quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Após um ano, ferroviários denunciam descaso da CPTM com morte de trabalhadores


Fonte: Correio do Brasil

Há exatamente um ano, três trabalhadores a serviço da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foram atropelados por uma composição na zona leste de São Paulo e acabaram morrendo. O acidente ocorreu por volta das 4h30 entre as estações Brás e Tatuapé, na Linha 11 – Coral. “Hoje, dia 27, no primeiro aniversário da morte desses ferroviários, ainda não são claras as circunstâncias que causaram o acidente”, denuncia o Sindicato dos Ferroviários de Trens de Passageiros da Sorocabana (Sinferp).

“Na ocasião, a CPTM apressou-se, antes mesmo de qualquer apuração preliminar, em atribuir às vítimas a responsabilidade pela própria morte, dizendo que não deveriam estar transitando pela via, depois de concluído o trabalho ao lado dela.” Em nota, o Sinferp afirma que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) extinguiu a delegacia especializada em acidentes trabalhistas nas ferrovias do estado, transferindo as investigações para a Delegacia do Metropolitano – o metrô. “Nada mais se soube depois disso.”

O Sinferp afirma que “fatores anteriores” criaram as condições para o acidente, entre eles, a falta de comunicação entre os acidentados, o maquinista que conduzia a locomotiva e o Centro de Controle Operacional – que deveria ter alertado o condutor sobre a presença de trabalhadores realizando serviços na via. De acordo com o sindicato, sinalizações mais adequadas e a presença de um técnico de segurança poderiam igualmente ter evitado a tragédia. “Não foi permitido ao Sinferp acesso ao inquérito interno”, continua a entidade. “A CPTM segue escondendo os fatos a fim de se livrar das responsabilidades e fazer com que essas e outras mortes caiam no esquecimento.”

No final de 2011 e começo de 2012, a CPTM passou por uma crise que quase culminou na demissão do secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. O número de mortes, panes e acidentes na rede aumentou em número e frequência, obrigando o governo do estado a realizar obras que – segundo o sindicato dos ferroviários – deveriam ter sido feitas há muito tempo.

Na época, Jurandir Fernandes justificou a ocorrência dos problemas devido a um “tsunami de passageiros” provocado pelo avanço da integração das linhas da CPTM com o metrô. Além das três mortes ocorridas no dia 27 de novembro do ano passado, mais dois trabalhadores perderam a vida pouco tempo depois, no dia 2 de dezembro. Procurada, a CPTM não respondeu às questões apresentadas pela RBA.

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