quinta-feira, 3 de maio de 2012

CPTM 20 Anos: Formação da Malha - Estrada de Ferro Sorocabana

Logo da Estrada de Ferro Sorocabana
Por: Diego Silva
Imagens: Divulgação

Na segunda postagem da série 'CPTM 20 Anos', contaremos um pouco da história da Estrada de Ferro Sorocabana, que hoje é composta, em partes, pelas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM, e que após algum tempo, deu origem à lendária Fepasa, que também terá seu espaço por aqui.

Expresso Ouro Verde, trem de viagem da Sorocabana, na estação Júlio Prestes

A Companhia Estrada de Ferro Sorocabana foi fundada em 02 de fevereiro de 1870, por alguns empresários sorocabanos, liderados então pelo comerciante de algodão Luís Mateus Maylasky, que era de origem austro-húngara, com um capital inicial de 1200 contos de réis, posteriormente elevado para 4000 contos. Maylasky conseguiu junto à província de São Paulo, uma garantia de juros equivalente a 7% ao ano, sobre o que fosse investido na ferrovia. O primeiro trecho da Sorocabana foi inaugurado em 10 de julho de 1875, e era formado por uma única linha, em bitola métrica, entre São Paulo e a fábrica de ferro de Ipanema, passando por Sorocaba.
A princípio, a EFS foi concebida para o transporte das safras de algodão, e as receitas desse transporte logo se mostraram insuficientes, levando a companhia a enfrentar dificuldades financeiras mais graves. Em assembleia geral, realizada em 15 de Maio de 1880, Maylasky foi demitido do controle geral da EFS, sendo substituído por Francisco de Paula Mayrink, que acusou seu antecessor de gestão ilegal, malversação de fundos e inclusive, desfalques.

Mayrink, convencido que o êxito da ferrovia estava atrelado ao transporte do café, expande os trilhos na direção de Botucatu, para atingir regiões cafeeiras, alcançando a cidade de Assis, onde se localizavam as oficinas da ferrovia, fazendo desta, uma das principais cidades do interior paulista.

Oficinas da Estrada de Ferro Sorocabana

A Estrada de Ferro Sorocabana serviu diversas cidades do oeste paulista. Sua linha tronco expandiu-se, chegando até Presidente Prudente, em 1919, posteriormente em Presidente Epitácio (seu ponto final), em 1922. Antes disso, a EFS construiu diversos ramais. Em 1909, o ramal Itararé, ligava a cidade de mesmo nome até Iperó, conectando a rede ferroviária paulista às estradas de ferro do Paraná, pelo antigo caminho dos tropeiros, que viajavam até o sul do país.
A partir dos anos 1920, em seu trecho primário - inicialmente até Mairinque, depois somente até Amador Bueno - passaram a circular, principalmente, trens de subúrbrio. Trens de passageiros de longo percurso traferagaram pela linha-tronco até 16 de janeiro de 1999, quando foram suprimidos pela concessionária Ferroban (Ferrovia Bandeirante), sucessora da Fepasa. A linha está ativa até os dias de hoje, para trens de carga.

TUE Toshiba, adquirido pela EFS. Até 2010, circulou nos trilhos paulistas.
TUE Toshiba, em seu penúltimo dia de operação pela CPTM
A EFS passou por diversas mudanças de diretoria e controle acionário. Em 1892, fundiu-se com a Estrada de Ferro Ituana, dando origem à Companhia União Sorocabana e Ituana (CUSI). Apesar do contínuo aumento de volume no transporte de café, as finanças da ferrovia caíram de tal forma, que a empresa precisou ser liquidada, tendo sido leiloada e arrematada, em 1904, pelo governo federal, por 60 mil contos de réis. Em 18 de abril de 1905, o governo federal vendeu a ferrovia para o governo do estado de São Paulo, por 3,25 milhões de libras esterlinas (o equivalente a 65 mil contos de réis). O nome Ytuana desaparece dos registros oficiais, mas não da cabeça do povo da região e da própria Sorocabana, que por anos designará suas antigas linhas como Secção Ituana, agora com 'I'.

'Ouro Branco', trem especial da EFS. Estação Júlio Prestes, 1939.
De 1907 até 1919, a EFS foi arrendada para o polêmico capitalista americano Percival Farquhar, passando a operar com o nome The Sorocabana Railway Co., sendo esta lucrativa até 1912. Nesse ano, o sindicato Farquhar entra em sérias dificuldades financerias, e praticamente abandona a administração da ferrovia (a Brazil Railway Co., holding de Farquhar, entrou em concordata em outubro de 1914). Sua situação se acabaou de tal forma, que a ferrovia teve que ser encampada pelo estado de São Paulo - durante governo de Altino Arantes - para assegurar a continuidade do serviço público. Dessa forma, o governo assume novamente o controle, no dia 9 de setembro de 1919.

Estação Júlio Prestes: a maior herança da Estrada de Ferro Sorocabana

A Estrada de Ferro Sorocabana permaneceu assim até o ano de 1971, quando foi incorporada pelo controle da Fepasa. Á partir de 1995, as linhas de subúrbio passaram para o controle da CPTM, que as administra até os dias atuais.

Fepasa: a lenda das ferrovias paulistas

TUE francês série 9000 da Fepasa (atual série 5000)
Trem série 5000, atualmente, sob administração da CPTM
A Fepasa (Ferrovia Paulista S/A), era pertencente ao governo do estado de São Paulo, embora sua malha se estendesse até Minas Gerais, tendo também um ramal que chegava no Paraná. A Fepasa foi extinta ao ser incorporada à RFFSA (Rede Ferroviária Federal S/A). A ideia da Fepasa surgiu a partir dos primeiros ensaios em 1962, de uma proposta do governo estadual de unificação das ferrovias, proposta esta rejeitada num primeiro instante.

Trem de viagem da Fepasa, liderado pela lendária locomotiva GE V8
A consolidação da unificação das ferrovias ocorreu no governo de Laudo Natel, quando este, através do decreto nº 10410, de 28 de outubro de 1971, sancionou a criação da nova empresa, oficializando a Fepasa. Ao invés de ocorrer uma fusão entre todas as companhias, como preceituava a letra da lei, foi decidido em Assembléia Geral Extraordinária convocada para 10 de novembro de 1971, alterar previamente a denominação social da 'Companhia Paulista de Estradas de Ferro' para 'Fepasa - Ferrovia Paulista S.A.', seguido da incorporação à Fepasa do acervo total da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, da Estrada de Ferro Araraquara S.A., Estrada de Ferro Sorocabana S.A., e Estrada de Ferro São Paulo e Minas. As quatro companhias foram declaradas extintas, e incorporados os respectivos acervos líquidos para a Fepasa, e este, em seguida, pela RFFSA em 1998, após autorização dada pela Assembleia Geral Extraordinária, ocorrida em 29 de maio de 1998.

ALL administra os antigos trechos da Fepasa atualmente
Conforme legislação vigente na época, o processo de liquidação foi iniciado em 09 de dezembro de 1999. A malha então existente da antiga Fepasa (malha paulista), foi leiloada na forma de concessão pelo período de 20 anos renováveis. O vencedor do edital de licitação de uso por tempo definido de conessão foi a Ferroban, que por sua vez, teve seu controle indireto assumido pela América Latina Logística, em vista da operação de incorporação de ações da holding Brasil Ferrovias à ALL.A parte da malha ferroviária da Fepasa, utilizada para o transporte suburbano nas regiões Oeste e Sul da Grande São Paulo, permaneceu sob controle do Governo do Estado de São Paulo, através da CPTM.

Amanhã, no blog CPTM em Foco, a história da Estrada de Ferro Central do Brasil, que originou as linhas 11-Coral e 12-Safira da CPTM. Continuem acompanhando a série especial 'CPTM 20 anos', a cada dia uma nova matéria sobre as duas décadas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

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