sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sucateados, Eletrocarros ainda poderiam ser úteis

Eletrocarro estacionando em Brás
Por Diego Silva

A CPTM adotou recentemente um padrão no mínimo curioso de conforto: está eliminando trens antigos em plenas condições operacionais e ocupando as linhas com trens novos cheios de tecnologias e praticidades. Mas um grande fator está sendo esquecido: todos os trens que estão deixando a operação ainda estão em plenas condições de prestar serviços. Mas a empresa não enxerga com os mesmos olhos que o blogueiro.

Para quem tem olhos mais observadores, voltemos em 2005: no estacionamento em Engº Manoel Feio, diversos carros da série 5500 sucateados e depenados, sem qualquer perspectiva de recuperação, finalizados como sucata pela Companhia. Qual foi a atitude da empresa, diante de um constante aumento de demanda e baixas opções de oferta? Remobilização de ativo circulante. Em 2007, chegavam à operação os trens série 5500 fase II, completamente recuperados e prontos para circularem na então Linha F.

Eletrocarro modernizado: antes sucata, trem ganhou nova vida em 2007
E hoje em dia, esses mesmos trens são essenciais para manter a operação em pleno funcionamento, pois são estratégicos no posicionamento de usuários nos horários de pico. Não são trens que andam exigindo milagres da manutenção, ao mesmo tempo que são versáteis e funcionam muito bem na operação. A mesma postura da CPTM, de recuperar 32 carros completamente sucateados e entregá-los como trens novos, deveria se repetir em dias atuais. Recentemente, quase dez composições da série 5500 deixaram de prestar serviços, por conta de seguidos problemas de manutenção. São trens que estão com mais de 30 anos de idade, mas operacionais. O melhor caminho: modernização! O custo de modernizar uma composição sai 70% mais barato que comprar um trem novo. Se a política é comprar trem novo, que tal modernizar algumas composições que ainda são úteis e operar nos horários de vale com os trens modernizados, deixando o sistema fluir com trens novos nos horários de pico?

Não querendo deixar meu lado ferroviário falar mais alto que o lado de blogueiro (onde tenho que ser imparcial em todo assunto, pois cada leitor tem uma opinião e preciso respeitar cada uma delas), mas particularmente, eu prefiro manter o que já está em bom funcionamento e que já é de conhecimento dos técnicos do que investir em algo ainda desconhecido. Trem novo tem vantagem, é bonito para os usuários e para a imagem de políticos e governantes. Mas o usuário não liga, ele apenas quer chegar no horário certo em seus compromissos. Ou seja, não só os trens da série 5500, mas também os franceses da série 5000 (que estão encerrando as operações aos poucos na Linha 8-Diamante), mereciam um plano de modernização sério e eficaz, que os mantesse por mais tempo nos trilhos. A exemplo de comparação, o Metrô de São Paulo está dando sobrevida de 20 anos para 98 trens de sua frota, todos com idade acima de 30 anos. Prova de que a modernização é sim válida para trens antigos.

11 comentários:

  1. "Não querendo deixar meu lado ferroviário falar mais alto que o lado de blogueiro (onde tenho que ser imparcial em todo assunto, pois cada leitor tem uma opinião e preciso respeitar cada uma delas), mas particularmente, eu prefiro manter o que já está em bom funcionamento e que já é de conhecimento dos técnicos do que investir em algo ainda desconhecido."

    Concordo inteiramente

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    1. Márcio, como diz um grande amigo meu: 'se deixarmos o lado ferroviário falar mais alto, teríamos aqui carros de 1910, compostos de madeira, ainda em circulação'. O blog abrange quase 2 mil leitores por dia, cada um tem uma opinião e uma visão diferentes. Eu preciso entender cada uma delas =)

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  2. Muito dos seus textos são otimos, mas esse você não foi feliz.

    Você disse que modernizar custa 70% a menos do que um trem novo, na verdade a modernização pode até custar 70% de um trem novo.

    Outro ponto, os eletrocarros são trens extremamente problematicos e com um agravante pois as peças não se encontram mais no mercado.

    Porque modernizar um trem que ainda vai sofrer com falta de peças para por exemplo: o truque do carro que vai ser o mesmo e é um calcanhar de aquiles desse trem.

    Melhor comprar novo mesmo ainda mais pelo fato de os preços estarem cada mais competitivos devido a instalação de novas fabricas no pais.

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    1. Obrigado pela correção, Ricardo. De fato, lendo alguns artigos, vi que cometi um equívoco. Mas a ideia era que os Eletrocarros fossem retomados assim como foi feito com a fase II, com peças de fácil reposição. Em todo caso, a CPTM fez o que achou melhor.

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  3. Só gostaria de dizer que não dá pra comparar o estado de conservação e manutenção dos trens do metro com os 5000, são tratamentos diferentes e obviamente o valor não seria o mesmo, que venha trens novos.

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  4. É concordo eles mereciam ir pra modernização ao invés de ficarem parados tomando espaço e sendo corroido pelo tempo seriam sim de bom uso,trem parado funcional é desperdicio.

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  5. A modernização de trens antigos é uma ótima ideia desde que, claro, que as peças sejam de fácil reposição. A série 5550 é um bom exemplo de como essa ideia poderia dar certo com outras séries antigas. O problema é que os dirigentes não enxergam isso. Já era sabido que os 1100 poderiam sair de circulação agora pretendem se desfazer dos 1700 também aí já é um completo absurdo.

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  6. Só quem anda sempre de 4400 e conheceu o 5500 sabe a diferença no conforto da viagem, este não pula tanto. Pena que os empecilhos retiraram-no de operação.

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  7. O 5550 é um trem extremamente problemático, não dá para insistir neste erro. Remendar o que não é bom não resolve. Quem usa o sistema no dia a dia sabe a dificuldade de ter o azar de na "sua vez" aparecer um trem antigo, como um Budd, ou um 5550...
    Por favor, deixe esses trens "descansarem em paz"... Já deram o que tinham que dar... Guarde-se 1 unidade operacional de cada (3, 4 ou 6 carros dependendo do trem) para um museu e está ótimo... Ou melhor... mande eles todos para a Linha 9! 5000, 5500, 5550, presente melhor não há...

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  8. Inicialmente Diego, quero felicita-lo pelo 'blog'.
    Com relação ao referido não aproveitamento destes 12 conjuntos (36 carros), causa estranheza, pois estas unidades com revestimento externo em inox substituíram as antigas composições da Sorocabana na década de 80, portanto com aproximadamente 30 anos quando ainda eram em bitóla métrica em um programa de modernizaçao e foram montadas no Brasil por um consórcio de multinacionais, muitas ainda operando no Brasil.
    Entendo que deveriam fazer parte de um programa de planejamento de substituição e uniformização de bitolas para 1,6 m trens de passageiros, de alguns locais que ainda utilizam a métrica em muito pior estado como em Teresina-PI que já teve seis registros de descarrilhamentos.
    Um custo para reengenharia com utilização de retrofit, de 30% menor do que uma composição nova é aceitavel, pois são instalados o que há de mais modernos equipamentos de: acionamentos, truques e 'choppers'.

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  9. eu prefiro que os trens antigos continuem circulando e que coloquem eles para circular junto com os novos e aí então teria vários modelos diferentes e deixaria a linha mais colorida.afinal os trens velhos também tem o direito de circular e eles podem circular junto com os novos deixando um pouco de cada e dividindo as frotas e eu espero que o 4400 hollywood volte á circular,pois eu gosto muito dele e acho que deveriam colocar ele de volta pra circular na linha 11 e na linha 12 e aí ele se dividirá com os outros trens e vai ser bom ter ele de volta,pois tomara que ele volte.

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