sexta-feira, 27 de março de 2015

Turismo em Foco: Santos/SP

Passeio de bonde: conhecendo Santos e desfrutando de como era o transporte antigamente
Por Diego Silva

Caros leitores, hoje inauguro mais uma série de publicações para vocês. Falaremos de turismo ferroviário, com alguns dos lugares que visitei e que achei interessante compartilhar com vocês. Vamos começar com um lugar bastante visitado pelos paulistanos, pela distância e pelas praias: Santos.

A CIDADE
Santos é uma cidade portuária em sua grande maioria. Localizada a pouco mais de uma hora de São Paulo, conta com uma grande praia e com pontos históricos que fazem parte não só da cidade em si, mas também do desenvolvimento paulista. Grande parte dos pontos turísticos locais podem ser visitados à pé (para tanto, recomenda-se roupas confortáveis e um bom tênis para caminhadas).

Estação do Valongo, em Santos: Km 0 da ferrovia que se estende até Jundiaí
ESTAÇÃO FERROVIÁRIA
A estação ferroviária de Santos, também conhecida como Valongo, foi inaugurada no ano de 1867, quando da inauguração de um grande trecho da então São Paulo Railway Co. (popularmente conhecida como Ingleza e até hoje lembrada como Estrada de Ferro Santos à Jundiaí). É um prédio muito bonito e importante na história ferroviária paulista, mas assim como toda a história de trem brasileira, hoje resta apenas o prédio. Informações constam que o último trem a embarcar e desembarcar passageiros em Santos foi no ano de 1996. Após essa data, a estação ficou fechada por longo tempo, até ser restaurada. Hoje, é patrimônio da cidade de Santos e em minha última visita (em 2014), havia um restaurante instalado no local.

Banco Mauá - Uma das heranças do visionário Barão
BANCO MAUÁ
Caminhando um pouco à frente da estação do Valongo, é possível reconhecer o Banco Mauá. De propriedade do Barão de Mauá (Irineu Evangelista de Souza, que também foi o idealizador da ferrovia que liga Santos à Jundiaí). O banco Mauá chegou a possuir unidades em Montevidéu (Uruguai), em cidades da Argentina, em Londres e nos Estados Unidos. Outro fato curioso: na época, era o único banco, fora a Casa da Moeda do Brasil, a imprimir notas. Atualmente é uma danceteria.

Bolsa Comercial de Café: cotações e muitos negócios eram baseados pelo que era decidido aqui dentro
BOLSA COMERCIAL DE CAFÉ
Quem estudou história vai se lembrar com certeza que muito do desenvolvimento de São Paulo se deu graças ao plantio e comércio do café. O fruto que deu impulso nunca igualado à economia do Estado era negociado como ouro nos séculos XVIII e XIX, ganhando até mesmo uma bolsa de cotação. E essa bolsa existe até hoje, logo ao lado do antigo Banco Mauá. Claro que não há mais cotações como antigamente, mas é possível visitar o local e conhecer parte da história que foi criada naquela época, além de poder degustar uma xícara da bebida favorita dos brasileiros. Atualmente, abriga o 'Museu dos Cafés Brasileiros'. 

Amanhecer na Praça Mauá
Praça Mauá, vista de outro ângulo
PRAÇA MAUÁ
Pode-se dizer que a Praça Mauá é o 'centro' do Centro Histórico de Santos. Um local bastante bonito para descansar e conversar admirando as árvores que cercam o local, além claro do movimento da cidade. Ao redor da praça existem alguns comércios, onde podemos adquirir comidas e bebidas. São padarias, lojas de conveniência e até algumas redes de maior conhecimento popular. Deste ponto também sai uma das atrações turísticas mais legais da cidade: o passeio de bonde. Em determinadas épocas do ano, principalmente aos sábados, algumas bandas se reúnem na Praça para festivais e shows ao vivo.

Bonde português em Santos: passeio de quase uma hora pela cidade e pontos históricos
Bonde alusivo ao Santos Futebol Clube, juntamente com um reboque
PASSEIO DE BONDE
Uma das partes mais bacanas de visitar Santos é andar de bonde. Além de remeter a um passado não muito distante do transporte de muitas cidades, é uma forma muito curiosa de se conhecer a cidade e seus pontos turísticos. Em cerca de uma hora de viagem, com guias turísticos contando histórias dos locais e até mesmo um antigo condutor do bonde relatando fatos daqueles idos tempos, embarca-se numa verdadeira volta no tempo. Com saídas frequentes à cada hora (de terça a sexta-feira) e a cada meia hora (nos sábados e domingos). O passeio custa R$ 6,00 e percorre cerca de 40 pontos turísticos na cidade, entre eles, um que atrai muitos olhares: o Monte Serrat.

Bondinho inclinado do Mont Serrat
Panorama da subida, de dentro do bondinho. Percebam a transposição dos trens.
MONTE SERRAT
O Monte Serrat fica a cerca de dez minutos do centro histórico de Santos. No local, existe um bondinho inclinado que sobe até o alto do monte, de onde é possível ter uma visão panorâmica de toda a cidade e região portuária. O acesso tem um preço meio salgado (em 2014, custava R$ 21,00), mas vale muito a pena poder ir até o alto e poder contemplar de uma bela vista. O sistema é funicular (os bondes são contrapesos sustentados por cabos de aço, onde um faz o peso do outro, realizando transposição no meio do trajeto.




Escuna Tamburutaca
PASSEIO DE ESCUNA
Um bom passeio em alto mar pode ser apreciado em Santos. Recomendo a Escuna Tamburutaca, que faz um passeio pela orla da praia e contorna o Porto em mais de uma hora. Com um autêntico Almirante, que vai nos contando tudo o que tem ao redor e algumas boas histórias do mar, regado de bom humor e descontração. Consulte preços.

Ponta da Praia - Santos
PONTA DA PRAIA
A Praia de Santos é uma das mais procuradas pelos paulistanos, pela proximidade e extensão. A Ponta da Praia é onde se reúnem mais pessoas e fica mais próximo do centro, onde há restaurantes e conveniência. Ali também é possível observar a movimentação de navios chegando e partindo, além de poder desfrutar de alguns comes e bebes na areia, para aqueles que estão apenas de passagem.

COMO CHEGAR
De carro (saindo de São Paulo):
Pegue a Rodovia Anchieta e siga até o final da mesma (Existe um pedágio no caminho, no valor de R$ 22,00 um pouco depois da saída para o Riacho Grande, em São Bernardo do Campo). Atenção ao trecho de serra (descida ingrime com radares de 50 km/h e excesso de caminhões). Há alternativa pela Rodovia dos Imigrantes.

De ônibus: Vá de Cometa (Consulte passagens em www.viacaocometa.com.br)
Os ônibus da Viação Cometa realizam linhas regulares saindo do Terminal Jabaquara, em São Paulo, com saídas a cada vinte ou trinta minutos em média. Está no ABC? Saídas de São Caetano, São Bernardo e Santo André, além de Ribeirão Pires. A passagem custa cerca de R$ 30,00 e a viagem dura pouco mais de uma hora. O serviço é de boa qualidade e os ônibus são novos.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Locomotivas U20C

GE U20C #3157, no pátio da Luz, em São Paulo: CPTM conta com duas locomotivas desse modelo
Por Diego Silva
Fonte: Wikipédia

As locomotivas General Electric de modelo U20C são famosas em grande parte do eixo sudeste brasileiro, principalmente dos anos 1980 para cá. Utilizadas em larga escala para diversos serviços (seja manobra, trem de passageiros, reboque de trens unidade, líder de trens cargueiros e etc), são máquinas dinâmicas e de fácil operação.

As primeiras unidades datam do ano de 1968. Essas locomotivas foram projetadas especialmente para trechos com restrição de gabarito e de peso, podendo operar em qualquer bitola dentro do especificado entre 0,914 m até 1,676m. Foram construídas quase mil unidades, estando presente em países como Brasil, Estados Unidos, Indonésia, África do Sul e Alemanha.

Podemos listar as seguintes locomotivas:

Ferrovia País Bitola Quantidade
C.F. de Luanda Angola 1,067m 40
Caminho de Ferro de Benguela Angola 1,067m 34
Metropolitano Argentina 1,000m 2
Empresa Nacional de Ferrocarriles Bolivia 1,000m 8
Rede Ferroviária Federal S.A. Brasil 1,000m 188
Rede Ferroviária Federal S.A. Brasil 1,600m 30
Ferrovia Paulista SA Brasil 1,000m 109
Ferrovia Paulista SA Brasil 1,600m 26
Ferrocarriles Nacionales de Colombia Colômbia 0,914m 10
Indonesia State Rlys PJKA Indonésia 1,067m 30
Aqaba Railway Corporation Jordânia 1,050m 18
C.F. de Moçambique Moçambique 1,067m 114
Pakistan Railways Paquistão 1,676m 42
South African Railways* África do Sul 1,067m 190
Sudan Railway Corp Sudão 1,067m 10
Turkish State Railways - TCDD Turquia 1,435m 40
Zambia Railways Zâmbia 1,067m 83
National Railway of Zimbabwe Zimbábue 1,067m 10

Atualmente, é possível encontrar as U20 em diversas ferrovias brasileiras, dada a dissipação da Rede Ferroviária Federal e da Fepasa em diversas outras empresas, que venceram a concessão ferroviária em 1996. Como exemplos mais fáceis, podemos citar a MRS Logística e a ALL Logística, que circulam por São Paulo, como detentoras de locomotivas desse modelo. Nas linhas 7, 10, 11 e 12 (que compartilham trilhos entre trens de carga e de passageiros), é possível ver diariamente as locomotivas U20 rebocando outras locomotivas maiores e mais alguns vagões de carga. Algumas pessoas se perguntam o motivo de uma locomotiva menor tracionar um conjunto maior: isso ocorre pelo simples fato das U20 possuírem o mesmo sistema de tráfego que os trens da CPTM, chamado de ATC (Automatic Train Control).

GE U20C 3147-2 e GE C30-7M 3725-0 com plataformas vazias passando por Ribeirão Pires, na Linha 10 da CPTM
Até meados de 2012, algumas locomotivas da ALL Logística ainda trafegavam pela Linha 8 da CPTM, em horários pré-determinados. Com o fim do tráfego de carga naquele trecho (dada a modificação de bitola entre Amador Bueno e Itapevi de métrica para larga), não foi mais possível ver nenhuma U20 métrica passeando pelos trilhos metropolitanos da Zona Oeste.

GE U20C #3822 da ALL Logística, ainda nas cores da antecessora Fepasa, passando por Itapevi em 2010
GE U20C #7814 na saída do Porto de Santos/SP, nos fins de 2011.
CPTM
Atualmente, a CPTM conta com apenas duas locomotivas desse modelo, de numeração 3157 e 3159. A primeira atende principalmente os trechos das linhas 7 e 10 (reboque de trens unidade, tração de vagões com dormentes e manobras, além do Expresso Turístico como locomotiva reserva). A segunda atende reboque de trens unidade e manobras nas linhas 8 e 9. As linhas da Zona Leste são atendidas por outro modelo de locomotiva (Alco RS3).

domingo, 1 de março de 2015

Locomotivas Lew

Locomotiva Lew DE I PA, nº 7767, no pátio de Presidente Altino e nas cores da CPTM
Por Diego Silva
Pesquisa: Wikipédia

Hoje falaremos um pouco sobre a história das locomotivas Lew, pessoal. São apenas cinco locomotivas operacionais, todas nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM. Conheceremos o verdadeiro significado de Lew, os três modelos brasileiros, as passagens e suas utilizações, além claro da atualidade. Embarque conosco nessa viagem em mais uma história dos trens.

A INDÚSTRIA
A VEB Lokomotivbau Elektrotechnische Werke (LEW) 'Hans Beimler' era a indústria fabricante das locomotivas, situada em Hennigsdorf, ao norte de Berlim, na Alemanha. A VEB LEW era parte de um conjunto de empresas que ainda continha a VEB Berliner Bremsenwerk (que era uma fábrica de freios, antes da guerra fazia parte da Knorr-Bremse, localizada também em Berlim), a VEB Schichtpresstoffwerk SPW em Bernau e o VEB Galvanotechnik GTL em Leipzig, todas na Alemanha.

Foi a única fabricante de locomotivas elétricas na Alemanha Oriental e ficou popularmente conhecida pela sigla LEW, vindo a fornecer locomotivas de diversos tipos para a China, URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, atual Rússia), Polônia e muitos outros países em desenvolvimento. Para o Brasil, vieram 83 locomotivas diesel-elétricas, para ferrovias paulistas (Companhia Paulista, EF Sorocabana e Mogiana), no final dos anos 1960. O material rodante em questão foi adquirido para compensação do saldo favorável que o Brasil possuía com a Alemanha Oriental, principalmente como pagamento de exportações brasileiras de café.

A VEB LEW, como citado acima, forneceu 83 locomotivas para as ferrovias paulistas. As três empresas da época (CP - Companhia Paulista, EFS - Estrada de Ferro Sorocabana e CMEF - Companhia Mogiana das Estradas de Ferro) receberam modelos muito similares de locomotivas, que foram identificadas da seguinte forma:

Lew DE I PA, com o nº 750 e pertencente à CPEF - Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Créditos ao autor
LEW DE I PA
A Companhia Paulista de Estradas de Ferro recebeu o lote das LEW DE I PA. Num total de 36 locomotivas de rodagem B-B, com potência de 1050 HP e bitola larga (1,60m). Foram numeradas de 7761 a 7796. Do total adquirido, apenas três locomotivas sobreviveram até os dias de hoje, sendo as de nº 7765, 7767 e 7770. Uma curiosidade: as locomotivas da Paulista diferiam das locomotivas da Sorocabana por não possuírem freio dinâmico, molas de barras abaixo dos eixos, os respiros no teto eram em forma de tigela invertida e nas laterais do chassi havia 3 rasgos na altura da cabine.

Lew DE II S, nº 3728, da EFS - Estrada de Ferro Sorocabana. Posteriormente, rodaram pela FEPASA
LEW DE II S
A Estrada de Ferro Sorocabana, ou apenas Sorocabana, recebeu o total de 30 locomotivas Lew para sua frota. Também com rodagem B-B, potência de 1050 HP e bitola métrica (1,00m). Foram numeradas de 3701 a 3730. Do total adquirido, apenas duas locomotivas estão operacionais, sendo as de nº 3703 e 3705, em uso pela CPTM (até 2011, pois deste ano para cá, a Companhia não utiliza mais trens de bitola métrica). 

Lew DE III M, nº 3757, em operação pela Ferroban (atual ALL), mas nas cores da FEPASA. Foto de Ricardo Frontera, 1999
LEW DE III M
A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro recebeu as 17 locomotivas restantes do lote fabricado pela Lew. Igualmente às outras companhias, eram locomotivas de rodagem B-B, mas de menor potência: 1400 HP. Foram numeradas de 3751 a 3767. Segundo informações, destas, apenas três ainda estão presentes: 3762, 3765 e 3767, sob responsabilidade da FCA (Ferrovia Centro Atlântica). Porém, em pesquisa realizada no blog Minas's Trains, em seu Inventário Geral dos Pátios Ferroviários Brasileiros, observamos imagens em que as três locomotivas estão encostadas e perdendo peças, ou seja, estão inoperantes.

UTILIZAÇÃO
Em um tempo em que ferrovia era sinônimo de transporte, as locomotivas Lew tiveram muito trabalho, sendo um tanto diversificado. Em sua grande parte, o trabalho principal das alemãs era tracionar trens de carga, afinal, grande parte das mercadorias do Brasil era movimentada pelas ferrovias quando da chegada desses trens. Posteriormente, houve o crescimento dos trens de passageiros e as alemãs também fizeram esse serviço, principalmente pela Fepasa (Ferrovia Paulista S/A, empresa que sucedeu a EFS - Estrada de Ferro Sorocabana), além de manobras em pátios e também reboques. Pela CPTM, o serviço não mudou muito: as locomotivas restantes trabalham diariamente no pátio de Presidente Altino, com manobras e reboques. Durante as madrugadas, atuam em trens de manutenção e dividem o serviço com uma GE U20C de numeração 3159 (ex - RFFSA), que contarei a história posteriormente.

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