sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sistema de trens poderá atender 3 milhões por dia

Trem série 7000 - Estação Palmeiras-Barra Funda
Fonte: Valor Econômico

O governo de São Paulo planeja investir R$ 15,2 bilhões na rede ferroviária existente na área metropolitana de São Paulo no triênio 2012/2015. Esse valor, se somado aos recursos destinados ao Metrô, chegará a R$ 45,07 bilhões. "É como se São Paulo tivesse redescoberto o transporte coletivo", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate.

Com os investimentos anunciados, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) deverá elevar os 260,7 km de ferrovias para 301,4 km e o número de estações passará de 89 para 98 nos próximos três anos. Assim, o sistema poderá transportar 3 milhões de passageiros por dia, 500 mil pessoas a mais do que atende atualmente. A espera média, por sua vez, de 6 a 7 minutos, será reduzida para 3 a 4 minutos em 2014. E ainda: devem ser reconstruídas ou reformadas 50 estações.
Para o presidente da Abifer, a expansão irá além de ampliar a capacidade de atendimento à população: vai melhorar a qualidade do serviço prestado, uma vez que estão sendo substituídos ou modernizados controles automáticos, câmaras de vigilância e portas automáticas, além dos vagões - segundo a CPTM, serão mais 67 unidades, das quais, 14 já rodando sobre os trilhos da companhia. "Com a expansão da rede ferroviária, em pouco tempo São Paulo terá disponível um serviço de transportes tão extenso e confortável quanto o de Londres", diz Abate, referindo-se a uma das redes sobre trilhos mais antigas do mundo.

O impacto dos investimentos está sendo sentido pela indústria ferroviária. Enquanto a indústria de transformação vive um período de estagnação, as atividades no segmento estão em ritmo acelerado. Segundo a Abifer, as empresas deverão investir cerca de R$ 240 milhões nos próximos anos, o que inclui a instalação de novas fábricas e tecnologias. Desde 2008, a indústria ferroviária produz em média 400 vagões por ano. Para Abate, esse setor tem condições de atender à maior parte da demanda nacional por equipamentos ferroviários. Só não produz trilhos porque o único fornecedor, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), desativou a linha de produção na década de 1990 por falta de clientes. Também não há produção de motores a diesel para locomotivas.

Entre os investimentos mais comemorados, está a intenção de o governo paulista, em parceria com o federal, construir o Ferroanel Norte, eliminando um dos principais gargalos no transporte de passageiros na área metropolitana de São Paulo. Hoje, trens de carga e de passageiros correm sobre os mesmos trilhos, com prolongados períodos de espera.

A intenção é concluir a obra até 2014, a um custo estimado de R$ 1,2 bilhão. A linha será exclusiva para cargas, com 60 km entre Itaquaquecetuba e Jundiaí. O Ferroanel Norte está em fase de projeto. A obra faz parte de um objetivo mais ambicioso: a construção do anel ferroviário que irá circundar a região metropolitana de São Paulo, interligando a região de Campinas à Baixada Santista.
Outro projeto prevê a ligação entre Santos, Jundiaí e Sorocaba. A intenção é resgatar os serviços ferroviários com novos padrões de desempenho e qualidade. O projeto funcional e os estudos de demanda, viabilidade técnica, ambiental, operacional e econômico estão sendo desenvolvidos. Para a CPTM, a ligação ferroviária entre as cidades trará benefícios como maior mobilidade para a população, ganho no tempo de viagem e redução das emissões de COu00b2.

O governo também projeta colocar em operação um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT - Metrô Leve) entre São Vicente e Santos para atender cerca de 70 mil passageiros por dia útil. A obra, integrada às linhas de ônibus metropolitanos e municipais, terá uma extensão de 11 km e está orçada em R$ 680 milhões. Em setembro, foram entregues as propostas das empresas interessadas em realizar o projeto executivo.

5 comentários:

  1. Interssante a reportagem do jornal Valor Econômico e ao mesmo tempo comica: "de repente, descobriram a importância do transporte coletivo". Parece que somente agora, o poder publico entendeu que priorizar apenas o transporte individual foi um grande equivoco. Qualquer país da América Latina, sem comparar os paises ditos de "primeiro mundo", possuem uma malha metro-ferroviária inumeras vezes maior que a nossa. São Paulo acordou tarde para um problema tão dificul como é o da mobilidade urbana. Investir em transporte sobre trilhos é garantia de geração de emprego (afinal, metalurgicos também sabem fabricar trens), fazer com que a região metropolitana de São Paulo volte a respirar ar puro, com a consequente diminuição no uso de automóveis. Antes tarde do que nunca!

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  2. Gilson tu se engana quando fala...
    na américa latina o maior "metro" é o da cidade do mexico, porem por aquelas bandas, eles consideram metro de verdade e trens metropolitanos... tendo assim uma dita rede de 200km nós temos 260km de trem e 73 de metro de alta qualidade, sendo assim temos 333km de trilhos contra 406km de londres (que tem metros bem antigos), nosso metro terá 161km até 2016 e nossos trens terão 301, uma excelente rede de 463km de trens e metros novos e reformados. Nunca menospreze o que voce tem!!

    existem projetos de metro até 2030, alem de trens regionais, trem bala, e trens turisticos, trilhos serão o orgulho de são paulo que já se orgulha por sua modernissima rodovia, há de se comentar tambem sobre hidrovias e dutovias, melhorando muito a logistica do nosso estado, como se sabe o ferroanel, rodoanel, ligação santos, campinas e sorocaba e outros projetos que virão é a dita "hora da ferrovia"

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  3. Amigos

    Realmente às vezes admiramos o que nosso vizinho tem e nos esquecemos daquilo que temos. Em contrapartida, somos carentes de transporte sobre trilhos. A malha da CPTM, apesar de ser quase quatro vezes a to metrô, transporta menos pessoas. Tornando esse sistema já existente mais eficiente, mais trens e com boa qualidade (podem ser os velhinhos, mas reformados e com conforto para o usuário) iremos avanças a passos largos. Terminando a extensão da linha 5, todas as linhas do metrô estarão interligadas, assim como as da CPTM e isso irá ajudar bastante. Com uma sinalização moderna e uma melhoria significativa na manutenção (investimento nas oficinas) teremos uma CPTM com maior confiabilidade e pontualidade, o que atrairá mais pessoas, para deixarem seus carros em casa e usar um transporte coletivo com qualidade. Precisa melhorar também os ônibus, com maior conforto, pontualidade e corredores. Curitiba, por exemplo não possui metrô e tem um dos melhores sistemas coletivos do país. Abraço.

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  4. o sistema de onibus de coritiba é bom, mas já chegou numa etapa que o sistema não comporta, pra uma cidade do tamanho de são paulo o ideal seria criar corredores de VLT, não precisamos de mais onibus, temos uma frota gigantesca, se comprarmos mais os onibus ficarão vazios com a chegada de tantos metros, trens e como eu disse corredores VLT. falta pouco para são paulo reacender a chama do crescimento.

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  5. Wagner, não se trata de menosprezar, não é essa a discussão. Olho com bons olhos as ações do Metrô e da CPTM, mas trata-se de um investimento que tinha que vir acompanhado com o próprio processo de urbanização das cidades. É fato: ouve uma preocupação em priorizar o transporte individual e o resultado está aí: São Paulo bate recordes de congestionamento quase que semanalmente. A hora da ferrovia é benvinda, sem a menor sombra de duvidas, mas está atrasada algumas décadas! Valeu pelo debate!

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