terça-feira, 12 de abril de 2011

Qual a diferença entre trem e metrô?

 Trem da CPTM e composição do Metrô, próximas da estação Patriarca

Fonte: Revista Mundo Estranho

Tecnologicamente falando, nenhuma. Ambos são movidos a energia elétrica, andam sobre o mesmo tipo de trilhos e são parecidos até no interior. A diferença principal está no uso - nas cidades, os trens metropolitanos são mais empregados para transportar pessoas de diferentes cidades de regiões metropolitanas, enquanto o metrô circula apenas dentro de uma mesma cidade. Existem ainda os trens de longo percurso e os trens de carga (estes, sim, bem diferentes do metrô). Quando o primeiro metrô surgiu, em 1863, na Inglaterra, alguns trens já circulavam. Isso fez com que os metrôs, embora tivessem o mesmo padrão tecnológico, fossem um pouco mais modernosos. No Brasil, muitos trens nunca foram substituídos por composições novas, por isso muitos acham que metrô é mais moderno e trem é uma viagem ao passado.

Trem série 2100 da CPTM

Disputa de ferro
Trem metropolitano e metrô têm a mesma tecnologia, mas desempenham funções diferentes nas cidades:

Tão perto, tão longe
O metrô circula por regiões mais densas, como o centro - é por isso que, às vezes, ele é subterrâneo, para conseguir desviar dos obstáculos. Já o trem vem de regiões menos povoadas, o que permite que ele trafegue mais em superfície - mas isso não é regra


Tamanho é documento

Os trens costumam ser maiores do que os metrôs. Eles têm, em média, 8 carros, de cerca de 20 metros cada, totalizando 250 metros de extensão. Já os metrôs têm, no máximo, seis carros e 120 metros

Ritmo metropolitano

Com composições maiores, que carregam mais gente, o tempo de intervalo entre os trens é maior que entre os metrôs. Na capital paulista, por exemplo, o tempo de espera por um metrô vai de 90 a 130 segundos. Por um trem metropolitano, a espera pode chegar a 15 ou 20 minutos 

 Trens série 5550 e 4400 no pátio de Engenheiro SP (CPTM)

Procuram-se trilhos
Veja as capitais com mais quilômetros de trilhos por habitante:

5º Porto Alegre (RS)

POPULAÇÃO - 4 milhões
METRÔ - 33,8 km
TREM - não tem

4º São Paulo (SP)

POPULAÇÃO - 20 milhões
METRÔ - 66 km
TREM - 260,8 km

3º RECIFE (PE)

POPULAÇÃO - 4 milhões
TREM - 31,5 km
METRÔ - 39,5 km

2º Brasília (DF)

POPULAÇÃO - 2 milhões
METRÔ - 42,4 km
TREM - não tem

1º Rio de Janeiro (RJ)

POPULAÇÃO - 12 milhões
METRÔ - 40 km
TREM - 225 km 

 Metrô série única - ViaQuatro (SP)

COLADINHO NO METRÔ
As estações de METRÔ - são mais próximas umas das outras. Isso interfere na velocidade: o TREM - tende a ser mais veloz (90 km/h em São Paulo), já que tem mais espaço para atingir a velocidade máxima entre as estações, mais distantes. O METRÔ - tem um intervalo mais curto para "engrenar" e chega a 80 km/h 

Estação Luz: trens cheios em horários de pico
 
LOTAÇÃO ESGOTADA
O METRÔ - de São Paulo transporta 3,5 milhões de passageiros por dia útil. O TREM - metropolitano da capital leva, por dia, 2,2 milhões de pessoas. No horário de pico, são nove passageiros por metro quadrado em ambos - o limite aceito deveria ser de três pessoas por metro quadrado  

Trem do Metrô de São Paulo correndo pela linha 3-vermelha
Há vagas
Na equação da malha ferroviária dividida por população, São Paulo perde para outras metrópoles

São Paulo
POPULAÇÃO - 20 milhões
KM DE METRÔ - 66 km

Cidade do México
POPULAÇÃO - 8,84 milhões
KM DE METRÔ - 201,388 km

Seul
POPULAÇÃO - 10,45 milhões
KM DE METRÔ - 303,2 km

10 comentários:

  1. Boa postagem Diego...é um assunto delicado que sempre gera discussões sobre onde começa um sistema e termina outro mesmo por que é algo já complexo e por isso dificil de se separar com clareza.

    Eu pessoalmente vejo a existência de dois Sistemas principais para metrô. O Metrô Urbano e o Metrô Regional. Onde o urbano é aquele que se limita a metrópole ou cidade centro de atividade econômica de uma região (exemplo, CMSP) enquanto o regional é o que liga essa cidade a outras em sua volta (exemplo, CPTM). Dentro destes se enquadrão os metrôs leves e pesados que se difereciam apenas no tipo de material rodante. De qualquer forma não deixam em nenhum dos casos de ser trens.
    Mas o termo trem pode ser usado a trens expressos regionais que ligam regiões macroeconômicas e trens de longa distância.

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  2. Muito boa a postagem Diego!!!
    Bem informativa e muito interessante!!!
    Mais quem fala que a CPTM é uma merda está enganado, pois ela é o melhor sistema de Trens Metropolitanos do Brasil e até ganha dos METRÔS de outras cidades, na questão de infraestrutura, inteligência, rapidez e conforto.
    E eu acho os trens novos da CPTM (2000, 2070, 2100, 3000 e 7000) muito mais bonitos e confortareis do que o da METRÔ SP, sem duvida.
    A CPTM ainda perde do METRÔ em questão de rapidez e agilidade, mais temos que ver que várias linha são muito antigas e compartilham com os trens de carga, outra coisa e na questão do vandalismo, mesmo com câmeras os trens da CPTM tende a ter vandalismo e muito generalizado, em todas as linhas e até em unidades novos ou reformadas, os marginais tem mais respeito ou medo de ser pego vandalizando o METRÔ e uma das últimas e na questão das estações pois muitas vezes elas ou são altas de mais ou baixas de mais e tem um vão muito grandes do trem e da plataforma, isso acontece até em estações novas.
    Mais mesmo com tudo isso gosto mais de usar os trens da CPTM é bem mais divertido!_!

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  3. Agradeço os elogios referentes à postagem. De fato é um assunto delicado, que poucos sabem explicar com determinada riqueza de detalhes. Isso é a grande dúvida de muitas pessoas, e espero que essa postagem possa ajudar!

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  4. E outra diferença também, é que os metrôs puxam energia dos trilhos, diferente dos trens metropolitanos que puxam a energia dos fios que ficam em cima deles, por isso tem aqueles "postes" dos lados dos trilhos para segurar os fios e o metropolitano não. E realmente os trens podem demorar 15 minutos, obrigado porque não conseguia saber porque o metrô vem mais rápido que o trem.

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    1. A uma contradição nestas partes:

      "...os trens metropolitanos são mais empregados para transportar pessoas de diferentes cidades de regiões metropolitanas, enquanto o metrô circula apenas dentro de uma mesma cidade."

      "O metrô circula por regiões mais densas, como o centro - é por isso que, às vezes, ele é subterrâneo, para conseguir desviar dos obstáculos. Já o trem vem de regiões menos povoadas,..."

      A única diferença notável é a distância que cada um percorre e o tamanho em quantidade de vagões!

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    2. Puxam energia? não seria se alimentam? e não necessariamente dos trilhos(no caso de trens do METRO), os trilhos servem como neutro nesse caso, a alimentação positiva no caso, vem de condutores empregados ao lado dos trilhos, que produzem a diferença de potencial entre os condutores e o chão, segundo, os trens do Metro da empresa VIAQUATRO, rodam utilizando alimentação catenária, ou seja, por fio elevados acima dos trens, o que quer dizer que não necessariamente um trem da cptm vai se alimentar só por fios acima de suas composições, nem os Metros vão se alimentar "por baixo", pesquisar é bom antes de escrever, :)

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  5. Meios de Transporte, existem trens do Metrô que também utilizam energia pelo alto, com auxílio de fios de alta tensão. Basta você ver os trens da Linha 5 do Metrô de São Paulo, ou os trens da Linha 4-Amarela (que ao invés de fios, usam uma barra de ferro).

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  6. Bonito, hein? Vc entra no site Mundo Estranho, copia e cola aqui. Foram os redatores de lá que criaram o texto.

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    1. Não deixei de citar os créditos. Se eu estivesse falando que a postagem é minha, aí sim estaria errado.

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  7. O post é de 2012, mas a discussão, eterna. Válida ainda para 2017.

    Ao que parece, durante muito tempo os sistemas metropolitanos (quase todos concentrados na Europa) usaram basicamente a alimentação por 3º trilho, ficando a catenária para os trens. Possivelmente os custos de construção de túneis de grande diâmetro inviabilizavam o uso da catenária nos metrôs clássicos, com grandes trechos subterrâneos. As tuneladoras atuais furam túneis imensos, o que permite a instalação das catenárias (de instalação / manutenção mais barata) sem maiores problemas, fenômeno constatado na Linha 4 de São Paulo e agora na extensão da Linha 5 Lilás (que originalmente seria apenas de superfície / aérea, operada pela CPTM). Esse fato trouxe uma nova realidade à indústria ferroviária, embaralhando carros de trens e de metrô. Mas, cá entre nós, os carros de metrô de Fortaleza se parecem com trens, não? Ao passo que Brasília, Rio e São Paulo (Linhas 1,2 e 3) têm um perfil metroviário evidente. Os carros coreanos da Linha 4 paulistana seria um exemplo de carro metroviário de noiva geração com catenária. Não sei se os de Salvador também seriam...

    Seja esta hipótese (da tuneladora) verdadeira ou não, creio que sistemas de trens e de metrô apresentam diferenças, sim.

    A mais importante delas é que o metrô exige linha exclusiva, sem qualquer tipo de compartilhamento e/ou cruzamento. Quando uma linha de metrô segue pela superfície, ela não terá nenhum cruzamento em nível, cancela, nada. Vias de automóveis, ônibus, bicicletas, pedestres etc. ou passam por cima, ou por baixo.

    Já linhas de trens urbanos, mesmo que dotadas de viadutos, túneis etc. em alguns trechos, admitem passagens de nível, com cancelas, semáforos etc. Idem linhas de VLT.

    No caso dos trens paulistanos da CPTM, creio que a maioria das linhas é segregada, sem cruzamentos, mas elas são compartilhadas com os trens de carga, uma situação que apenas o ferro-anel poderá solucionar.

    Quanto à frequência das composições, ela é maior nos trens não apenas porque os carros são maiores (explicação meio tola), mas principalmente porque em geral ferrovias - até por fazerem ligações mais longas - são menos sofisticadas tecnologicamente, possuem CCOs menos complexos, controlando uma extensão maior de linhas.

    O que permite o curto intervalo do metrô se deve a complexos sistemas computadorizados aplicados a percursos relativamente curtos, garantindo a segurança das composições rodando próximas umas das outras.

    Uma terceira diferença entre trens e metrôs (ligada à segregação da linha) é que o metrô, por definição, é implantado onde há concentração de pessoas e serviços (substituindo ônibus e bondes), daí a opção recorrente pelo túnel. Os trens urbanos geralmente são implantados nas antigas linhas ferroviárias do período 1850/1950, tangenciando as regiões mais adensadas.

    Sei que alguns sistemas que usam os antigos leitos ferroviários (como Porto Alegre e Recife) adotam o termo "metrô", mas pessoalmente entendo ser bem problemático.

    A questão é polêmica, mas penso que essas ideias são pertinentes.

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