sábado, 28 de abril de 2012

Série 5500 e Série 5550


Por Diego Silva

Olá, caros leitores! Hoje, fugindo à regra, postaremos uma história de frota, por conta de um problema de calendário. Falaremos do Eletrocarro e de sua versão reformada. Infelizmente, a frota de Eletrocarros está totalmente imobilizada, por conta de seguidos problemas desses trens. Sua versão reformada ainda presta serviços, dando suporte fundamental na Linha 12-Safira.

Propaganda da Sorefame sobre seus próprios trens
Em 1977, a Fepasa licitou a compra de 50 trens, para utilização no seu, então, Ramal de Jurubatuba (hoje, Linha 9-Esmeralda). Os trens foram encomendados à empresa portuguesa Sorefame, em consórcio com a Mafersa e a belga ACEC. Em 1978, a então frota 9500 entrava em circulação.,
Seu uso foi, digamos, um pouco restrito, pois tratava-se de um trem que consumia um alto índice de energia elétrica, com um potencial relativamente baixo. Como sempre, a necessidade de trens era uma constante em São Paulo. Com isso, a então RFFSA solicitou à Fepasa que cedesse alguns trens para compor a frota da zona leste, que vivia um tremendo caos com a falta de trens. Nisso, lá pelo comecinho da década de 1980, os Eletrocarros seriam transferidos para as linhas de subúrbio da zona leste paulista.

Máscara detalhada do Eletrocarro (parte de um documento sobre o trem)
Eletrocarro em Presidente Altino
Propaganda da RFFSA, anunciando a chegada de 'novos trens' na Zona Leste
Foi na Zona Leste que o Eletrocarro fez maior fama. As poucas unidades que sobraram nas linhas da Fepasa logo foram enviadas também para a RFFSA, compondo uma frota única. Problemáticos como sempre, os 'belgas' sempre avariavam pelo caminho. Não espanta um dado: grande parte dos carros reboque se perderam ao longo dos anos. Tratava-se de um presente de grego, adquirido pela Fepasa. Reza a lenda que dois trens dessa série não poderiam passar no mesmo sentido, seguidos, pois causaria o desarme da subestação, tamanho era o seu consumo. Durante os anos 80 e 90, a frota quase toda se perdeu, devido à inúmeras avarias e problemas quase impossíveis de se corrigir. Quando começamos a conhecer o sistema, já restavam poucos trens dessa série, além de alguns sobreviventes de sua modernização.

Eletrocarro, já como 'Série 160' da RFFSA.
Em 2007, a CPTM recuperou alguns carros que estavam no pátio de Engenheiro Manoel Feio, enviando-os para a modernização. A reforma ficou a cargo das empresas Bombardier e Tejofran. A recuperação consistiu em total reavaliação da caixa, aplicação de nova máscara, modernização do interior e substituição dos equipamentos de tração e frenagem. Nisso, em 2008, os 'novos' trens retornaram, com uma cara completamente diferente do que eram:

Versão reformada: melhor que a versão original

Em 2010, uma notícia no mínimo curiosa: o retorno dos Eletrocarros à linha 8-Diamante. Por conta das diversas avarias nos trens da série 5000, a CPTM achou por bem enviar um reforço de frota, para tentar suprir a ausência dos trens que avariavam ao longo do dia. Com isso, um retorno não muito bem sucedido aconteceu. O que seria uma solução se tornou mais um problema: os Eletrocarros não se adaptaram à Linha 8, causando muitos atrasos. Até mesmo o ATC não reconhecia o sistema da Linha 8.


Pouco tempo de operação, os Eletrocarros foram devolvidos para a Linha 12-Safira, onde rodaram por mais alguns meses, até todos eles serem retirados de circulação. Atualmente, tudo o que sobrou dessa frota encontra-se encostado próximo à estação Tatuapé. São cerca de 6 composições, entre revisados e originais. Infelizmente, não temos os dados técnicos desses trens para fornecer à vocês.

Trens estavam sendo remobilizados: CPTM desistiu




A CPTM, por sua vez, tinha um contrato de revisar todas as unidades Eletrocarro existentes, para colocar todos de volta à operação. Mas, assim como fez com os Budd 1400 e 1600, simplesmente resolveu abandonar tudo e investir em trens mais modernos e atuais. Um fim triste para um trem que sempre foi muito problemático, mas que também deixou a sua história registrada em São Paulo. Seus últimos exemplares ainda estão em circulação, modernizados. Espera-se que tenham uma vida um pouco mais longa...

10 comentários:

  1. nossa... uns dos meus trens favoritos (o reformado) tem todos esse problemas... puxa... é uma pena não reformarem esses trens, sinceramente prefiro este aos novos caf... (poderiam colocar um interior mais iluminado e de cor cinza claro, ou bege ao invés do verde claro), pena por eles desperdiçarem um bom trem que eles ainda estavam aprendedo a usar, realmente a linha 12 ainda continua sendo a pior em termos técnicos... conversando outro dia com um passageiro ele me informou deste problema com as subestações... deu nisso não ter investido na infraestrutura nos últimos anos, o povo acha que tinha que ter mais trens... do que adianta ter muito trem se não tem subestação que aguente? E outra é impressionante que já nos trens novos a janelas já estão riscadas... o sistema melhorou, a CPTM virou quase um Metrô de Suburbio, mas o povo não muda...

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  2. Na boa, como usuário, a frota 5500 não vai deixar saudades!!!

    Pelos problemas relatados na belíssima matéria do Diego, percebe-se que desde o início da operação essa frota era problemática, além do péssimo sistema de ventilação que o transformava num forno, assim como a frota 5000.

    Os reformados, ou série 5550 ficaram muito bons, mas também acho que a CPTM deva priorizar a compra de novos trens que, indiscutivelmente possuem mais conforto e tecnologia aos usuários e operadores, ou seja, a frota deve ser renovada sempre...

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  3. Tem um desses parados aqui em Altino também...

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  4. Perto da estação Lapa existem vários vagões do trem série 5500 abandonados. Alguns deles foram levados para os trilhos ao lado da estação e pareciam estar acoplados à cabine frontal. Achei até que iriam reconstruir uma composição, mas conforme os dias passaram, os vagões foram sendo demolidos.

    Além disso, vi uma composição dessa parada nos fundos da oficina da estação Luz também.

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    1. Esses trens estão marcados para desmanche...

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    2. Seria interessante a CPTM modernizar algumas das composições 5500 para a fase II e pintá-los para a cor vermelha.

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  5. É uma pena que eles realmente serão aposentados, acho que foi o único que acompanhou Francorail em 1977 na FEPASA. Ele tinha boa cordenação para portas, bem organizadas,felizmente fizeram uma segunda fase das unidades Eletrocarro.
    Vou me despedir das últimas unidades no pátio passando a contar com sua nova versão, um dia sonhei em viver em 1977 para poder ver o Eletrocarro ao lado de Francorail circulando juntos.
    Concordo com Bruno Vieira, eu também já imaginei o novo Eletrocarro série 5500 com a cor vermelha da CPTM.

    Paulinho Stippe

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  6. Eles não eram tão ruins, é certo que hoje o peso da idade reflete diretamente em seu desempenho frente aos demais mas a gestão CBTU sequer tocou neles, rodaram do jeito que vieram originais da FEPASA a vida toda. O grande pecado que a CPTM cometeu foi desmontar o trem que originalmente era formado por seis carros e acoplados rodavam com doze, igual aos Francorail. O Governo do Estado jogou dinheiro fora com a remobilização da série para agora sucateá-los, isso é um crime, se tinham a intenção de desativá-los jamais deveriam ter feito isso. Nunca esquecerei sua campainha e seu típico barulhinho eletrônico de aceleração no carro motor no momento de partida.

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  7. Trem ruim, o barulho de sinalização de fechamento das portas é muito alto, chega a assustar quem é distraído... Que saiam logo da linha 12-Safira

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  8. Lembrava quando era molequinho la pelos idos de 1987 e morava em Presidente Altino e nos fins de semana minha mãe ia fazer feira no Ceasa e a gente ia no "belga" pra la quando voltava pra altino sempre era o trem de ida, quando ele rodou na linha 8 em 2010 ou 2011 eu acho, peguei um atestado no medico e dei um cano só pra andar nele de novo, sai de Barueri fui ate Itapevi, voltei ate Julio Prestes e retornei pra Barueri de novo.....

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