terça-feira, 17 de julho de 2012

O legado do patrimônio histórico da CPTM - Parte 2

Estação Ribeirão Pires, nos padrões originais da SPR (foto de Angelo Stojanov)
Por Ayrton Camargo e Silva
Revista Engenharia - Especial CPTM

(cont.) Na reconstrução de suas estações, a SPR adotou diferentes tipologias arquitetônicas, em função da hierarquia operacional que elas possuiam no contexto operacional da ferrovia. As chamadas estações intermediárias, ou de terceira classe, eram estações muito semelhantes, com planta retangular desenvolvendo-se em um só pavimento, de alvenaria de tijolos aparentes coberta com telhas francesas, com plataforma coberta e parcialmente apoiada em estruturas pré-fabricadas de ferro fundido de fabricação da empresa Walter MacFarlene & Co., de Glasgow. Esse conjunto era integrado por pequenas edificações complementares, como os sanitários masculinos, a cabine de sinalização, e a passarela de transposição das linhas, adquirida da empersa Horsehay & Co. Makers, de Shopshire.

Dessa tipologia, integram ainda a rede da CPTM, as estações de Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires (inaugurada em 1885), Jaraguá (1891), Perus e Caieiras (1883) e Várzea Paulista (1891). Foram projetadas pelo engenheiro John Barker, tendo suas obras acompanhadas pelo engenheiro fiscal Adolpho Augusto Pinto. De chamada ''segunda classe'', a CPTM possui as estações do Brás (parcialmente demolida) e Jundiaí. Ambas foram projetadas por James Fforde, com consultoria dos escritórios de Fox & Mayo Engineers Ltd., construídas pela empresa Barão Ryemkwisc. Projetadas no chamado ''estilo vitoriano'', ambas as estações possuíam originalmente duas edificações, uma para cada lado das plataformas, sendo que em um adelas localizava-se a edificação principal (essa demolida em Brás), com espaços destinados aos passageiros e à atividades operacionais. Possuíam também cobertura em ferro fundido que avançava sobre as linhas, de forma a cobrir também a composição.

Estação Luz, a única de 'primeira classe' da SPR
A estação principal de todo o sistema era a estação Luz, a única enquadrada como de 'primeira classe'. Projetada pelo arquiteto inglês Charles H. Driver, foi construída entre 1895 e 1901, ao custo aproximado de 150 000 libras esterlinas. De proporções monumentais, impressiona até hoje pela sua volumetria bem como pelo seu aspecto construtivo. Nela, a gare coberta integra-se com perfeição ao corpo edificado, bem como à estrutura urbana, por meio de suas aberturas e transposições, que dão continuidade à circulação entre as vias adjacentes. Sua gare possui um vão de 39 metros, com 150 metros de comprimento, desenvolvida entre quatro torreões cobertos com folhas de zinco. Sua torre, com 60 metros de altura, foi durante décadas, um importante referencial da paisagem da cidade, e seu relógio com diâmetro de 3,30 metros, regulou o cotidiano da capital, estendendo a marcação do tempo por todas as estações atendidas pela operadora. 

Parque de manutenção do material rodante da SPR, na Lapa (no canto à direita)

Além das estações, merece destaque o conjunto de instalações destinadas à manutenção do material rodante da empresa, localizado no bairro da Lapa, edificado entre 1895 e 1907. Projetado por James Fforde, caracteriza-se por uma série de edificações de um pavimento, construídas em grupos de três galpões em alvenaria de tijolos e estruturas de ferro fundido, caixilharia de pinho-de-riga, cobertos com telhas francesas. Após a nacionalização da ferrovia, já na década de 1950 diversas estações foram reedificadas, e desse período destaca-se a estação Ipiranga, cujo projeto, de inspiração modernista, até hoje se destaca pela transparência e leveza de suas linhas, conservando ainda algumas catracas importadas, de inspiração art-decô.

Amanhã, a terceira e última matéria desta série especial.

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