segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O fim da linha para os eletrocarros

Eletrocarro na estação Brás - O fim da linha
Por Diego Silva

Caros leitores, chegou o fim da linha para os eletrocarros. Depois de 38 anos de serviços prestados, a frota 5500 da CPTM parece mesmo ter se aposentado. Das unidades que ainda resistiam ao tempo, todas estão paradas. Três delas estão próximas da estação Tatuapé (uma prata, uma metropolitana e uma vermelha). Segundo informações oficiais, os responsáveis pela operação da CPTM solicitaram que esses trens não circulem mais. Provavelmente, pelo enorme número de problemas que causavam, além da sua lentidão.

Eletrocarro na estação Luz, nos velhos tempos de Fepasa
Eletrocarro atendendo serviços no ramal de Jurubatuba, atual Linha 9-Esmeralda
Os Eletrocarros foram comprados pela Fepasa (Ferrovia Paulista S/A), no fim da década de 1970, para atender os serviços do então ramal de Jurubatuba (atual Linha 9-Esmeralda). Pelo que se sabe, um montante de 50 trens com oito carros cada foram adquiridos na época. Os trens foram construídos pelo ''Consórcio Eletrocarro'', que continha as empresas ACEC (Atelier de Construcciones Electriques de Charleroi, da Bélgica), Sorefame (Portugal) e Mafersa (Brasil). Na época de sua circulação, essa frota substituiu os trens da série 5000, que faziam o ramal de Jurubatuba. Nesse mesmo tempo, a então RFFSA (Rede Ferroviária Federal S/A), solicitou à Fepasa que cedesse algumas unidades, pois a carência de trens na zona leste de São Paulo estava muito crítica. Selado o acordo, algumas unidades da então frota '9500' da Fepasa seguiram para a RFFSA, sendo renumeradas como série 160.


Propaganda dos 'novos trens' da RFFSA
Após cedidos, os Eletrocarros podiam ser vistos em duas frentes. Atendendo a zona leste, pela RFFSA, e a zona oeste, pela FEPASA. Durante algum tempo, esses trens fizeram trajetos também pela linha tronco da Fepasa (atual Linha 8-Diamante), ora fazendo Júlio Prestes x Barueri, ora fazendo Luz x Carapicuíba. Mas uma coisa que poucos sabem: os Eletrocarros sempre foram trens muito problemáticos. Em pouco mais de vinte anos, praticamente metade da frota já tinha se perdido, por conta de diversas avarias graves nas caixas. Até hoje acredita-se que um erro de projeto causou toda essa problemática, causando a baixa de diversos trens. Com a chegada da CPTM, no princípio da década de 1990, os Eletrocarros já não estavam em grande número, sendo que os restantes foram deslocados para a zona leste.

Eletrocarro (à direita) na fase CPTM
A CPTM, nos seus primeiros anos de administração, priorizou pela recuperação da frota existente, enviando alguns trens para revisão geral, para que fossem avaliadas desde a sua condição de circular até os equipamentos. Como todos sabemos, a RFFSA não dava completa atenção para seus trens, disponibilizando para seus usuários um péssimo serviço. Recuperados, os eletrocarros circularam pelas então linhas E e F da CPTM, durante bons anos. Após a virada do milênio, os sobreviventes dessa frota foram enviandos para uma nova revisão geral, na Alstom, onde ganharam uma completa revitalização, além do padrão metropolitano que estava sendo utilizado nos trens e no Metrô.

O retorno para a Linha 8-Diamante
Eletrocarro chegando em Itapevi (Linha 8-Diamante)
Em setembro de 2010, tivemos uma notícia bastante curiosa: os trens dessa frota voltaram a circular na Linha 8-Diamante. As constantes avarias da frota 5000 e a falta de trens reservas fez com que a CPTM adaptasse três composições com 12 carros cada, para dar apoio operacional. Porém, a ideia não deu muito certo... Os eletrocarros mais atrapalharam do que ajudaram, sempre avariando e travando no meio do caminho. Em questão de meses, os trens da série 7000 já estavam no lugar dos 5500. Com isso, dois dos três voltaram para a zona leste, onde circularam até o fim de 2011. Na Linha 12-Safira, uma composição ficou circulando, toda prata com as máscaras vermelhas (unidade 5512/5516).

Eletrocarro 5512/5516 em Brás, Linha 12-Safira
No fim de 2011, as composições que ainda circulavam foram estacionadas próximas da estação Tatuapé, juntamente com a unidade 5545, que estava sucateada há algum tempo. Chegou ao fim, então, a era Eletrocarro nos trilhos de São Paulo. Muitas viagens, muitas histórias, mas assim como tudo no mundo, chegou a hora do seu fim. Infelizmente, é um trem que não deixará saudades, devido aos seus problemas e dificuldades técnicas, mas ficará na história da CPTM.

Trem série 5550 - A continuação da história
Carros sucateados da frota 5500 em Engº  Manoel Feio
Até meados de 2006, era possível ver carros dessa frota sucateados nas proximidades da estação Engº Manoel Feio, em Itaquaquecetuba (Linha 12-Safira). A CPTM, em parceria com a Bombardier e a Tejofran, recuperou essas caixas e deu nova vida para esses trens. A frota 5550, ou 5500 fase II, surgiu em 2007. Inicialmente, seria uma RTO (Reserva Técnica Operacional) da Linha 10-Turquesa. Mas a constante necessidade de trens na zona leste acabou por levar esses trens para a Linha 12-Safira. Atualmente, esses trens estão circulando, dando suporte essencial na Linha 12. Foi o que restou, em operação, dos Eletrocarros, porém, mais funcionais, modernos e eficientes.

Trem série 5500 fase II em Calmon Viana
A renovação de frota continua, caros leitores. Os próximos que vão passar por aqui são os trens série 1400 e 1600. É uma pena que não podemos desfrutar de mais tempo junto dessas frotas, pois são trens muito interessantes. Mas a tecnologia e a necessidade de um transporte cada vez mais rápido e melhor pedem passagem.

Série 5550 e série 5500 - Antes e depois, para a história

26 comentários:

  1. Entre os tantos problemas crônicos neles, uma coisa deve se colocar em evidência. Estes trens não "pulam" como os 4400, padronizados na Linha Guaianazes-Estudantes. Eram firmes, menos barulhentos, vidros basculantes e janelas também.

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    1. Sim Bruno, a frota 5500 era bastante firme. Era um dos detalhes que ele possuía: conforto. As janelas eram padronizadas no estilo Fepasa, ou seja, basculante e abertura vertical. Mas tecnicamente, era um trem muito ruim.

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  2. 38 anos é pouco se compararmos com certos trens de 55 anos, que a CPTM tem coragem de deixar em operação...

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    1. Zocateli, comparar o Eletrocarro com os Milzinhos é meio complicado. A frota 1100 durou muito mais, resultando em menos problemas. Ou seja, de longe, a frota 1100 é melhor que os eletrocarros.

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  3. É uma pena se bem que esse trem 5500 merecia o mesmo destino dos 5550 e torna-la unidade unica assim como o 1100 que passou por uma mudança interior e na mascara mas parece que a CPTM não tem interesse em dar uma nova vida para esses trens que teve o mesmo destino dos Toshibas mas fazer o que são ossos do oficio o que vai deixar saudade nesse trem é aquele som "eletrônico" quando ele arrancava.

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    1. Celso, também acho que esses eletros mereciam a modernização da Bombardier/Tejofran. Sempre defendi essa ideia, mas a CPTM não se mostra disposta a manter essa frota. Aquele 'som eletrônico' da arrancada é o Chopper, ainda possível de ouvir na série 5000.

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    2. Verdade, no 5000 se ouve o som. E quase imperceptível, ouve-se também um som parecido nos Cobrasma Francorail do Metrô-SP.

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    3. Sim. A frota Cobrasma possui um equipamento similar, que faz o mesmo som ao dar partida.

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  4. Pessoal, na boa, essa frota não vai deixar saudades... digo isso como usuário da linha 12-Safira!!!

    Entre toda a frota de trens, esses são os mais abafados, onde não há a circulação de ar, ou seja, o calor é insuportável!!!

    Talvez como disse o Diego por um erro de projeto, mas até as barras de apoio (ou balaustres, como queiram!!!) eram ruins!!!

    A reforma feita pela Bombardier os deixaram como novos, seja na remodelação dos bancos, priorizando o espaço no salão de passageiros, pelo novo sistema de ventilação ou pela reforma interna dos carros... a única coisa a se lamentar, na minha opinião, é que as composições eram formadas por oito carros, o que fazia a diferença no horário de pico!!!

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  5. São estes que eram chamados de "Fepasão"?

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    1. Alef Não!!!

      Fepasão são os da série 5000 que ainda circulam da linha 8-Diamante, composto por 12 vagões, fazem a verdadeira "limpa" na estação Barra Funda em horários de pico da tarde ou da noite por causa dos estudantes universitários...

      Para mais informações basta vê-los em ação no Youtube!!!

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    2. Allef, apesar de ter rodado na era Fepasa, os Eletrocarros eram conhecidos como "Belga" pela população e pela empresa. Os famosos 'Fepasões' continuam em atividade, que são os trens série 5000, como nosso amigo Juliano frisou.

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  6. Caros amigos, bom dia!

    Olha, ainda existe um fantasma série 5500 assombrando o Pátio de Presidente Altino. A oficina Eng.São Paulo não o quis de volta. Sem termos o que fazer com ele, o deixamos em uma linha chamada "Céu Aberto", que fica paralela à linha de testes e à reta das linhas 8 e 9 em Osasco. Quem quiser conferir e tirar uma foto de recordação está convidado. kkkkkk
    Mas não sabemos o que fazer com ele. Está lá, montadinho com seus doze carros, após descarrilar em nosso pátio a menos de 10km/h!

    Adeus trem Belga. Já vai tarde.

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    1. Descarrilar a 10 km/h é sensacional... Eu o vi esses dias, quando fui em Osasco. Acredito que ele irá para a linha de corte, na Lapa, junto com outros carros sucateados que por lá estão. Acho um desperdício, pois os trens estão funcionando. Ainda servem para rodar em alguma outra linha, ou mesmo numa extensão (Francisco Morato x Jundiaí, Itapevi x Amador Bueno...)

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  7. Pois é Diegão. O "Belga" tem uma característica interessante nas suas bolsas de ar da suspensão: se estiverem vazias, a aranha não gira, com relação à caixaria do carro, descarrilando.
    Esse trem lá de Altino está montadinho. Quase nada foi retirado dele, a notar pela presença de seus componentes na parte inferior, pantógrafos e cabines. Dá até pra consertar, mas quem faria isso. O pobrezinho foi renegado.
    Nos fundos do pátio, perto da "Bolívia" tem uns carros 5500 "órfãos" semi-desmontados, além de vários carros 5000 e outros de viagem, esquecidos, duramente preservados por suas caixarias de aço inox.
    Faça, quando puder, uma reportagem sobre no novo pátio que será construído em Antino, no atual pátio da Bolívia, o qual terá, entre outras coisas, local para reforma de trens.
    Abraço.

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    1. Olá Paulo! Na Lapa, tem alguns carros na fila da morte. No pátio da Luz, tem uns quatro ou cinco, montadinhos ainda (mas alguns sem assentos ou janelas). Eu ainda gostaria que a CPTM se mobilizasse e recuperasse esses trens, disponibilizando como 5550 na Linha 12. Seria muito mais vantajoso.
      Para fazer uma reportagem sobre o pátio da Bolívia, preciso visitar o local... Está meio difícil acessar pátios atualmente. Mas veremos o que dá para fazer.
      Um abraço!

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  8. Pois é Diegão. O "Belga" tem uma característica interessante nas suas bolsas de ar da suspensão: se estiverem vazias, a aranha não gira, com relação à caixaria do carro, descarrilando.
    Esse trem lá de Altino está montadinho. Quase nada foi retirado dele, a notar pela presença de seus componentes na parte inferior, pantógrafos e cabines. Dá até pra consertar, mas quem faria isso. O pobrezinho foi renegado.
    Nos fundos do pátio, perto da "Bolívia" tem uns carros 5500 "órfãos" semi-desmontados, além de vários carros 5000 e outros de viagem, esquecidos, duramente preservados por suas caixarias de aço inox.
    Faça, quando puder, uma reportagem sobre no novo pátio que será construído em Antino, no atual pátio da Bolívia, o qual terá, entre outras coisas, local para reforma de trens.
    Abraço.

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  9. Pergunta técnica: Alguém sabe dizer o porque de "unidade séxtupla eléctrica"??

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    1. Unidade elétrica de seis carros, Bruno. Os eletrocarros chegaram a rodar com seis carros algum tempo, segundo me contaram a história... Nunca vi foto que comprovasse, mas...

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    2. Sim Frande Amigo Irmão Diego Silva Eles Chegaram a tracionar na Linha A da Fepasa Ferrovia Paulista S/A é o Fim de um Trem que leva ao seu Longo e terno periodo de Prestação de serviço a Unica e Dedicada Comprovação de Sua Eficacia,Foi um Tue OTimo!!!Fara falta como já faz!!

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  10. BOA NOITE! MEU NOME É JOSÉ:DIEGO VC SABERIA ME DIZER SE A CPTM VAI VENDER ESSES TRENS, OU VÃO CORTAR DEPOIS DE GASTAR MILHOES DE REAIS NAS REFORMAS, UMA COISA INTERESSANTE É SABER QUE O 5523 FOI REFORMADO NUNCA OPEROU E JA FOI DISPENSADO.

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    1. Olá José! Pelo que sei, a CPTM irá cortar esses trens, assim como está acontecendo com os carros que estão sucateados. Os cortes estavam acontecendo no pátio da Lapa. Curiosamente, algumas unidades foram reformadas, seguindo agora para o fim.

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  11. Eu gostava muito desse trem o achava que tinha uma aparencia de soberania, chegava a dar medo de ve-los quando era criança.Cresci admirando esta frota.

    Particularmente, sentirei saudades.

    Outra coisa que a CPTM pois para operar no lugar deles?

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    1. José, a CPTM adquiriu 20 trens novos para a Linha 12-Safira (série 7000), mas eles não estão rodando completamente.

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    2. Os 20 trens que a CPTM adquiriu da série 7000 para a L12 Safira 6 deles estão na L9 Esmeralda pq foram trocados com a ALSTOM Série 2070 que atualmente estão na L12 Safira.

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  12. Apesar de problemático, entre 2007 e 2010 só andava nesta série pela linha 12-Safira e sinto saudades dele por causa do barulhinho eletrônico (chopper) na arrancada depois que ele foi embora, tô dando preferência pros 4400 (Sukita/Chanceller/Paulistinha)

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