com grande parte das estações datadas de muito tempo, mas fazem parte de uma linha que tem muita história, e recentemente, várias delas foram tombadas como patrimônio do Condephaat. Pode ser que algumas estações sejam reconstruídas, mas vamos depender dos planos do governo e da CPTM. A Linha 10 não é a melhor, mas é uma das mais bem-vistas pelos usuários e pela própria empresa.

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  3. Sou usuária da linha 8 e 9 mais como trabalhei na CPTM como sert,tive a curiosidade de ir conhecer as outras linhas também...Bom na minha opinião é que o que faz as linhas e os trem bem visto são os proprios usuarios,porque não adianta colocarem novos trens na linhas,que logo seguintes o vandalos vem e quebram,tudo bem que a linha 10 tem estações antigas,mais se os usuarios ajudassem na colaboração,mesmo a estação sendo antigas ela não precisaria demostrar.Sim a linha 10 e bem vista também mais na minha opinião a 9 é a melhor linha.

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  4. Ellen, agradeço por seu comentário e participação no blog. Concordo com sua visão: que faz o sistema é o usuário. Não adianta jogar uma frota inteira zero quilômetro, e semanas depois, tudo estar vandalizado. Na Linha 10, de onde sou residente, por mais que as estações sejam antigas, são de muita utilidade por parte da população, e apresentam um mínimo de acessibilidade, o que é o mais importante por ora. Também concordo com você na questão da Linha 9 ser a melhor, afinal, não existe divisão de linha com trens cargueiros, ou seja, a linha é exclusiva para o transporte de passageiros.
    Seja sempre bem-vinda!

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  5. os trens serie 2100 são ótimos para viajar,a questão das estações serem antigas eu acho muito bonita a estação de rio grande da serra e a cptm poderia colocar esses trens para ter como terminal de novo paranapiacaba porque la também tem muitos passageiros que poderão se deslocar de suas casas aos seus trabalhos mais rapidamente

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  6. Guilherme, a estação de Rio Grande foi tombada como patrimônio histórico, sendo construída antes mesmo da estaçao Luz. Sobre a volta de linhas regulares para Paranapiacaba, não é viável. O trecho é exclusivo para carga, e a demanda para isso não seria o suficiente para alocar um trem até lá novamente.

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  7. Essa sugestão de usar a plataforma 2 de Rio Grande da Serra para o desembarque e a plataforma 1 para o embarque não seria adequada, pois os trens teriam que ir até o desvio após o entroncamento com o ramal de Suzano para mudar de via, no trecho que é usado pela MRS, e isso iria atrapalhar a operação dos cargueiros, ainda mais agora que a MRS inaugurou a ligação direta entre Manoel Feio e Paranapiacaba sem passar pelos trechos da CPTM e o tráfego de cargas aumentou.

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