segunda-feira, 7 de maio de 2012

CPTM 20 Anos: O desafio de melhorar o sistema

Trem série 7000 - Aquisição de 226 trens em 20 anos
Por Diego Silva
Imagens: Divulgação

A CPTM, quando de sua fundação, herdou problemas graves das companhias anteriores. Frota de trens precária, estações sem qualquer conforto ou acessibilidade, falta de segurança, desentendimento com o usuário, longos intervalos em horários de pico, falta de trens suficientes e desordem. Esse foi o cenário encontrado pela nova administração, no início efetivo das operações. As primeiras providências da nova gestão ferroviária paulistana: revisão geral nos trens série 1100, 1400 e 5500. Um fato curioso dessa época, foi a revisão geral de um Eletrocarro série 5500 ter durado apenas oito meses. A necessidade era tanta, que a GEVISA (responsável pela revisão), bateu o recorde de tempo da revisão, e devolveu o trem pronto para circular em apenas 32 semanas. Nessa postagem especial, mostraremos o desafio que a CPTM aceitou, ao tentar melhorar o sistema de transporte metropolitano ferroviário. Desafio esse que está sendo vencido com muito êxito.

Trem série 1600, partindo da estação Brás, repleto de pingentes
Trens
Ao assumir o sistema ferroviário, a CPTM herdou poucas frotas de trens, e os 'presentes' foram um tanto desagradáveis: trens sem qualquer condição operacional, com pingentes, surfistas, tráfico de drogas, assassinatos... Um pesadelo para uma empresa que acabara de ser criada, e já encontrava tal cenário para ser vencido. Mas a vontade de vencer foi maior, e a revolução começou rápido. Fundada em 1992, mas operacional desde 1994, a CPTM deu início à sua operação com o que encontrou, mas já fazendo planos de mudar. Em 1996, deu início aos primeiros contatos para realização de revisões gerais nas frotas de trens da zona leste (antigas linhas E e F, atuais 11-Coral e 12-Safira). A empresa responsável pela maioria das revisões foi a GEVISA, que deu nova vida para alguns trens da CPTM. 

Trem série 1100: modernizado entre 1996 e 1997, circula até hoje na Linha 7
Com isso, a operação começou a receber maior atenção. Do outro lado, na Linha A (Linha 7-Rubi, hoje), a então frota 101 (atual 1100), estava em sua modernização e revisão geral, onde ganhou nova identificação. Em 1997, foi entregue o último 1100 modernizado, onde, através de dois consórcios (CCC/Cobrasma e Mafersa), 23 unidades de 3 carros foram recuperadas e entregues à CPTM. Ainda em 1997, a CPTM ganhou da empresa espanhola Renfe, 48 trens de 3 carros (frota 2100).

Trens séries 2000 e 2100 - Nova realidade para a CPTM, com mais conforto
Essa frota foi o primeiro trem metropolitano com ar-condicionado do Brasil, o que trouxe um grande status à nova empresa. Entregues, em seguida a empresa comprou 15 trens de oito carros, da espanhola CAF (série 2000), para o novo serviço em que estava pretendendo operar: O Expresso Leste. No ano 2000, chega à São Paulo a frota alemã da série 3000, para operar a princípio no eixo Brás x Barra Funda, e posteriomente entregue para a Linha C (atual Linha 9).

Siemens 3000 - Frota alemã com padrão de Metrô
Após algum tempo sem comprar trens, a empresa deu atenção para a recuperação de frotas existentes: nascia o PQMR (Programa Quinquenal de Material Rodante), que abrangeu de início as frotas 1700 e 5000. O tempo foi passando, a demanda da CPTM cresceu, mas somente em 2007 que chegaram 'novos' trens: recuperados da sucata, carros da série 5500 foram totalmente modernizados, dando vida à frota 5550. No ano seguinte, entrega de 12 trens de quatro carros na Linha 9.

CAF 8000 - Primeiro trem open gangway da CPTM
Em 2010, entrega do primeiro novo trem, de 40 aquisições, da frota 7000. Em 2011, entrega do primeiro trem série 7500, entrega do último 7000 (o 40º novo trem), e chegada do primeiro trem da série 8000, o primeiro trem gangway da empresa.

Ou seja, em 20 anos, a CPTM disponibilizou para São Paulo:
- 24 trens de 6 carros (frota 2100)
- 15 trens de 8 carros (frota 2000)
- 10 trens de 4 carros (frota 3000)
- 06 trens de 8 carros (frota 5550)
- 12 trens de 4 carros (frota 2070)
- 40 trens de 8 carros (frota 7000)
- 08 trens de 8 carros (frota 7500)
- 36 trens de 8 carros (frota 8000)
- 09 trens de 8 carros (frota 9000)

Estação Comendador Ermelino - Linha 12-Safira
Estações
As estações da CPTM são bastante variadas. Construções do século XIX dividem espaço com obras modernas realizadas nos últimos anos. Nesses vinte anos de CPTM, a companhia e o governo do estado investiram positivamente na melhoria das estações. Em 1992, a rede CPTM contava com estações simples, sem qualquer item de acessibilidade. Escadas, falta de cobertura e falta de sinalização adequada era o que se mais observava. Nesse desafio de melhorar o sistema de transporte, a CPTM, efetivamente, deu inicio aos trabalhos em 2000, com a construção de oito estações na Linha C (atual Linha 9-Esmeralda). As estações deram nova cara para a linha, que ganhou trens novos na mesma época.

Estação Capuava - Linha 10-Turquesa
Pouco antes do blog, uma reportagem no Jornal da Tarde apontava para os contrastes na rede CPTM. Na época, mostraram as diferenças entre as estações Grajaú (Linha 9) e Engenheiro Goulart (Linha 12). Enquanto a primeira tem escadas rolantes, acessibilidade, cobertura total e conforto para o usuário... A segunda não contava sequer com cobertura, escadas sem qualquer segurança, plataformas em cimento batido, poucos assentos e nenhum conforto. Hoje, Engº Goulart possui apenas cobertura. A situação ainda é a mesma.

Nova estação Tamanduateí, ainda em obras (2010)
Nova estação, no dia de sua entrega

Mas a grande verdade é que a CPTM prioriza o que é necessário. As estações comportaram o usuário até determinada data sem problemas. A empresa não tem como mudar tudo ao mesmo tempo, reconstruindo todas as estações e enchendo São Paulo de trens novos. Tudo está sendo feito de acordo com as possibilidades e necessidades. Claro, agora com duas décadas de vida, a CPTM necessita mudar o panorama. A necessidade de conforto para os usuários existe e aumenta a cada dia, não sendo mais possível oferecer o serviço nos moldes atuais. As estações mais antigas precisam ser reformadas ou reconstruídas, afim de oferecer um serviço igual para todos.

Ex-presidente Sérgio Avelleda com os admiradores da CPTM: relação empresa e usuários

A relação com o usuário
Muitas pessoas falam diariamente que viajar nos trens da CPTM é um verdadeiro martírio. Ninguém olha para trás, no princípio dos anos 1990 e para hoje... Lá no comecinho da empresa, as pessoas saíam de casa sem saber se iriam voltar. Trens com portas abertas, surfistas e pingentes mostravam uma empresa destruída, uma vez que ninguém observou a mudança de gestão CBTU/CPTM. Desde que passei a frequentar mais assiduamente a CPTM, sempre tive boas relações com os funcionários e administradores da Companhia. Não é mérito de ser blogueiro, mas pelo fato da empresa me dar atenção. Não só a mim, mas qualquer usuário que procurar a CPTM, irá perceber a proximidade entre passageiro e empresa.

Falta apenas o usuário enxergar a empresa como um sistema, não como uma única linha ou único trem que utiliza. Quando há um problema na circulação, a caixa de entrada de reclamações da CPTM fica repleta, com verdadeiras ofensas e absurdos dirigidos aos responsáveis. Ninguém se atém que um trem é uma máquina, e como tal, está sujeita à falhas e avarias. Os funcionários da CPTM são treinados constantemente para oferecer o melhor atendimento possível ao usuário. Em certos casos, comentaram até mesmo sobre uma vantagem dos funcionários da CPTM sob os funcionários do Metrô, observando que os da CPTM são mais atenciosos e dão informações mais precisas, sendo mais simpáticos e receptivos.


O futuro
Nos próximos anos, esperamos que a CPTM evolua ainda mais, tanto no fator operação quanto no fator administração. Mais trens, reforma e adequação de todas as estações, melhor atendimento ao usuário, maior regularidade, mais conforto e qualidade do serviço. Para 2014 são esperadas muitas melhorias: construção da Linha 13-Jade, chegada de novos trens, entrega de obras de melhoria nas estações... Muito há para se fazer nos próximos anos e cabe ao Governo do Estado e à administração da CPTM levar esses projetos adiante. A mobilidade urbana da região metropolitana de São Paulo depende disso.

6 comentários:

  1. Parabéns pelo texto, a CPTM está evoluindo bastante e agora está recebendo mais a atenção do governo!

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  2. Nossa, o sr. moderador tem OAB? É praticamente um advogado da empresa. São 20 anos e a evolução foi menor do que a necessária. Sempre está um passo atrás da demanda. Nada foi de "favor", mérito ou que quer que seja da empresa. É aquém do mínimo necessário, simples assim, de oferecer dignidade ao usuário. Se evoluiu em algo, não fez mais do que a obrigação, e mesmo assim a obrigação vem sendo parcialmente cumprida, vide problemas da linha 9, onde não previram que tão certo quanto dois e dois são quatro, que trens com ar condicionado e modernos demandam de mais energia e não fizeram as subestações necessárias. Francamente.
    Compraram trens novos? Não foi mais que a obrigação, e mesmo assim vieram atrasados. Há uma previsão de nova compra, que já deveria ter sido concretizada pois quando os trens forem entregues, a situação estará pra-lá de insustentável.
    A velha desculpa de o serviço da CBTU era horrível, não cabe mais. São 20 anos desde então, não é 1, nem 2, são 20!
    Sei que é difícil um posicionamento isento, mas chegar a ser defensor, não dá...
    Tem anos luz a melhorar... e já se passaram 20 anos... melhorou? SIM, melhorou. Mas ainda oferece um péssimo serviço e tem que melhorar muito, mas muito mais. São os mesmos dirigentes que estão carecas de saber dos problemas...
    Mas é mais fácil oferecer viagens em cabines e passeios por oficinas do que resolver problemas...

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    1. Chris, não tenho OAB, tampouco sou advogado da CPTM. O que faço é explanar as mudanças que aconteceram nesses vinte anos. Os usuários tem todo o direito de reclamar, o espaço está aberto justamente para isso. Meu papel, com esse blog, é mostrar o que passa despercebido ao olhar do usuário. Sabemos que a Companhia poderia estar muito melhor, pois duas décadas é tempo suficiente para uma revolução. Também sabemos que o governo não investiu tudo o que deveria investir nesse mesmo período. Nessas matérias, procuro ser o mais imparcial possível, pois além de mostrar o lado da empresa, também preciso mostrar o lado de usuário.

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  3. Parabéns Diego!! Excelente matéria, não muito imparcial, mas realmente boa. A CPTM evoluiu muito, mas deve-se lembrar que evoluiu desigualmente entre as linhas, nota-se pela quantidade de trens comprados desde o 2100 até o 9000 são 160 trens, quantos desses estão circulando na Linha 7? 2 ou no máximo 3. Estações reformadas? o máximo que colocaram foram as novas placas de identificações das estações na cor rubi, aliás em pouquíssimas delas tem essas placas, a maioria ainda tem as placas na cor marrom, e alguns 1100 que chegam ao absurdo de mostrar o mapa da rede ainda com a identificação: Linha A - Marrom Jundiaí - Brás. Vergonhoso.

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  4. O serviço da CPTM melhorou mais de 100%. Alguns anos atrás achei que nunca veria a cor dos trens novos, tampouco poder aguardar um trem numa das novas estações.
    Graças aos esforços dos funcionários da CPTM e do governo, estamos vendo um serviço melhor a cada dia. Ainda tem muito o que melhorar sim, mas pelo menos vemos as coisas mudando.

    O governo errou em ter feito toda aquela propagandagem e não ter investido o necessário na infraestrutura para receber os novos trens e a grandiosa demanda.
    Hoje pelo menos eles estão correndo atrás dos prejuízos e se esforçando para cumprir as metas da melhor forma possível.

    Os usuários têm o direito de reclamar e tal, mas é importante ressaltar que cada um tem de fazer a sua parte para contribuir para um transporte melhor e cobrar das autoridades para que as melhoras necessárias sejam providenciadas. Só reclamar não resolve o problema.

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  5. Vários 1700 ainda andam com as indicações das antigas da linha A e D.
    A linha A - Marrom está correta, já a D - Bege mostra a estação Brás ainda com transferência com os trens da linha E - Laranja para Estudantes, a demolida estação Pirelli e a extensão de Rio Grande da Serra a Paranapiacaba, que foi desativado.

    Esses trens ainda andam com essas placas antigas porque alguns vândalos fizeram questão de arrancar as mais novas e atuais. Até nos trens novos já começaram a arrancar, a CPTM coitada, não dá conta de repor tantas.

    No expresso leste da linha 11-Coral já cheguei a andar num trem com a indicação antiga da linha E - Laranja (Brás-Estudantes), na placa antiga estava manchada da cola do adesivo da placa nova. Obviamente já tinham arrancado a indicação nova.
    Quem não conhece acaba correndo o risco de se atrasar ou até de se perder.

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