terça-feira, 26 de abril de 2011

Como acontece uma revisão geral

Trem série 2100 em Rio Grande da Serra: unidades estão indo para revisão geral

Fotos e texto por: Diego Silva
Colaboração: Luis Fernando (Luisinho)

Os trens série 2100 estão ficando vermelhos... Para os usuários da Linha 10-Turquesa, que liga Luz à Rio Grande da Serra, trata-se de novos trens, mas muito pelo contrário, o que está acontecendo é uma revisão geral. Mas o que seria uma revisão geral? Assim como os automóveis, que necessitam parar para haver uma avaliação de suas peças e seu estado geral, os trens também tem um tempo para parar e serem totalmente desmontados para serem avaliados sobre seu estado físico, se possuem condições de circularem por mais tempo oferecendo conforto e segurança para os usuários. Nessa postagem especial, iremos demonstrar para vocês como funciona uma revisão geral, e utilizaremos como o exemplo o trem série 2100. A CPTM programa as revisões gerais, normalmente, por um número x de quilometragem. Esse valor é adquirido a partir de testes e verificação de tabelas, visto que o trem adquire uma fadiga de seus materiais, que se não for corrigido, aumenta drasticamente as avarias, o que torna a circulação da unidade forçada e inviável.

Série 2100, unidade 2125: provavelmente uma das próximas a ir para a revisão geral

Após circularem por determinado tempo, os trens série 2100 estão sendo alocados para as revisões gerais periódicas. Existem 3 tipos de revisão: Preventiva (como o nome diz, para prevenir problemas e acidentes, onde os trens passam por períodos regulares), Corretiva (em caso de algum problema, o trem é enviado para a oficina e feito o reparo, é enviado novamente para a circulação) e a Revisão geral (desmontagem total do trem, para avaliação dos componentes, reforço de estrutura, funilaria etc). Hoje falaremos da revisão geral, que é a mais demorada e complexa de todas, uma vez que envolve todo um efetivo de mecânicos e técnicos, para desmontagem e avaliação total do trem. O primeiro passo é o recolhimento do trem, que é retirado de circulação em uma data específica e levado para o pátio. Durante a paralisação da circulação (entre 00h e 04h), o trem é mobilizado para a oficina, para a avaliação inicial. Feita a avaliação inicial, começa o processo de desmontagem total do trem, desde as partes externas, até as internas.

Trem série 2100, unidade 2131, já desmontada

Unidade 2131 desacoplada. Carros são revisados separadamente

Depois de retirado todos os componentes (ar condicionado, caixas de bateria, compressores de ar, instalações elétricas, truques, motores e demais presentes). Cada um dos componentes vai para uma área, para sua respectiva revisão. Além da revisão, os componentes que não tiverem mais condições de uso, são substituídos por novos equipamentos. As janelas também são retiradas, para instalação de novas placas de policarboneto (as janelas dos trens não são de vidro). Todo o trem se transforma em diversas peças. No caso do trem série 2100, a caixa de aço carbono é lixada, limpa, e passa por calderaria, onde a mesma é analisada em busca de trincas e rachaduras que possam comprometer sua vida útil. Após isso, ela é recuperada, numa funilaria.

Unidade 2128 passando por reforço estrutural

Unidade 2128 passando por reforço estrutural. Notem as marcas de solda.

Unidade 2128, com a lateral reforçada em chapas de aço carbono 

 Salão de passageiros totalmente desmontado, para reforço de estruturas

Toda a parte elétrica do trem é remontada, ganhando novo cabeamento juntamente com novos contatos. Os motores são revisados também, e em caso de problemas mais graves, são substituídos por outros anteriormente revisados ou estocados por segurança. Truques e engates são retirados para análise, em busca de falhas e trincas que possam causar acidentes graves em caso de quebra dos componentes.

 Unidade 2134, toda reforçada e lixada, pronta para receber a nova identificação da CPTM
Após esses processos, o trem começa a ser remontado, com suas peças que estão retornando das revisões, ou mesmo novas peças chegando em lotes contratados. Durante sua montagem, o trem já é envolvido em testes estáticos parciais, visando acelerar o processo de retorno do mesmo. Nessa fase, tudo o que foi retirado externamente é reinstalado. A caixa do trem, toda lixada e reforçada, vai para uma cabine de pintura, onde recebe a identificação visual da CPTM, nas cores cinza e vermelho. Ao sair da funilaria, começam as instalações internas, de ar condicionado, componentes, câmeras, aplicação do filme anti-derrapante do piso e demais componentes.

Salão de passageiros da unidade 2127: poucos detalhes para o retorno

Unidade 2127 recebendo novas placas de policarboneto nas janelas

Por fim, como o trem já montado e pintado, a unidade é testada estaticamente, a fim de comprovar a funcionalidade de sua parte elétrica, e posteriormente, é testado dinamicamente em movimento, com a finalidade de comprovar o perfeito funcionamento e integridade para oferecer segurança a quem utilizá-lo.

Unidade 2141, revisada e pronta para operação (foto: Diego Silva)

Unidade 2122, revisada, em operação

2 comentários:

  1. Parabéns...
    Gostei muito dessa matéria. É sempre bom saber como funciona nos bastidores da ferrovia

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  2. Olá Luis! Agradeço seu comentário! Seja sempre bem-vindo ao blog! Abraços!

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