quarta-feira, 9 de maio de 2012

Passageiro enfrenta superlotação em 6 das 12 linhas de metrô e de trem de SP

Lotação é uma constante, tanto na CPTM quanto no Metrô
Fonte: Folha

Nenhum trem é projetado para circular vazio, repetem engenheiros. Mas os vagões não precisavam encher tanto, rebatem passageiros, diante da superlotação que hoje atinge 6 das 12 linhas de metrô e de trem de São Paulo.
A sãopaulo preparou o ranking do aperto nos vagões com base no índice de conforto divulgado neste mês pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), em seu balanço anual, e com informações pedidas pela reportagem ao Metrô. A conta é feita a partir dos padrões adotados pela entidade internacional Comunidade de Metrôs: é aceitável até seis pessoas por metro quadrado.
"O metrô e o trem são excelentes, o problema são as condições dentro dele", reclama a psicóloga Daniela Ribeiro Ito, 36, usuária das linhas 2-verde e 4-amarela do metrô. "Incomoda o empurra-empurra, as pessoas são mal-educadas, o trem está cheio e o povo insiste em entrar."
A linha 2-verde passou a figurar entre as superlotadas na mais recente lista. Desde 2011, há mais de seis passageiros, em média, espremidos em um metro quadrado nas horas de pico (início da manhã e fim da tarde).
Viajam na mesma situação de desconforto extremo usuários das linhas 1-azul e 3-vermelha do metrô e das linhas Expresso Leste, 7-rubi e 11-coral da CPTM. A maioria delas já aparecia entre as campeãs do aperto há cinco anos, porém com índices menores.
Em 2006, a média de pessoas por metro quadrado na linha 3-vermelha era de 7,3. Em 2010, chegou a oito. Esse índice leva em conta o total de pessoas que usam a linha de uma ponta a outra, mas não há dados sobre a superlotação numa estação como a Sé, por exemplo, quando o vagão é ainda mais cheio nos horários de pico.
O desconforto é uma das principais queixas dos passageiros do transporte público paulista. Segundo pesquisa da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) deste ano, o excesso de lotação foi o principal incômodo apontado por 57% das 2.387 pessoas entrevistadas sobre a qualidade tanto de trens como de ônibus.
Creso de Franco Peixoto, mestre em transportes e professor de engenharia civil do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana), diz que apenas Tóquio supera São Paulo no quesito superlotação. "O problema aqui é o excesso de demanda por conta da falta de linhas."
De 2006 para cá, São Paulo ganhou a linha 4-amarela e a extensão da 2-verde até Vila Prudente --um incremento de 27% no tamanho da rede, que hoje soma 74 quilômetros.
No entanto, são insuficientes para atender os novos usuários. Nos últimos cinco anos, o volume de passageiros transportados por ano no metrô cresceu 29%, de 774 milhões para 1 bilhão. Na CPTM, o salto foi de 63% (de 430 milhões para 700 milhões).


Mudanças previstas
Agora, o governo corre para minimizar a diferença. A Secretaria dos Transportes Metropolitanos, responsável pelas duas redes, afirma que a troca do sistema de sinalização e de controle dos trens das linhas 2-verde, 1-azul e 3-vermelha aumentará em 20% a quantidade de viagens, aliviando o aperto dentro dos vagões. A expectativa é que entrem em funcionamento até dezembro deste ano.
Na CPTM, há mudanças previstas na infraestrutura de todas as linhas para tentar reduzir, em dois anos, o tempo de espera na plataforma. Hoje, o pior intervalo no sistema, na linha 11-coral, chega a oito minutos.
Ao todo, diz a secretaria, serão investidos R$ 32 bilhões nas duas empresas até 2015. O plano inclui a entrega de novas linhas, como a 18-bronze, cuja construção contará com verba federal, conforme anúncio feito na semana passada.
"O que está sendo feito agora está começando a resgatar o que deveria ter sido feito há 40 anos", diz Ailton Brasiliense, presidente da ANTP. "Como há uma demanda reprimida, assim que o transporte melhorar vai ficar mais denso", explica. "Mas não dá para pensar que, na hora do pico, você vai dançar a valsa. Vai andar apertadinho ainda, talvez um pouco menos."

7 comentários:

  1. opa , sou acompanhante frequente do blog , embora não poste muito , só quero dar uma opinião , desculpa ser fora do tema da postagem.

    está fazendo falta o lugar onde se via os posts por data ... tipo maio 2012 ... ai vc via todas as postagens de maio , tem matérias antigas que sempre gosto de ler como por exemplo das séries de trens ai tem que ficar clicando postagem mais antiga até chegar lá e fica meio desconfortavel. só uma dica e nao sei se é só aqui que acontece isso .

    obrigado pela atenção e parabens pelo blog

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    1. Olá! O histórico de postagens foi recolocado, está no final da página, incorporado. Obrigado pelo comentário!

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  2. O problema é esperar mais de 10 minutos, para entrar no trem, ficar "dentro de lata de sardinha" e escutar: "paramos para aguadar a movimentação do trem a frente". no horário de pico a viagem demora muito mais! todo dia é sofrimento!

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  3. o sofrimento é diário e as desculpas são sempre as mesmas...trem com avaria...aguardando o trem a frente ...demora entre os horários do trem (cptm linha 8)... vagoes pequenos no horario de pico que não comportam a quantidade de população(cptm linha 8)

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  4. É. Na linha 7, atrasos assim acontecem todo dia até nos horários de pico. E pior, como não bastasse a espera de mais de 10 minutos, ainda chega um trem curto de seis carros. Aí os passageiros tem de se amontoar na plataforma, empurrar com força ao entrar e se abarrotar nos últimos vagões. E nas próximas estações, ainda mais aperto e confusão nas portas.

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    1. Os usuários precisam se acostumar com a ideia de esperar o próximo trem, em caso de não conseguir embarcar. A maioria das confusões são causadas pelos próprios usuários.

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  5. Vagões do Metrô, Monotrilho, Trens suburbanos têm cada vez menos assentos
    Esta cada vez mais difícil viajar sentado nos trens em São Paulo. E isso não é só por causa da crescente superlotação do sistema. Dados obtidos por meio da Lei de Acesso a Informação, mostram que os veículos das frotas modernizadas e as composições novas têm sido entregues com cerca de 100 assentos a menos do que os equipamentos antigos.
    Trata-se de uma tendência acelerada recentemente. Nos anos 1980 - segunda década de funcionamento das linhas da companhia, as composições da frota “C” da Linha 3-Vermelha possuiam 368 bancos. Algumas destas ainda rodam naquele ramal. No fim do decênio seguinte, os trens recém-adquiridos para a Linha 2-Verde passaram a apresentar 274 assentos, em um lote que recebeu o batismo de frota ”E”.
    Agora, a quantidade de vagas para os passageiros se acomodarem caiu ainda mais. Por exemplo, quem andar em um veículo da frota “K”, modernizada nos últimos três anos, terá de disputar um dos 264 lugares disponíveis. Chama a atenção o fato de que esses trens, antes de serem reformados e rebatizados, pertenciam à antiga frota “C” com 368. Ou seja, possuíam 104 assentos a mais, com os mesmos comprimentos e larguras dos vagões redefinidos, sendo que as vagas do Monotrilho Linha 15-Prata recém inaugurado, não passam de 120.
    Embora o Metrô, que é controlado pelo governo do Estado, não admita oficialmente, a redução dos bancos em seus trens tem o objetivo de permitir a acomodação de um número maior de pessoas em pé, desafogando mais rápido as plataformas superlotadas das estações durante os horários de pico.
    Conclusão
    “Para o Metrô e CPTM, modernizar é sinônimo de subtrair assentos”.
    Análise técnica
    As prioridades não têm levado em consideração o conforto dos usuários. "Como tudo é dimensionado só para atender à demanda no horário de pico, ninguém depois muda o arranjo e instala mais assentos nos trens”.
    Proponho um sistema de Trens de dois andares com altíssima capacidade de demanda em apoio à Linha 11-Coral da CPTM, para aliviá-la nos horários de ponta. "Esses trens “double decker” utilizariam a mesma linha e maioria dos passageiros viajariam sentados."
    É prioritário para implantação das composições de dois andares até a Barra Funda reformar e ampliar as Estações da Mooca e Água Branca, readequar a Júlio Prestes e construir a do Bom Retiro (que englobariam as seis linhas existentes além dos futuros trens regionais), tal atitude beneficiaria todas as linhas metro ferroviárias, e decentralizaria e descongestionaria a Luz.
    Seria uma decisão sensata, racional, e correta porque falar em conforto para uns e outros irem esmagados não tem o menor sentido. Além de se evitar um risco maior, seria uma forma de aliviar este "processo crônico de sardinha em lata”.
    Idosos
    A Linha 5-Lilás, na zona sul, foi inaugurada em 2002 com trens de 272 lugares. A futura frota que será comprada para circular no ramal, que está sendo expandido para receber mais passageiros, registrará, em cada composição, 236 bancos, a menor quantidade entre todos os veículos do Metrô, com exceção do Monotrilho que tem 120.
    Além do natural envelhecimento da população - segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pessoas com mais de 65 anos de idade no país saltarão de 14,9 milhões em 2013 para 58,4 milhões em 2060 -, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) aprovou uma lei, no fim de 2013, que diminui de 65 para 60 anos a idade mínima para homens andarem de graça no metrô e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), o que deve atrair ainda mais passageiros desse perfil.

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