domingo, 1 de março de 2015

Locomotivas Lew

Locomotiva Lew DE I PA, nº 7767, no pátio de Presidente Altino e nas cores da CPTM
Por Diego Silva
Pesquisa: Wikipédia

Hoje falaremos um pouco sobre a história das locomotivas Lew, pessoal. São apenas cinco locomotivas operacionais, todas nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM. Conheceremos o verdadeiro significado de Lew, os três modelos brasileiros, as passagens e suas utilizações, além claro da atualidade. Embarque conosco nessa viagem em mais uma história dos trens.

A INDÚSTRIA
A VEB Lokomotivbau Elektrotechnische Werke (LEW) 'Hans Beimler' era a indústria fabricante das locomotivas, situada em Hennigsdorf, ao norte de Berlim, na Alemanha. A VEB LEW era parte de um conjunto de empresas que ainda continha a VEB Berliner Bremsenwerk (que era uma fábrica de freios, antes da guerra fazia parte da Knorr-Bremse, localizada também em Berlim), a VEB Schichtpresstoffwerk SPW em Bernau e o VEB Galvanotechnik GTL em Leipzig, todas na Alemanha.

Foi a única fabricante de locomotivas elétricas na Alemanha Oriental e ficou popularmente conhecida pela sigla LEW, vindo a fornecer locomotivas de diversos tipos para a China, URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, atual Rússia), Polônia e muitos outros países em desenvolvimento. Para o Brasil, vieram 83 locomotivas diesel-elétricas, para ferrovias paulistas (Companhia Paulista, EF Sorocabana e Mogiana), no final dos anos 1960. O material rodante em questão foi adquirido para compensação do saldo favorável que o Brasil possuía com a Alemanha Oriental, principalmente como pagamento de exportações brasileiras de café.

A VEB LEW, como citado acima, forneceu 83 locomotivas para as ferrovias paulistas. As três empresas da época (CP - Companhia Paulista, EFS - Estrada de Ferro Sorocabana e CMEF - Companhia Mogiana das Estradas de Ferro) receberam modelos muito similares de locomotivas, que foram identificadas da seguinte forma:

Lew DE I PA, com o nº 750 e pertencente à CPEF - Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Créditos ao autor
LEW DE I PA
A Companhia Paulista de Estradas de Ferro recebeu o lote das LEW DE I PA. Num total de 36 locomotivas de rodagem B-B, com potência de 1050 HP e bitola larga (1,60m). Foram numeradas de 7761 a 7796. Do total adquirido, apenas três locomotivas sobreviveram até os dias de hoje, sendo as de nº 7765, 7767 e 7770. Uma curiosidade: as locomotivas da Paulista diferiam das locomotivas da Sorocabana por não possuírem freio dinâmico, molas de barras abaixo dos eixos, os respiros no teto eram em forma de tigela invertida e nas laterais do chassi havia 3 rasgos na altura da cabine.

Lew DE II S, nº 3728, da EFS - Estrada de Ferro Sorocabana. Posteriormente, rodaram pela FEPASA
LEW DE II S
A Estrada de Ferro Sorocabana, ou apenas Sorocabana, recebeu o total de 30 locomotivas Lew para sua frota. Também com rodagem B-B, potência de 1050 HP e bitola métrica (1,00m). Foram numeradas de 3701 a 3730. Do total adquirido, apenas duas locomotivas estão operacionais, sendo as de nº 3703 e 3705, em uso pela CPTM (até 2011, pois deste ano para cá, a Companhia não utiliza mais trens de bitola métrica). 

Lew DE III M, nº 3757, em operação pela Ferroban (atual ALL), mas nas cores da FEPASA. Foto de Ricardo Frontera, 1999
LEW DE III M
A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro recebeu as 17 locomotivas restantes do lote fabricado pela Lew. Igualmente às outras companhias, eram locomotivas de rodagem B-B, mas de menor potência: 1400 HP. Foram numeradas de 3751 a 3767. Segundo informações, destas, apenas três ainda estão presentes: 3762, 3765 e 3767, sob responsabilidade da FCA (Ferrovia Centro Atlântica). Porém, em pesquisa realizada no blog Minas's Trains, em seu Inventário Geral dos Pátios Ferroviários Brasileiros, observamos imagens em que as três locomotivas estão encostadas e perdendo peças, ou seja, estão inoperantes.

UTILIZAÇÃO
Em um tempo em que ferrovia era sinônimo de transporte, as locomotivas Lew tiveram muito trabalho, sendo um tanto diversificado. Em sua grande parte, o trabalho principal das alemãs era tracionar trens de carga, afinal, grande parte das mercadorias do Brasil era movimentada pelas ferrovias quando da chegada desses trens. Posteriormente, houve o crescimento dos trens de passageiros e as alemãs também fizeram esse serviço, principalmente pela Fepasa (Ferrovia Paulista S/A, empresa que sucedeu a EFS - Estrada de Ferro Sorocabana), além de manobras em pátios e também reboques. Pela CPTM, o serviço não mudou muito: as locomotivas restantes trabalham diariamente no pátio de Presidente Altino, com manobras e reboques. Durante as madrugadas, atuam em trens de manutenção e dividem o serviço com uma GE U20C de numeração 3159 (ex - RFFSA), que contarei a história posteriormente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá! Obrigado por comentar no blog. Pedimos a gentileza de não usar palavras ofensivas contra a empresa nem contra seus funcionários, ou mesmo contra o blogueiro. O objetivo do blog é informar e compartilhar conhecimento.

Siga o blog por email

Seguidores