domingo, 15 de abril de 2012

Série 4800



Por Diego Silva
Fotos: Acervo Pessoal

Bom dia, caros leitores! Mais um dia, mais uma história... Gostaria de agradecer à todos vocês que passam aqui aos domingos, para acompahar as histórias das frotas metropolitanas. Essa série tem sido um verdadeiro sucesso, alcançando altos índices de visitas. Hoje, falaremos de uma frota que já não circula mais nos trilhos paulistas: a frota Toshiba série 4800. Esses trenzinhos japoneses rodaram por mais de 50 anos, prestando serviços essenciais na zona oeste de São Paulo. Seus últimos anos foram de total decadência, com acidentes, incidentes e mistérios que até hoje poucos sabem desvendar. Em 2010, justamente no dia do ferroviário, essa frota deixou de circular, deixando saudades aos ferroviários e aos usuários, que guardam memórias, histórias e momentos à bordo dos simpáticos trens japoneses.

Toshiba em operação, pela Estrada de Ferro Sorocabana

Em meados dos anos 1950, a então administradora das atuais linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, a Estrada de Ferro Sorocabana, oferecia um serviço de transporte de passageiros com locomotivas à vapor e carros de madeira. A necessidade de melhorar o transporte, agilizando e modernizando o serviço, tornou necessária a compra de trens elétricos, um novo marco da época. Então, a EFS entrou em contato com a Tokyo Shibaura Co. (Toshiba), no Japão. O resultado do contato: uma encomenda de trens elétricos de bitola métrica, em aço carbono, para circularem no trecho principal (que partia de Júlio Prestes, seguindo até Sorocaba). Os primeiros novos trens chegaram no navio Kantu Maru, no porto de Santos, em 1957, como mostra o histórico vídeo agregado abaixo. É possível também observar o lendário trem 'Ouro Branco', composição de luxo da Estrada de Ferro Sorocabana:


Com a chegada dos trens japoneses, a EFS ganhou novo fôlego no transporte de passageiros. O serviço, na época, contava com um número bom de usuários, que se deslocavam principalmente da região de Osasco para São Paulo. As novas composições contavam com apenas seis portas em cada carro, de folha única; assentos estofados e um bom nível de conforto. Eram destacadas pela cor verde predominante, com duas faixas horizontais na cor branca, identidade determinante da EFS.

Toshiba em Júlio Prestes
Toshiba, com destino à Carapicuíba
Toshiba entre Barra Funda e Lapa
O tempo foi passando e curiosamente, os trens japoneses foram ficando para trás. A demanda, como sempre, não parava de crescer, deixando o serviço completamente obsoleto. Os simpáticos trenzinhos já não davam conta dos passageiros, cada vez mais sedentos por transporte rápido, seguro e de qualidade. Nesse tempo, já estávamos na lendária Fepasa. Em 1971, a memorável empresa assumia o controle da EFS, dando um maior ênfase no serviço. Sete anos depois, já recebia um enorme lote de trens, com o intuito de substituir os trens japoneses. Com a chegada dos trens franceses da série 5000 (que por ventura, são tema no próximo domingo), os trens japoneses passaram a atuar mais nas extensões operacionais.


Toshiba 5800, em uma de suas fases
Em 1971, a Estrada de Ferro Sorocabana, então controlada diretamente pelo governo de São Paulo, era absorvida pela FEPASA, que daria novo fôlego para a companhia. Logo na aquisição, começam os projetos para melhorias nos trens de subúrbio, e nesses projetos, a encomenda de novos trens para atender o trecho então operado pelos toshibas. Em 1978, chegam os novos trens franceses, com 12 carros, bitola de 1,60m e maior capacidade. Com isso, os toshibas são deslocados para realizarem viagens do interior para cidades próximas à São Paulo. Durante esse tempo, o trem ficou conhecido como Toshiba Rio Claro, por seguir viagens até a cidade citada. Em 1995, a FEPASA é absorvida pela CPTM, e os trens japoneses ganham um destino mais singelo: extensão operacional. Com isso, os serviços de transporte para Sorocaba são extinguidos, e a CPTM passa a controlar todo o tráfego correspondente.

Toshiba reformado nas oficinas de Sorocaba
Operando na extensão da então Linha C, os trens série 4800 prestavam serviços um tanto pacatos, em estações bastante humildes. Posteriormente, os mesmos foram deslocados para a extensão da então Linha B, onde encerraram suas atividades. Nesse meio tempo, das últimas seis unidades restantes, apenas três ficaram em São Paulo. Outras três foram enviadas para Salvador (BA), para serviços de transporte da CTS. Nos últimos anos de serviço, esse trem sofreu inúmeros problemas, todos sem gravidades extremas. Dois casos mais famosos foi um incêndio no painel elétrico de uma das unidades, durante uma viagem para Itapevi, e outro foi a perca total dos freios de serviço, durante a ida para Amador Bueno, deixando a composição desgovernada entre Itapevi e Santa Rita. Depois desses eventos, a CPTM retirou os trens de circulação, mas por intermédio da população local e do prefeito de Itapevi, os mesmos voltaram, após rápida revisão. Em 2009, uma das unidades chegou até mesmo a receber a nova identificação visual da CPTM, na cor vermelha (unidade 4807), mas assim como os outros dois, não teve um final feliz, e acabou sendo retirado de circulação também.

Toshiba na antiga estação Interlagos
Toshiba no padrão metropolitano adotado pela CPTM em 1998
Uma das unidades grafitadas, no projeto 'Expresso Arte'
Hoje, os três últimos trens dessa série encontram-se estacionados no pátio de Presidente Altino, em Osasco, fora de circulação. Desde o fim de sua operação, o serviço de passageiros tem sido atendido por ônibus, e a CPTM está modernizando o trecho atendido por eles, trocando a bitola métrica por larga e reconstruindo as estações. Mas quem viajou nesses trens, lembra-se de momentos engraçados, principalmente na arrancada, onde parecia que a composição inteira iria desmontar. Um trem simples, sem muitos atrativos, mas que deixou saudades para nós que gostamos de ferrovia.

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4 comentários:

  1. Bom dia amigo Diego Silva.Nossos jotinhas nos fazem remeter a um passado distante.
    Conheço um maquinista que, antes de partir de Amador Bueno para Itapevi foi vítima de um vândalo, que fechou as torneiras, fazendo o trem seguir desgovernado até Jandira. Outras curiosidades (não mencionadas diretamente) foi que esses trens circularam um tempo entre Jurubatuba e Varginha. Eles também ficaram um tempo (já sob o comando da CPTM) na Baixada Santista, recebendo o nome de TIM (Trem Intra Metropolitano), entre São Vicente e Santos, puxado por locomotiva. Alguns amigos maquinistas daqui de Altino e que ainda moram na baixada operaram tais trens, serviço este que durou pouco tempo.
    Já aqui na atual linha 8, meu pai (in memorian) contava que seguia pingente nesse trem, de Carapicuíba a São Paulo, pois as condições nele de superlotação eram terríveis.
    Trem problemático, porém com grandes histórias. Abraços, bom domingo a todos.

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  2. bom dia diego, quanto ao nome rio claro dado aos trens japoneses voce está equivocado, eles receberam esse nome devido sua reforma ter sido feita nas oficinas de rio claro da antiga fepasa e não porque eles iam até lá.

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  3. Acho que de todos os trens da CPTM, o 4800 foi o que mais sofreu nas mãos dos vândalos. Essas fotos dos tempos de FEPASA me trazem boas recordações, apesar de eu achar esse trem muito desconfortável, mas deixará saudade. Parabéns pela matéria!

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  4. Uma correção: Em meados dos anos 50, a EFS não se utilizava de locomotivas a vapor, mas sim Elétricas e a Diesel, para puxar os ''caveirões''. Quem operava ainda com locomotivas a vapor puxando carros de madeira era a EFCB, nas Linhas Tronco e Variante.

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