sexta-feira, 10 de junho de 2011

´Não me sinto um herói` diz maquinista de trem que atingiu ônibus

Fonte e Imagem: G1

O maquinista Ednalvo Delmiro da Silva, de 40 anos, que conduzia o trem que se envolveu em um acidente com um ônibus no limite entre São Caetano do Sul e Santo André, no ABC, nesta quinta-feira (9), foi homenageado pelo governador paulista, Geraldo Alckmin, nesta sexta (10), durante a entrega de três trens novos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Ele afirmou que não se sente um herói.

“Estão dizendo que eu sou um herói, mas eu não me sinto um herói, porque, se a pessoa não acena, eu não tenho tempo hábil para parar o trem. Herói é o cara que acenou para mim”, disse o maquinista. Segundo ele, um passageiro que estava no ônibus que caiu do viaduto correu ao lado da linha férrea na direção do trem.

De acordo com o maquinista, o trem trafegava a uma velocidade de 90 km/h cerca de 500 m do local onde o ônibus caiu. Ao ver o passageiro, ele começou a reduzir a velocidade. O trem passou para 60 km/h no freio máximo e, depois disso, a velocidade foi sendo reduzida gradativamente.“Acionei o freio de emergência, porque ele freia mais rápido”, declarou.

O ferroviário destacou que o ônibus caiu em uma região curva, debaixo do viaduto e próximo de uma pilastra, o que o impediria de evitar a colisão sem a ajuda do passageiro.
Após o acidente, ele disse que comunicou ao centro de controle de operações e pediu autorização para deixar a cabine. “No momento já estavam chegando os bombeiros. Eu simplesmente ajudei os bombeiros a salvar as vítimas”, disse.

Ednalvo trabalha na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) desde 1996. Apenas na Linha 10-Turquesa, que liga a Estação da Luz, no Centro, a Rio Grande da Serra, no ABC, são 11 anos. “Sempre tem uma situação inusitada, mas essa foi a mais inusitada de todas”, afirmou.

Campanha salarialO maquinista chegou a utilizar um adesivo de apoio ao movimento pelo reajuste salarial de sua categoria que fez dois dias de greve na semana passada. Porém, ao longo do trajeto em que percorreu nos trens da CPTM e do metrô, o adesivo desapareceu. “Tiraram de mim. O tumulto foi tão grande que na hora em que eu vi já estava sem”, afirmou. Quando questionado se ele apoia o reajuste, o ferroviário foi enfático: “Com certeza. Dizem que a ferrovia vai ter a qualidade do metrô. Nós queremos a equiparação”.

O secretário Jurandir Fernandes, que participou do evento em que foi entregue também dois trens modernizados ao Metrô, afirmou ainda que a Secretaria de Transportes irá oferecer durante audiência de conciliação que acontece nesta tarde, um reajuste de 3,27%, que é um índice inferior ao que os ferroviários reivindicam. A categoria fez dois dias de greve na semana passada para pedir 5% de aumento real (além da inflação). A Justiça do trabalho recomendou que voltassem ao trabalho, mesmo mantendo o estado de greve, e voltassem a renegociar. Nesta tarde, depois da audiência de conciliação que acontece no TRT, os ferroviários farão assembleia na estação Júlio Prestes.

Vítimas do acidenteNa manhã desta sexta-feira, sete pessoas feridas no acidente continuavam internadas em hospitais do ABC. A colisão ocorreu na manhã de quinta após o coletivo da EMTU cair de um viaduto sobre os trilhos da Linha 10-Turquesa. O acidente aconteceu entre as estações Utinga e São Caetano.
Ao todo, 16 pessoas se machucaram, incluindo a motorista do ônibus, Lilian de Souza Freitas, de 30 anos. Ela sofreu traumatismo no tórax e encontrava-se internada em estado de saúde estável, no fim desta manhã, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Mario Covas, em Santo André, também no ABC. Nove dos feridos tiveram alta.
A Polícia Civil instaurou na tarde dea quinta o inquérito que vai investigar as prováveis causas do acidente. Segundo o delegado Luís Fabiano Gagliato, plantonista do 2º Distrito Policial de Santo André, o inquérito é de lesão corporal culposa (quando não há a intenção), por enquanto sem o agente causador definido. As investigações ficarão a cargo do delegado titular Oswaldo Fuentes Júnior.
“Ele (o maquinista) vai ser ouvido. Ele pode ser considerado o herói desta história. Se não fosse a pronta ação dele, haveria vítimas mais graves tanto no ônibus quanto no trem”, afirmou Gagliato.
Todas as vítimas do acidente vão ser chamadas para prestar depoimento no inquérito. Além delas, uma testemunha do acidente, um motorista que trafegava atrás do ônibus quando este despencou, também será ouvido.
A motorista do ônibus deverá prestar depoimento no hospital assim que estiver em condições para isso, segundo o delegado. “O que eu posso adiantar é que ela era uma motorista experiente, com dez anos de profissão, e que a documentação dela está legal”, disse.

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