quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Insatisfação com transporte cresce em SP

Trem série 3000 - Estação Itapevi - Linha 8-Diamante
Fonte: Revista Ferroviária / O Estado de SP

O transporte coletivo de São Paulo - incluindo metrô, trens e ônibus - piorou no ano passado, na opinião dos passageiros. Pesquisa anual da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) revela que até o metrô - considerado excelente ou bom por 74% dos entrevistados - continua a sofrer os efeitos da superlotação. Em 2009, esse número era dez pontos porcentuais maior.

O Metrô sempre teve uma imagem de excelência, mas está sendo vítima do próprio sucesso. Quando tinha poucas linhas, era avaliado pelo serviço delas. Agora, há um embrião de rede. Mas a cidade precisa de mais do que isso, diz Rogério Belda, diretor da ANTP, destacando que o pior desempenho desde que a pesquisa passou a usar a atual metodologia, em 1999, tem a ver justamente com lotação e conforto.
Pela primeira vez, o Metrô também caiu para terceiro lugar na análise dos usuários. Agora, o posto de transporte coletivo com melhor avaliação passou para o Expresso Tiradentes, com 81% de aprovação. Em seguida, vem o Corredor Metropolitano São Mateus-Jabaquara, via exclusiva de ônibus entre a capital e o ABC, gerida pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), do governo do Estado, tal qual o Metrô, com 74%. Mas aqui vale uma ressalva: enquanto o Metrô já bateu a marca de 4 milhões de passageiros transportados por dia, o Expresso Tiradentes leva 80 mil e o Corredor Metropolitano, 250 mil.
Por sua vez, os ônibus administrados pela São Paulo Transporte (SPTrans), da Prefeitura, alcançaram só 40% nessa avaliação - no ano retrasado, 59% dos entrevistados consideravam o serviço bom ou excelente. 
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) também foi aprovada por menos da metade das pessoas ouvidas: 48%, ante 54%.
A pesquisa avalia a imagem do transporte coletivo na Grande São Paulo. Ela foi encomendada à Toledo & Associados e feita em duas etapas, entre outubro e novembro: uma quantitativa e outra qualitativa, com 3.423 entrevistados.

Passageiro diário do Metrô, o operador de logística Henrique Volpe, de 25 anos, destaca a lotação em horários de pico como ponto extremamente negativo. Os trens demoram e, quando chegam, às vezes vêm tão cheios e quentes que parecem sauna. Já o programador Daniel Oba, de 41, afirma ter notado que as paradas dos trens no meio dos túneis têm sido mais frequentes.

A linha que ele usa mais vezes, a 1-Azul, foi a que registrou maior queda na avaliação nos últimos dois anos, segundo a ANTP, passando de 85% de aprovação para 73%. Apesar disso, a Linha 3-Vermelha segue com a pior avaliação entre as cinco da rede: 68% dos entrevistados a consideram excelente ou boa. A 4-Amarela, cuja primeira fase foi aberta integralmente no ano passado, teve o melhor desempenho, com 89%. Segundo a pesquisa, considerando todo o sistema de transporte público, apenas 18% consideram o serviço bom.

Educação. 
A pesquisa pela primeira vez avaliou o que os passageiros dizem de outros passageiros: 73% reclamaram de alguma atitude negativa das pessoas com quem compartilham o transporte (não dar preferência, não dar passagem etc). Também se avaliou o serviço dos metroviários: 36% flagraram casos de comportamento agressivo de funcionários do metrô.

Para quem usa transporte coletivo, dois fatores contribuem para situações de violência na rede: superlotação e falta de educação de parte dos usuários. Pela pesquisa da ANTP, o abalo emocional causado por essas situações favorece o estresse coletivo, resultando em brigas, bate-bocas e vandalismo. O usuário reconhece que os investimentos acontecem, mas admite essa situação de violência que está vivendo. O trajeto que ele vivencia hoje é incômodo. Ele presencia brigas e falta de educação, diz Maria Aparecida Toledo, coordenadora da pesquisa. É preciso organizar o ambiente do transporte público.

Em nota, a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos informou que o índice do Metrô é o maior de todos os meios de transporte coletivo avaliados pela pesquisa. Também destaca que o serviço é bom, eficiente e tem tarifa mais barata do que o ônibus, o que, obviamente, atrai cada vez mais usuários. O texto diz que, em 2011, o Metrô absorveu cerca de 1,3 milhão de novos passageiros e as Estações República e Luz da Linha 4 fizeram com que 500 mil usuários fossem incorporados desde setembro. Segundo a estatal, isso provocou reflexos em novembro, mês da pesquisa.

A nota afirma que São Paulo é a única cidade no mundo ocidental que tem quatro obras de metrô em andamento, nas Linhas 2-Verde, 4-Amarela, 5-Lilás e 17-Ouro. Com elas, a população vai reconhecer e aprovar a cada dia mais o sistema.

A SPTrans, por sua vez, informou que trabalha ininterruptamente para oferecer um serviço da melhor qualidade aos usuários e foram criadas faixas exclusivas para ônibus em 2011 e alterados a sinalização e o tempo semafórico para aumentar a velocidade dos coletivos de 10% a 15%. Além disso, a frota de ônibus foi renovada em 80% desde 2005.

Um comentário:

  1. Por um lado, isso chega a ser compreensível, até porque quando se amplia a demanda de um serviço obviamente que com mais usuários a avaliação tende a cair. O Metrô de São Paulo tem feito verdadeiros milagres.
    A cidade está crescendo e demandando de melhores opções para transporte em massa. A CPTM melhorou muito nos últimos anos, aliás, nunca se fez tanto pela CPTM como ultimamente, mas o crescimento da cidade segue mais veloz.
    Precisamos de um planejamento universal, entre trem, metrô, ônibus e outras soluções e não enxergarmos os problemas de forma unilateral.
    Algumas ideias para São Paulo:

    1- Um bilhete único para toda a região metropolitana e capital, eliminando sistemas paralelos;
    2- Mudança do sistema de IPVA, ao invés do tão falado pedágio urbano, beneficiando quem utiliza menos o carro em regiões mais congestionadas;
    3- Construção e ampliação de corredores de ônibus;
    4- Aumentar o número de trens, como sistema de sinalização mais moderno, permitindo maior velocidade e menor intervalo;
    5- Conclusão do Rodoanel Mário Covas;
    6- Construção do Ferroanel, para o escoamento de cargas sem passar pelo centro;
    7- Construção de um mini ferroanel, ligando linhas do metrô e da CPTM sem ter que passar pelo centro. Exemplo: linha 1 do metrô com linha 7 da CPTM.

    São algumas ideias. Abraço!

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