quarta-feira, 28 de março de 2012

Entrevista: David Rodrigues

David Rodrigues, fotógrafo ferroviário do Rio de Janeiro
Por Diego Silva

Caros leitores, nessa entrevista do mês, falaremos com alguém que compartilha o mesmo hobby: fotografar trens. Diretamente do Rio de Janeiro, David Rodrigues, grande fotógrafo de trens, conta um pouco sobre seu passatempo, além de alguns detalhes sobre o que é possível ver nos trilhos da Supervia. Confira abaixo a entrevista que David concedeu ao blog 'CPTM em Foco':

Diego Silva: David, conte-nos um pouco sobre seu hobby ferroviário. Quando e onde começou a gostar de trens?
David Rodrigues: Meu gosto pela ferrovia começou meio que sem querer: eu estudava em um bairro aqui do Rio, onde eu tinha que passar por uma estação para chegar no colégio. Comecei a cada dia mais prestar atenção nos trens, percebendo que havia uma variedade de modelos e pensei: "será que eles tem nomes assim como os automóveis?". Antes de começar a pesquisar de fato, eu procurei observar o que tinha de visivel para formar uma lógica e começar a entender um pouco daquele mundo novo que eu sem querer estava começando a entrar. Isso foi por volta de 2006, na estação Méier, do ramal Deodoro da Supervia (concessionária que opera e administra os trens metropolitanos no Rio de Janeiro). E hoje eu já não consigo mais viver longe de tudo o que a ferrovia me trouxe, os amigos que fiz, enfim, meu gosto por trens hoje pra mim, já conta parte da minha vida.

DS: Talvez seu principal hobby seja fotografar, não é verdade?
DR: Sim, é verdade! Junto com o gosto por trens, descobri a fotografia, o que me fez até entrar num curso básico de fotografia no ano passado (2011). Sem dúvida dentro da ferrovia, meu principal hobby é a fotografia.

DS: Você esteve em São Paulo no ano passado, para conhecer o sistema e, claro, fotografar. O que mais gostou daqui e quais as principais diferenças que viu entre CPTM e Supervia?
DR: Bem, o que eu mais gostei na visita, foi a integração gratuita entre o Metrô e a CPTM. Inclusive, utilizei com frequência durante os quase 3 dias que estive na cidade. As principais diferenças: o contraste de frotas e da operação das linhas, como o fato de umas operarem em mão inglesa, e outras em mão ocidental. O que mais me chamou a atenção foi ver que, mesmo tendo tantas diferenças, contrastes entre as linhas, tudo funcionava de forma integrada, uma verdadeira rede, diferente da Supervia, que não tem de fato integrações entre outros modais.  Mas a principal diferença mesmo é a forma com que a operação se adapta a realidade dos usuários na CPTM, o que não acontece na Supervia, onde se demora muito para atender as demandas.

DS: Voce também utilizou o Metrô. O que achou do sistema paulista, considerado o melhor da américa latina e um dos melhores do mundo?
DR:  Usei e pude atestar que, de fato, o sistema paulista merece os títulos que tem. Tem que ser bom mesmo para conseguir operar um sistema que não é muito grande, mas que transporta mais de 3,5 milhões de passageiros por dia. Dar conta disso tudo, mantendo uma boa manutenção e uma operação com o mínimo de problemas possível. Achei a operação do sistema bem sólida, o melhor é ver que nunca estão satisfeitos e que sempre procuram melhorar, coisa que não vejo aqui no Rio, onde o Metrô não tem os mesmos requisitos e qualidades que percebi no Metrô de São Paulo.

DS: Você pretende trabalhar na área ferroviária? Se sim, em qual cargo
DR: Eu já quis trabalhar na área, mas algumas coisas mudaram na minha vida nos últimos anos, coisas aconteceram, e eu não digo que desisti, mas que a vida está me levando pra outros caminhos, e por enquanto terei que continuar tendo a ferrovia como hobby, mas quem sabe no futuro já com a vida acertada, eu não possa conquistar um cargo na ferrovia. Se caso eu tenha a oportunidade de trabalhar na área, eu ficaria entre Controlador de tráfego e Manutenção de material rodante (pneumatica no caso).

DS: Certa vez, falamos de manter a história ferroviária através de fotografias. Na sua opinião, fotógrafos ferroviários mereciam mais atenção?
DR: Com certeza, deveriam receber muito mais atenção. Principalmente nos últimos 10 anos, onde, com o desenvolvimento da fotografia digital, foi e ainda está sendo gerado um acervo bem vasto da atual história ferroviária do país. Não estão dando o devido valor à essas pessoas que estão compondo a memória da ferrovia no Brasil, trens que estão indo embora e que foram eternizados em fotografias feitas por nós, mas que mesmo assim ainda podem ser esquecidos. Não que eu busque o reconhecimento, mas que merecemos mais atenção, isso com certeza merecemos. Queria muito até fazer disso uma profissão, mas o mercado está praticamente fechado para esse tipo de fotografia. Eu, sinceramente, espero que nossos registros não se percam, como no passado muitos fotógrafos ferroviários fizeram grande acervo, que até hoje achamos fragmentos de seus trabalhos, que não estão recebendo o devido valor.

DS: O blog ''CPTM em Foco'', atualmente, é lido diariamente por mais de 1500 pessoas. Entre eles, funcionários, admiradores e fãs de ferrovia assim como nós. Que mensagem você deixa para quem lê você nesse momento?
DR: A única coisa que tenho a dizer a todos: aproveitem bem esse espaço, porque foi feito justamente para nós que procuramos sempre entender mais e melhor desse mundo tão instigante que é a ferrovia. Se você está começando a ler agora, continue, pois você tem aqui uma visão verdadeiramente imparcial sobre os fatos que aconteceram e acontecem na ferrovia, o que realmente acontece é contado aqui, da forma que deve ser mostrado, e é isso.. Se puderem, façam desse blog a página inicial de seus navegadores, porque sempre tem algo novo para se ver por aqui.

DS: David, muito obrigado por nos conceder essa entrevista. Seja sempre bem-vindo em São Paulo!
DR: Obrigado, e pode contar sempre comigo, e a galera de SP também será sempre bem-vinda aqui no Rio de Janeiro, e deixo um abraço para todos.

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