quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Estação Primavera-Interlagos

Trem alemão série 3000 na estação Primavera-Interlagos

Por Diego Silva
Pesquisa: Site Estações Ferroviárias

Pertencente ao Ramal de Jurubatuba (que na verdade era a válvula de escape da Estrada de Ferro Sorocabana para chegar à Santos, via Evangelista de Souza), Interlagos pode ter sua história contada em três partes: a estação original, a segunda parada de madeira e atualmente. Vamos relembrar e conhecer um pouco sobre ela.

ORIGEM DO NOME
Em 1920, o engenheiro britânico Louis Romero Sanson adquiriu terras entre as represas Billings e Guarapiranga. Seu plano era construir um resort para a elite paulistana da época. Para isso, contou com a ajuda do arquiteto francês Alfred Agache, que achou toda a região muito parecida com um lugar chamado Interlaken, na Suíça. Daí o nome Interlagos. Outro fato curioso é que, durante a construção do bairro balneário, Sanson teve que interromper as obras devido à quebra da bolsa de valores dos Estados Unidos. Uma década depois, ao retomar a construção do sonhado bairro, houve um gravíssimo acidente numa corrida de carros (que tinham grande sucesso na época, por ocorrerem na rua), tornando clara a necessidade de se ter um autódromo para prática de tal esporte. Em uma parceria com o Automóvel Clube do Brasil, Sanson priorizou a criação e construção de um circuito na Cidade Balneário, o que deu origem ao autódromo de Interlagos, em um traçado que fez inspirado nas pistas de Indianápolis, nos Estados Unidos, Brooklands, na Inglaterra, e Monthony, na França.

A ESTAÇÃO
Estação Interlagos da EFS (Coleção Moyses Lavander)
Segundo registros de época, a estação de Interlagos foi uma das primeiras 'estações definitivas' a serem construídas na nova linha, em meados de 1958. Era um pátio de manobras e cruzamento de trens. 

Na imagem, raríssima, podemos observar que a estação nada mais era que uma plataforma e um vagão de madeira improvisado, além de um banco para espera dos trens. Essa estação, original, durou até 1970 aproximadamente, tendo sido demolida.

A nova estação Interlagos foi construída em local diferente da estação original, sendo erguida um pouco mais ao norte.

Trem Toshiba em Interlagos (Foto de Rafael dos Santos Silva)
A segunda estação de Interlagos foi construída ainda nos anos 1990. Tratava-se de duas plataformas de madeira, em partes cobertas, que eram alcançadas por escadas também de madeira. o trecho era todo em via singela, salvo na região das estações, onde havia duplicação (o que permitia cruzamento de trens). 
Durou até 2001, quando já sob administração da CPTM, foi fechada e demolida 'por motivos de segurança'. Até então, era atendida pelos trens japoneses Toshiba, que rodaram ainda na extensão de Amador Bueno.

A estação de Interlagos-nova, vista do alto, em 23/08/1998. Foto Ralph M. Giesbrecht

ATUALMENTE
Inaugurada em 2008, a estação Primavera-Interlagos é uma das mais modernas da CPTM. Conta com todos os itens de acessibilidade e conforto. Quando de sua inauguração (junto com Autódromo e Grajaú), encerrou de vez a baldeação que havia em Jurubatuba (os trens de Osasco vinham até esta, onde se trocava para os já acanhados trens japoneses que seguiam até a estação Varginha).

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Estação Santa Rita

A estação (ou parada) Santa Rita, antes de sua demolição
Por Diego Silva
Pesquisa: Site Estações Ferroviárias

A ESTAÇÃO
Das quatro estações após Itapevi, Santa Rita era a mais dotada para receber usuários e agilizar a transferência entre passageiros do trem japonês e o trem francês. Localizada no município de Itapevi, está localizada não muito distante da estação Itapevi, onde atualmente se encerram as viagens originárias de Júlio Prestes. Originalmente, eram plataformas laterais, provavelmente construídas pela Fepasa ainda em 1970. 

ORIGEM DO NOME
Não se sabe ao certo, mas Santa Rita é um bairro da cidade de Itapevi, com grande população. 

ATUALMENTE
A estação Santa Rita, junto de Amador Bueno, foi reconstruída para atender a extensão operacional da Linha 8-Diamante da CPTM. O trecho foi totalmente remodelado, tendo sua bitola passada para larga e com duas estações suprimidas (Cimenrita e Ambuitá).

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Estação Várzea Paulista

Estação Várzea Paulista: Seguindo padrões da então São Paulo Railway (Foto: Ricardo Koracsony)
Por Diego Silva
Fontes: Estações Ferroviárias e Wikipédia

Dando continuidade à série de matérias sobre a história das estações da CPTM, falaremos hoje da estação Várzea Paulista, a penúltima estação da Linha 7-Rubi no sentido Luz/Jundiaí.

ORIGEM DO NOME VÁRZEA PAULISTA
A história de Várzea Paulista iniciou com a chegada da ferrovia ao local. Por volta de 1867, com a inauguração dos trilhos da São Paulo Railway, notou-se que a ferrovia passava por uma várzea campesina, com um saliente acidente geográfico e as águas cristalinas do Rio Jundiaí. Registros indicam que a região começou a ser povoada dezenove anos depois da inauguração da ferrovia. Durante certo tempo, o local se chamou Secundino Veiga, famoso jornalista local. Posteriormente, em 1965, o bairro é elevado à município e recebe por título Várzea Paulista.

A estação de Várzea Paulista em 1979 (Foto Helcio J. Tagliolatto)
A ESTAÇÃO
Seguindo o ritmo das demais estações da linha, Várzea Paulista teve sua maior importância graças ao ritmo frenético da economia cafeeira da época. Com localização privilegiada, a cidade está à 7 km do Aeroporto de Jundiaí, fica à 52 km do Aeroporto de Congonhas, à 65 km do Aeroporto de Guarulhos e à 40 km do Aeroporto de Campinas, tornando a cidade um atrativo para que empresas se instalem na cidade. Além da malha rodoviária e ferroviária que servem toda a Região de Jundiaí.
Com plataformas laterais, seguindo padrão 'terceira classe' adotado pela SPR (similar às estações de Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires e Jaraguá), Várzea Paulista é uma das menos movimentadas estações da Linha 7-Rubi. 

Trem série 1700 da CPTM, estacionado em Várzea Paulista (Foto de Ricardo Koracsony)

sábado, 27 de agosto de 2016

Estação Calmon Viana

A nova estação de Calmon Viana (Foto de Alex Elias Ibrahim)
Por Diego Silva
Pesquisa: Estações Ferroviárias


Mais um dia de postagem e histórias para vocês ligados no blog. Hoje, estamos na Linha 12-Safira, antiga Linha F, para relembrar e aprender sobre a estação de Calmon Viana. Embarquem nessa:

ORIGEM DO NOME
A estação homenageia o Antônio Calmon Viana, engenheiro ajudante da 5a. divisão da Estrada de Ferro Central do Brasil.

A ESTAÇÃO
Construída em 1926, para ser a saída de trens da variante de Poá, a estação iniciou efetivamente as operações em janeiro de 1934. Atende as duas linhas da Zona Leste (11-Coral e 12-Safira). De grande movimento, é uma das principais estações da região, localizada na cidade de Poá. A ocupação é original e data de 1930, sendo reformado em 2010 para mudança e adequação de plataformas, além de cobertura e instalação de elevadores.

ATUALMENTE
Um caso à parte, Calmon Viana teve parte fundamental no desenvolvimento do blog. À época de sua reforma, havia recém-inaugurado essa página e ia até o local com alguma frequência para acompanhar as mudanças e o nascimento da nova estação. Localizada entre Poá e Suzano, a estação tem ainda à frente uma subestação e um triângulo para manobras de trens.

Calmon Viana em 2009: um dos primeiros registros para o blog (foto tirada de celular).

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Estação Estudantes


Por Diego Silva
Pesquisa: Estações Ferrovíarias

Saudações à todos, principalmente para vocês do Alto Tietê! Hoje, falaremos da estação Estudantes, extremo da Linha 11-Coral da CPTM, localizada em Mogi das Cruzes.

A estação dos Estudantes, recém-inaugurada em 1976, com um trem Alvorada (Foto de Alberto Del Bianco)
ORIGEM DO NOME
A Estação dos Estudantes foi construída em 1976 pela RFFSA (Rede Ferroviária Federal S/A) para atender uma demanda enorme de alunos da Universidade Braz Cubas e da Universidade de Mogi das Cruzes, que não contavam com transporte regular desde a estação de Mogi das Cruzes até os campus universitários.

A ESTAÇÃO
Construída cerca de 2 km de distância da estação Mogi das Cruzes, Estudantes conta com três plataformas. Foi erguida em tempo recorde, graças à necessidade de se possuir uma nova parada e resolver de vez o crônico problema dos estudantes em não possuir fácil acesso às universidades locais. Porém, ainda hoje, causa um reflex negativo na cidade: com o constante tráfego de trens entre Mogi e Estudantes, além da existência de quatro passagens em nível, o trânsito local se tornou caótico justamente por conta disso. Sem solução, a prefeitura de Mogi sugeriu à CPTM que os trens fossem até Estudantes somente nos horários de pico, quando o fluxo de alunos é maior e justificaria especificamente a ida de todos os trens provenientes de Guaianases. No ano passado, foi assinado um convênio para construção de túneis que irão substituir as passagens em nível, resolvendo dois problemas ao mesmo tempo: uma saída viável para os carros e o livre tráfego para os trens.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Estação Rio Grande da Serra


Por Diego Silva
Pesquisa: Site Estações ferroviárias

Rio Grande em 1867 (Augusto Militão de Azevedo)
Hoje falaremos da estação Rio Grande da Serra, cidade onde estou localizado e publico matérias e fotos para todos vocês.

ORIGEM DO NOME
A estação de Rio Grande leva esse nome por estar próxima ao rio de mesmo nome, tendo sido renomeada como Rio Grande da Serra em meados dos anos 1960.
A cidade em si, inicialmente, era chamada de 'Distrito de Geribatiba', posteriormente Icatuaçú e em 1964, após emancipada, chamou-se Rio Grande da Serra.


A ESTAÇÃO
Rio Grande em 1880 (autor desconhecido)
De pau à pique, num lugar completamente deserto, a estação de Rio Grande foi construída inicialmente para servir como parade de cruzamento e reabastecimento das locomotivas da São Paulo Railway, durante o início das operações da primeira ferrovia paulista. Historicamente, seria ponto de partida de uma linha de trens para o Vale do Paraiba, projeto esse que nunca saiu do papel, apesar de haver um desvio há poucos metros da estação, que termina na região de Suzano, que pertenceu ao Ramal de São Paulo da Estrada de Ferro Central do Brasil. Esse desvio em particular hoje serve como apoio para passagem de trens da concessionária MRS Logística rumo ao Porto de Santos (anteriomente, mesmo service utilizado pela Rede Ferroviária Federal S/A, a RFFSA).

Trem série 101 em RGS, 01.05.1994 (Diário do Grande ABC)
Além disso, de Rio Grande, havia mais um desvio que se estendia até a Pedreira Pires do Rio, existente até hoje, para transporte de pedras que serviam para o calçamento de grandes avenidas, entre elas, a Avenida Paulista.
Atualmente, apenas as duas linhas de tráfego da CPTM e os desvios da MRS Logística estão ativos, além de um pátio de manobras atrás da estação, também da concessionária privada que administra o trecho desde 1996. Aos domingos, é comum ver o Expresso Turístico da CPTM passar pela cidade, rumo à Paranapiacaba.
Budd série 141: De Rio Grande da Serra para Paranapiacaba

Atende hoje os trens da Linha 10-Turquesa, que partem do Brás. Até 2002, partia dela também em horários definidos, um trem até a Vila de Paranapiacaba, onde ainda existe trecho eletrificado, porém, sem uso por parte da CPTM. Durante algum tempo, foi usado uma litorina elétrica de fabricação americana Budd, série 141, conhecida entre os ferroviários por 'Classe Única'. Com sua erradicação, a CPTM disponibilizava trens de acordo com sua disponibilidade. Não era incomum observar trens das séries 1400 e 1600 circulando no referido trecho, mas também há registros de trens das séries 1100 e até mesmo os espanhois da série 2100 (com ar condicionado) tendo circulado de Rio Grande até a famosa vila inglesa (Nota do autor: eu mesmo tive o prazer de realizar tal viagem num trem espanhol até Paranapiacaba, apesar do desejo em realizar nos trens mais antigos, que sempre tiveram seu charme).

Trem série 1100 em Rio Grande da Serra, numa tarde fria de agosto

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Estação Grajaú

Estação Grajaú, com um trem Alstom série 2070
Por Diego Silva
Pesquisa: Site Estações Ferroviárias

Saudações à todos! Hoje falaremos da Linha 9-Esmeralda, mais precisamente da estação Grajaú, onde hoje, é o terminal da segunda linha mais movimentada de toda a CPTM. Lembrando que estamos realizando postagens sobre a história das estações, de segunda a sábado, sendo um dia para cada linha.

ORIGEM DO NOME
O topônimo "Grajaú" é derivado do termo tupi karaîá'y, que significa "rio dos carajás" (karaîá, carajá + 'y, rio).

A ESTAÇÃO
Estação acanhada com plataformas de madeira (W. Gimenez)
A estação de Grajaú foi inaugurada em meados de 1992, no bairro de mesmo nome, pela então administração da Fepasa. Baseava-se em duas plataformas de madeira, bastante acanhadas, em cima de um pontilhão sob a Avenida Belmira Marin. Atrás das duas plataformas, havia um desnível de cinco metros. Em 2001, já sob administração da CPTM, tanto a estação quanto o trecho Jurubatuba x Varginha foi desativado, por 'motivos de segurança', segundo a Companhia. Em 2008, o trecho foi entregue totalmente modernizado e em bitola larga. Nessa ocasião, a CPTM entregou uma nova estação com o mesmo nome, integrada ao terminal rodoviário e com um patio de estacionamento.

ATUALMENTE
Trem Toshiba em Grajaú, 1999. (A. Carlos Maia)
Possui movimento intenso, principalmente em horários de pico, sendo uma das mais movimentadas de toda a Linha 9-Esmeralda.
Atende toda a região denominada de Grajaú, além dos bairros  Parque Residencial Cocaia, Jardim Novo Horizonte, Jardim Eliana, Parque Grajaú, Jardim Varginha, Vila Natal, Jardim São Bernardo, Jardim Shangrila, Jardim Marilda, Palmares, Jardim Noronha e Parque América.
Existe um plano de levar a Linha 9-Esmeralda novamente até a estação Varginha, fato esse que deve desafogar um pouco Grajaú.

Dupla de trens alemães da série 3000, na estação Grajaú

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Estação Amador Bueno

A nova estação Amador Bueno, terceira da história, pouco antes de sua inauguração
Por Diego Silva
Pesquisa: Site Estações Ferroviárias

Caros leitores, seguindo a nossa nova série de publicações sobre a história das estações, partiremos do extremo da Linha 8-Diamante. Falaremos da distante Amador Bueno, última estação e fim do domínio da CPTM na região oeste da Grande São Paulo. Ontem, houve a republicação da história da estação Jundiai, extremo da Linha 7-Rubi e amanhã, falaremos da estação Grajaú, extremo da Linha 9. Com isso, pretendemos retomar a media de seis postagens por semana, ocupando todos os dias da semana com histórias e informações. Vamos embarcar nessa história?

Estação de Amador Bueno em 1940, ainda sem a eletrificação
ORIGEM DO NOME AMADOR BUENO
Amador Bueno de Ribeira, dito O Aclamado, foi um proprietário de terras e administrador colonial da Capitania de São Vicente. Tornou-se personagem importante do Brasil Colonial ao ser aclamado rei em São Paulo em 1641 pela população pró-castelhana como reação ao fim da união dinástica entre Portugal e Espanha. Amador Bueno prontamente recusou a aclamação dando vivas ao rei D. João IV de Portugal.

A ESTAÇÃO
A história de Amador Bueno pode ser contada em três fases: Sorocabana, Fepasa e CPTM. Hoje, a parada pertence ao município de Itapevi. Mas quando de sua construção original pela EF Sorocabana, em 1922 (ou em 1927, segundo documentos que contestam a primeira data), ainda sob o nome original de Fernão Dias. Teve seu nome alterado em 1933 para Amador Bueno sob pedido de João Prado, morador do bairro de Coruruquara (em Santana de Parnaiba, divisa com o então município de Cotia, que hoje é Itapevi). Não só a mudança de nome, mas também uma nova estação, maior e mais ampla, a fim de estocar toda a lenha que era trazida da região para alimentar as locomotivas a vapor da Estrada, inclusive pelo próprio João Prado.
A estação em 1945, agora com a eletrificação
O segundo prédio então, foi inaugurado em 1938, sendo Amador Bueno uma das paradas entre São Paulo e Mairinque, nos serviços regulares de trens da EF Sorocabana. No ano seguinte, a EFS resolveu suprimir o trecho referido, dando Amador Bueno como parada final dos trens provenientes da capital. Sob protestos da população local, foi retomado o serviço e novamente retirado, por diversas vezes. Fato é que, de uma vez por todas, suprimiram o serviço e Amador Bueno ficou definitivamente como final da linha dos serviços de trem de suburbio.
Em 21/06/1985, o então segundo prédio foi substituído por outro, mantendo o nome, para atender agora os trens metropolitanos da Fepasa. O prédio original ficou alguns metros à frente da nova Amador Bueno, abandonado até meados de 2004, quando a prefeitura de Itapevi resolveu reformar e descaracterizar o mesmo. Passou a Centro Cultural e, durante uma visita nossa em 09/04/2010, parecia mais uma creche, onde era possível ver alunos e trabalhos escolares. Com o tempo, foi totalmente vandalizada, tendo vidros quebrados e sofrendo pichações frequentes. Em 2012, foi demolida definitivamente.

O prédio em 2002: alvo de vandalismo e abandono
A segunda estação, erguida pela Fepasa em 1985, destoava completamente da sua antecessora. Nada mais era que uma plataforma central, com linhas laterais e metade (ou um terço) coberta. Curiosamente, com o fim dos trens até Mairinque, Amador Bueno era apenas uma parada de extensão operacional, sendo transformada pela Fepasa em estação. Suas seguintes Ambuitá, Cimenrita e Santa Rita não tiveram o mesmo destino, se mantendo apenas como paradas. O serviço de trens metropolitanos durou até 2010, quando foi realizada a última viagem com o trem japonês Toshiba (série 4800, adquirido ainda pela Sorocabana e com mais de 50 anos de uso). 

Prédio da EF Sorocabana, reformado e descaracterizado: demolido em 2014 na remodelação do trecho
ATUALMENTE
Com a administração da CPTM, o trecho ficou fechado por mais de quatro anos e foi totalmente remodelado, ganhando vias de bitola larga e nova eletrificação. Junto desse serviço, as estações Cimenrita e Ambuitá foram demolidas, restando apenas Santa Rita e a própria Amador Bueno, que foram também demolidas e reconstruídas. Atualmente o trecho permanece em operação, com os trens franceses série 5400 que até então circulavam no trecho principal da Linha 8-Diamante.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Estação Jundiaí


Por Diego Silva
Pesquisa: Site Estações Ferroviárias

Prezados e prezadas que me acompanham, hoje eu trago mais uma novidade para vocês. Seguindo no nosso retorno à mídia e, de alguma forma, aproveitando o embalo de uma série que deu muito certo (a história dos trens, que será relançada também), começamos hoje um trabalho que vai durar muito tempo, mas que valerá cada letra digitada: a história das estações. Muito falamos do material rodante, dos trens que nos transportam e nos encantam com suas formas, cores e sons. Mas sem esquecer os santuários e templos erguidos na ferrovia, as estações, com suas histórias, formatos e lembranças. É mais uma iniciativa que deverá gerar frutos para pesquisas e para lembranças de muitos que nos acompanham. Rodaremos por mais de cem estações, nas seis linhas da CPTM, semanalmente. E começaremos por Jundiaí, limite da Linha 7-Rubi.

ORIGEM DO NOME JUNDIAÍ
O nome da cidade de Jundiaí faz referência ao Rio Jundiaí. A palavra 'Jundiaí' provém do Tupi-Guarani e significa 'Rio dos Jundiás' (Jundiás são bagres, peixes da ordem Siluriformes).

A ESTAÇÃO
A estação de Jundiaí foi a escolhida para ser a última parada da então São Paulo Railway Co., primeira ferrovia construída em solo paulista. Na outra ponta de seus quase 200 km de extensão, está Santos, já na baixada. O intuito de ligar o planalto à baixada santista se deu graças à necessidade de escoar a produção de café de maneira rápida, segura e barata, uma vez que à época, o café transportado por mulas e tropeiros demorava semanas para chegar até o porto.

A cidade teve seu crescimento acelerado após a construção da estação, que data de 18 de fevereiro de 1867 (consequentemente, data de inauguração da São Paulo Railway). Nela, chegavam cargas de diversos lugares e ferrovias, que realizavam transbordo e seguiam viagem até o Porto de Santos, sobre os trilhos da Inglesa. Com a utilização de trens de passageiros, a estação de Jundiaí viu também grande êxito em deslocamentos. Quando a Fepasa passava ali com seus trens de longo percurso, aconteciam trocas de locomotivas ou até mesmo incorporação de mais carros.
Um pouco à frente da atual estação ferroviária, estão os galpões que abrigaram as oficinas da CPEF (Companhia Paulista de Estradas de Ferro) e posteriormente da Fepasa. Um espaço muito amplo onde se realizavam manutenções leves e pesadas em locomotivas elétricas e diesel. A última grande utilização daquele espaço foi na construção dos trens da série 2000 da CPTM, quando estes chegaram da Espanha. Atualmente, os galpões estão fechados e sem qualquer uso. Adiante, está a estação de Jundiaí Paulista, onde havia uma cabine de controle e uma estação simples, com apenas uma plataforma. Era ponto de parada dos trens de passageiros e hoje serve como moradia.

As oficinas de Jundiaí, erguidas pela Companhia Paulista: abandonadas no tempo
ATUALMENTE
A estação de Jundiaí hoje é a última parada dos trens da Linha 7-Rubi da CPTM, provenientes ora de Francisco Morato, ora da estação Luz. Em determinados horários, alguns trens fazem a viagem completa Luz x Jundiaí. Nos horários de pico, é normal ver algum movimento na plataforma, principalmente de trabalhadores e estudantes. O intervalo médio é de quinze minutos, com trens de quatro carros. Hoje, rodam trens da série 1100 (com seis carros), série 1400, 1600 e 1700 (com quatro carros). Quando sobem trens diretos da Luz, podem ser da série 1100 (com os mesmos seis carros), ou então das séries 1700, 3000 e 7000 (estes com oito carros e, os dois últimos, com ar condicionado). A estação mantém seus moldes originais no padrão São Paulo Railway, com poucas modificações. Nos finais de semana, a estação recebe o Expresso Turístico, trem de turismo da CPTM que refaz o papel dos antigos trens de passageiros.

Estação Jundiaí, vista do lado São Paulo. Com arquitetura original, preserva traços da São Paulo Railway.

domingo, 21 de agosto de 2016

A importância do trem na vida das pessoas


Por Diego Silva


Caros leitores, ainda sem muito tempo para escrever à vocês, mas presente aqui e no Facebook para manter contato. Muitos de vocês tem mandado mensagens pedindo a volta do blog, assim como o retorno das matérias com mais frequência igual se fazia antes. Tenho tido uma rotina bastante puxada e, durante os períodos de descanso, acabo tendo que resolver problemas particulares e não me sobra tempo para publicar nada como antes. Mas dentro das possibilidades, vamos dando notícias e mantendo nosso costumeiro contato. O tema de hoje nesse blog é sobre a importância do trem na minha e na sua vida. Vivemos em uma das maiores metrópoles do mundo e, por vezes, observei o comportamento e a reação de algumas pessoas que utilizam diaramente o trem como meio de transporte. Mas você deve se perguntar: 'Qual a finalidade de observar as pessoas que estão no trem?' Te digo que é uma análise importante, pois quem lida com transporte precisa saber que tipo de pessoa usa o serviço.

Durante esses quase vinte anos que utilizo e admiro o trem metropolitano, sempre observei que muitas pessoas não se sentem confortáveis em usar o trem. Não digo pela lotação ou por alguns problemas aleatórios que ocorrem, mas a verdade é que as pessoas não se sentem confortáveis no trem. Em compensação, em quase duas décadas, o hábito do usuário mudou drasticamente. Digo isso no sentido de que a viagem se tornou mais agradável a ponto do passageiro relaxar e praticar outras atividades de passatempo. Com o boom da tecnologia que diariamente nos apresenta novas facilidades, não é estranho observar quase que a maioria dos usuários conectados à internet em redes sociais ou jogos, usando como distração até que chegue em sua estação de desembarque.

Mas antes da tecnologia chegar à palma da mão (não precisamos ir muito longe), observei durante viagens à faculdade nos primeiros trens da manhã na Linha 10 a reação de alguns usuários e constatei que muitas pessoas aderiram à prática de leitura. Sejam por livros, revistas, jornais ou mesmo material de estudo, os primeiros trens contam com pessoas bastante interessadas em leitura. Um hábito importante que eleva a cultura social, uma vez que é fato a implicância da população brasileira em ler o que quer que seja. Temos também quem ainda complete o sono durante a viagem (damos esse crédito ao pessoal que usa a linha de ponta a ponta, ou que ultrapasse os trinta minutos de viagem).

Outra situação que me agrada muito é a socialização dos usuários entre eles mesmos. Em outras palavras: quem faz amizades no trem durante as viagens. Como passageiro diário (e maquinista, desde 2013), ouço muitas histórias à bordo dos trens que utilizo e acabo fazendo também algumas amizades. Lembro com alguma falta de pessoas que pegaram trem comigo quase que diariamente e deixaram sua participação e suas histórias comigo, assim como também compartilhei algumas coisas. Lidamos diariamente com todo tipo de gente e, confesso para vocês, sem hesitar: não é fácil você saber conversar com todo perfil. Existem pessoas curiosas, que perguntam do trem, que contam sobre a família, sobre os problemas, sobre fatos que viram em outras viagens... Uma boa conversa entre usuários torna uma viagem muito agradável e, quando menos se percebe, você chegou ao seu destino. Já vi de tudo nesses trens... De brigas à festas de aniversário, de separações à inícios de relacionamento... É bem interessante notar que, depois que o trem fecha as portas e parte, um novo mundo começa. São dezenas ou centenas de pessoas fechadas em um carro, que se olham, se analisam e observam um aos outros. Até que alguém tome a iniciativa de algo.

Por fim, queria agradecer à vocês por ainda utilizarem o blog como referência de pesquisa no que se diz à CPTM e transporte metropolitano. Mesmo sem publicar, ainda acompanho em off as estatísticas de visitas e evoluções dos comentários. Sempre que possível estou trabalhando nos bastidores para poder publicar novidades para vocês. Quando quiserem, façam uma análise durante a sua viagem e observem o que acontece dentro do trem. Observem pessoas, reações e comportamentos. Não é só um transporte... Tenha certeza que o trem tem muito mais importância na sua vida do que você e eu imaginamos. Até a próxima postagem!


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