sexta-feira, 9 de março de 2012

O usuário faz o seu transporte

Embarque é tumultuado diariamente na estação Luz
Por Diego Silva

Caros leitores, sejamos sinceros: nós fazemos o nosso transporte, não é verdade? Diariamente observo atitudes e gestos dos usuários da CPTM, notando o quanto são mal-educados. Embarque, viagem e momentos são alguns dos pontos que fazem os problemas. Acompanhem meu raciocínio:

Embarque
Um dos maiores problemas atualmente, visto que os usuários mostram que deixaram a educação em casa. Visitem a estação Luz (plataforma 4, sentido Guaianazes) ou a estação Brás (plataforma 6/7, sentido Calmon Viana) das 16h30 às 18h. O que se nota é um verdadeiro show de horrores! A única regra é conseguir um lugar para sentar. A CPTM tentou oferecer um embarque melhor para os usuários na estação Brás (no caso da Linha 10-Turquesa), mas piorou e muito a situação na estação Luz. O embarque no Expresso Leste é uma verdadeira luta de gladiadores, onde diariamente usuários caem no piso dos trens, na luta sem qualquer raciocínio por um lugar para viajar sentado. Na Linha 12-Safira, no Brás, a cena é similar e às vezes pior. 

Por um lado, entendo os usuários: após um dia estressante de trabalho, todos queremos um pouco de conforto na hora de voltar para casa. Isso é completamente compreensível. Mas não justifica o estouro que os usuários fazem para embarcar nos trens. Acidentes graves estão acontecendo todos os dias por conta dessa atitude selvagem (sim, essa é a palavra). Paga-se caro pelo transporte, todos sabemos, mas a educação, onde fica? O que mais revolta: os usuários que embarcam no Expresso Leste fazem aquele tumulto inteiro, para descer na estação Brás. Pior: quem não embarca, fica impedindo quem quer embarcar, ''marcando porta'' e tornando as coisas ainda mais difíceis.

Hora do desembarque na estação Brás: combate para entrar e sair do trem

Desembarque na estação Brás - Combate, parte II
Hora de desembarcar na estação Brás. Após o combate da entrada, agora é o combate para sair do trem. Quando o Expresso Leste estaciona na plataforma 4, uma multidão já está esperando. Ao abrir das portas, começa uma nova confusão: ninguém entra, ninguém sai. Muito desentendimento, usuários trocam xingamentos... No fim, após muita briga, o trem parte com pessoas bem apertadas, enquanto alguns lugares no corredor ainda comportam pessoas. A velha mania de ficar na região das portas.

Atitudes na viagem
Particularmente, caros leitores, duas coisas que tenho ódio mortal durante uma viagem: usuários que sentam no piso dos trens e outros que pensam que estão em casa, apoiando os pés nos assentos. Os primeiros, se jogam de qualquer jeito no piso do trem, dificultando o embarque e desembarque. Se você esbarrar em um, ainda é olhado de maneira agressiva. Vemos muito disso na Linha 7-Rubi, 11-Coral e 12-Safira.

Os assentos viram espreguiçadeiras, quando há poucas pessoas à bordo. Alguns espertinhos aproveitam o momento para apoiar os pés nos assentos, achando que estão nos trens de viagem europeus.Além disso: comércio ambulante, pedintes e vandalismo são o complemento para destruir a viagem de qualquer um.

A 'arte' que um usuário fez, sem ser incomodado em qualquer momento
O vandalismo merece até um parágrafo, porque é inacreditável como as pessoas são passivas. Já foi citado aqui uma vez sobre um usuário que riscou metade de uma janela de um trem série 2100, entre Brás e Santo André. Os usuários apenas olhavam, com ares de reprovação, sem tomar qualquer atitude. Acontece que todos se esquecem: o preço de tudo na CPTM é pago com o valor que você, usuário, paga para viajar. Ou seja, uma janelinha daquela, custa alguns milhares de reais. E a CPTM, por sua vez, não pode comprar só uma para repor, mas um lote, pois as empresas fornecedoras não se dão ao luxo de fazer apenas uma para reposição.

Ainda falta muito para termos um transporte considerado de 'primeiro mundo', pois os problemas começam nos usuários. A falta de respeito uns com os outros, a cultura dos tempos de RFFSA/CBTU, onde o transporte era precário e a atitude era essa, pois não havia regularidade, o pensamento pequeno... Em vista de duas décadas atrás, estamos em um transporte de luxo. Nossos trens possuem ar-condicionado, são confortáveis, não andam de portas abertas, ninguém mais surfa no teto... Mas ainda assim, os usuários encontram uma forma de destruir a imagem do transporte. Na hora de reclamar da empresa, todo mundo é bom. Mas na hora de defender o que também é seu, você, usuário, não faz a sua parte.

7 comentários:

  1. Caro Diego, nao mudou nada a qualidade do transporte, basta olhar as fotos que voce tirou. Educaçao e respeito sao os maiores legados da vinda de uma pessoa, mas com esta imagem das fotos tiradas pelo caro blogueiro, fica difil conter certos comportamentos. Eu mesmo se tivesse que utilizar este trem desta fosto, ja teria desistido dos trens, procuraria outro meio de transporte, pois nao suporto nem ver estas imagens. E uma pena que sp ficou mais de trinta anos sem investimentos, e mesmo agora que estao investindo um pouco no transporte sobre trilhos, nao esta dando certo, pois a lentidao do governo e a falta de visao, nada mudou.Ex maior desta falta de visao, e o fato a lonha 8, da qual sou usuario, esta cada vez pior, e a ideia de 8 carros nao vem dando certo, pois aofeta de carros sera cerca de 20% maior do que a atual, que é muito pouco dado os 30 anos de engessamento. Sem falar que a oferta de lugares para sentar diminui muito, e o conforto deste assentos e lamentavel. em Toquio por exemplo, ha trens de 18 carros, que a meu ver e otimo, pois la fiquei 1 ano, e fiquei maravilhado com o transporte sobre trilhos. Para o japones o transporte, é um orgulho nacional, sem falar que o japones é um povo extremamente educado, è so não fiquei em definitivo por lá por conta dos terremotos constantes que ha por la.

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  2. (errata) legados da vida de uma pessoa, e não legados vinda de uma pessoa) Sou péssimo digitador. me perdoe Caro Diego.

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  3. Existe algum trem da CPTM com vidro blindado? Já vi em algum lugar, se não me engano... já pensou ter de trocar esses vidros...

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    1. Bruno, nenhum trem da CPTM possui vidros blindados. A começar, nenhum trem tem vidros, pois as pedradas poderiam estilhaçar tudo e ferir usuários. O que existem são placas flexíveis de policarboneto, resistentes a pedradas de todos os tipos, pois não estilhaçam.
      Um trem que tinha vidros temperados era o CAF 2100, no estilo vidro-borracha-vidro. Mas as pedradas trincavam todo o vidro de fora.

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  4. O vandalismo é uma das práticas que mais condeno. É um absurdo! Nem mesmo os novos trens série 7000 escapam das pedradas no pára-brisas e as câmeras de vigilância interna não bastam para intimidar o vândalo de rabiscar uma janela.
    E depois de tanto sofrer nas mãos desses meliantes sem cérebro os trens acabam passando por semanas e até meses parados nas oficinas para serem reparados.
    A população como sempre acaba sendo prejudicada tendo de esperar cada vez mais pelos trens que vem superlotados, sem falar no estouro da boiada que já é ruim em dia normal e piora muito mais quando os trens demoram.

    Se as pessoas cuidassem mais dos transportes teríamos um transporte melhor e as centenas de milhões de reais que seriam gastos há anos para consertar o que o vândalo quebrou poderiam servir até para comprar novos trens.

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  5. No horário de pico o estouro da boiada da linha 11 é bastante tumultuado mesmo, principalmente após a Linha 10 turquesa ter destino final na estação Brás. Pelo menos na plataforma da Linha 11 tem a sinalização da porta de embarque, o que ameniza um pouquinho a confusão.

    Em Março de 2010 eu vi o tumulto no embarque da linha 12-Safira no Brás (hoje não sei se ainda é assim). Além de ser desorganizado quando o trem chega os passageiros sequer esperam o trem parar que a multidão se agarra às portas e a massa de gente sedenta pelos assentos acompanha a porta do trem em movimento pegando carona na rampa de ferro ou correndo pela beira da plataforma e se esbarrando nas outras pessoas. E quando as portas abrem... vish... a 'boiada' parte em disparada literalmente na velocidade da luz para pegar um assento, mesmo quando vem gente sentada da estação Tatuapé. Quem quer descer deve esperar os loucos entrar para não serem pisoteados. E mesmo assim tem de vencer a correnteza humana para desembarcar.

    Na plataforma teve muito grito, confusão e houve tantos xingamentos que daria para escrever um dicionário de palavrões.

    Só de me lembrar daquelas cenas me dá um grande desgosto. Não acredito que o ser humano seria capaz de arriscar a própria pele por um assento, como se isso fosse mais importante que tudo na vida.

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