quarta-feira, 18 de julho de 2012

O legado do patrimônio histórico da CPTM - Parte 3

Estação Calmon Viana
Por Ayrton Camargo e Silva
Revista Engenharia - Especial CPTM

Do acervo da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil, a CPTM possui as estações de Vila Matilde, fora de operação, cuja cobertura da plataforma, em madeira, remete às estações da década de 1920 dessa ferrovia. A estação Carlos de Campos, antiga Guaiaúna, onde na revolução de 1924, o governador Carlos de Campos se refugiou, comandando de um carro ferroviário a reação legalista contra os revolucionários que dominaram a cidade durante quase todo o mês de julho desse ano, e as estações de Aracaré e Calmon Viana, últimas ainda existentes de uma tipologia que caracterizou parte das estações da EFCB, adotada no início do século 20.

Das antigas estações da Estrada de Ferro Sorocabana, praticamente nada restou, uma vez que todas foram substituídas pelas atuais estações, edificadas durante os pesados investimentos de modernização realizados pela Fepasa na década de 1970. A exceção cabe à magnífica estação Júlio Prestes, projeto do arquiteto Christiano Stockler das Neves, construída entre 1925 e 1938. De concepção diferente da estação Luz, lembra as grandes gares europeias e norte-americanas. Possui escadas revestidas de mármore, e seus vitrais, da Casa Conrado, ilustram alegorias à indústria e à agricultura.

Interior da estação Júlio Prestes
Esse diversificado acervo de estações e instalações tem algumas de suas construções reconhecidas pelos órgãos de patrimônio histórico como bens representativos da cultura e da história do país, do Estado e do município onde se localizam, e por isso, foram objeto de tombamento. São elas: Luz (tombada pelo Iphan, Condephaat e Conpresp), Júlio Prestes e Brás (Condephaat), Jundiaí (Condephaat e prefeitura de Jundiaí), Perus e Jaraguá (Conpresp). Além destas, Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires e Várzea Paulista, tombadas pelo Condephaat, encerram a lista de estações.

Essas construções que são bens que testemunham importantes momentos da história e do desenvolvimento tecnológico do Brasil, bem como das comunidades a que servem, sendo que sua presença até hoje na rede de trem metropolitano é motivo de destaque, pelo diferencial de imagem que agregam ao sistema. Apesar da necessidade de adaptarem-se às modernas exigências operacionais, suas características arquitetônicas, bem como a história que as perpassam, contribuem para o fortalecimento institucional da empresa não só junto às comunidades onde se localizam, mas também junto à outros públicos do Brasil e do exterior, notadamente aqueles interessados em arquitetura e tecnologia, bem como no estudo da presença britânica no país.

Gare da estação Luz
O crescente interesse por esse patrimônio abre perspectivas para sua utilização para finalidades turísticas, a exemplo do que ocorre em diversos países do exterior, onde a forte carga histórica das instalações ferroviárias remanescentes dão origem ao uso turístico, voltado à história e à arquitetura ferroviária, contribuindo assim para o fortalecimento institucional da imagem da empresa junto a diversos outros públicos.
O interesse pela preservação do rico patrimônio histórico de nossa empresa não se restringe à preservação das edificações ferroviárias. Diversos outros bens como as composições ferroviárias, móveis, relógios, máquinas e ferramentais de oficinas, bem como a vasta documentação gerada no cotidiano da empresa também contam a história da evolução do transporte, da tecnologia, da economia, do urbanismo, da arquitetura em nosso Estado e por isso, constituem-se em documentos de grande valor histórico para a sociedade.

(Ayrton Camargo e Silva é arquiteto e mestre em Planejamento Urbano, gerente de Planejamento de Transportes da CPTM).

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Um comentário:

  1. Excelente matéria, com um outro ponto de vista das estações da CPTM! Quantas histórias se passaram nestas estações antigas!

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