sexta-feira, 5 de abril de 2013

Bilhete Único mensal: mais caro e para menos pessoas


Por Diego Silva

Utilizado como uma grande plataforma eleitoral do já prefeito Fernando Haddad (PT), o Bilhete Único mensal, projeto que engloba uma recarga única de R$ 140,00 para livre utilização durante o mês nos ônibus da capital, terá suas inscrições iniciadas no próximo dia 15 de abril. Até hoje, não se sabe se dará certo tal projeto, pois o prefeito aparentemente se esqueceu que São Paulo não se move unicamente pelos ônibus. A integração com a CPTM e o Metrô não foi lembrada na hora da concepção de tal.

Como profissional de logística que sou, acredito que a visão de Fernando Haddad foi de aplicar uma concepção européia nos transportes de São Paulo. A intenção é boa, afinal, muita gente votou nele graças a essa promessa. Mas quem não utiliza os ônibus da SPTrans com frequência não ficou muito contente com tal projeto. A começar com o valor: R$ 140,00 lhe garante livre utilização nos ônibus. A vantagem de poder usar quantos carros quiser durante o mês é sim muito vantajoso. Em contrapartida, o custo médio ainda é mais caro do que quem usa dois ônibus por dia (uma pesquisa aponta que o paulistano utiliza duas linhas para deslocamento). Hoje, o sistema metroferroviário transporte 7,1 milhões de pessoas por dia, sendo que pelo menos um terço dessa gente toda utiliza ônibus em São Paulo para complementar seu deslocamento.


Andar de ônibus em São Paulo ainda não é uma grande solução, pois grande parte das linhas não atende a demanda necessária. A superlotação em trajetos da zona leste e sul, por exemplo, não justifica querer chamar ainda mais gente para o sistema. O que os homens de terno ainda não perceberam é que a grande salvação dos transportes paulistanos é o investimento maciço em novas linhas ferroviárias e corredores de ônibus, além  de uma forma de alienação de carros. Alienação no sentido de acabar com os incentivos para compra de automóveis e dar o devido brilho ao transporte público. Com menos carros na rua, ônibus circularão com maior velocidade, atendendo mais trechos em menor tempo.

A ampliação dos horizontes do Bilhete Único veio em um momento muito complicado. Enquanto o Metrô corre contra o tempo para ampliar seu sistema, expandindo duas linhas e construindo duas outras linhas de monotrilho, a CPTM está parada no tempo, sem investimentos claros. Eles existem, sim, mas estão sendo aplicados de maneira incorreta. Comprar trens para rodar num sistema antigo é chover no molhado. Como já havia dito tempos atrás: melhorar a via permanente e reforçar os sistemas de energia é prioridade máxima. Trens novos seriam consequência. O Bilhete Único Mensal, a princípio, é uma ideia furada. Pode ser que dê certo, se for ampliado até os limites ferroviários. Se ficar estagnado apenas nos ônibus, será mais um elefante branco. Opinião do blogueiro.

3 comentários:

  1. Concordo com sua opinião.
    Se não investirem em ferrovias, a cidade não anda.

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  2. Com certeza esta integração está em pauta na prefeitura. O problema são as relações entre governo municipal e estadual. Por mais que na mídia tentem passar a imagem de união e trabalho em conjunto, todas as ações mostradas por ambos até agora deixam evidente que seu único interesse é criar entraves. Em fim, a velha briga de partidos "diferentes".

    Só mais uma coisa: Esse bilhete único mensal será com biometria? Lí uma matéria que dizia isso, não me recordo aonde.

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