quarta-feira, 20 de junho de 2018

O adeus de velhos amigos


Por Diego Silva

Renovar é preciso, meus amigos. Diante da intensa necessidade de aumentar e modernizar a frota de trens em São Paulo, passamos por um momento bastante curioso. Trens que até então faziam parte da nossa rotina, pouco a pouco vão saindo de cena para dar lugar à novas e modernas composições, que iniciam um novo capítulo da história ferroviária paulistana. Há cerca de oito anos, tempo este em que estou por trás deste blog vivenciando e conhecendo os bastidores da CPTM, era uma verdadeira utopia acreditar que teríamos quase 150 trens novos em circulação, dando números finais para algumas frotas que até então eram primordiais para o bom andamento do dia-a-dia da Companhia.

Na verdade, podemos dizer que toda essa mudança começou lá em 2010, com a entrega do primeiro trem da série 7000. Considero ali um divisor de águas, pois, vivíamos a pleno vapor o 'Expansão SP', carro chefe do Governo para ampliação do sistema, que ainda hoje não entregou tudo aquilo que foi prometido. Em pouco tempo, tínhamos 40 trens novos em folha circulando pelos trilhos de São Paulo, mas que ainda dividiam o espaço com as composições mais antigas, que sempre estiveram conosco. Num piscar de olhos, claro que metaforicamente falando, surgiram mais 36 trens da série 8000. Com isso, as primeiras frotas a nos deixarem foram os franceses 5000 (que pouco depois viriam a retornar, renovados, como série 5400) e os belgas da série 5500. 

Vendo que renovação foi uma boa escolha, o Governo lançou mais uma compra, de oito trens da série 7500 para a Linha 9, seguido da maior compra já feita para a CPTM: um lote de 65 trens novos, que ainda estão sendo entregues. Com a chegada dos moderníssimos trens da CAF, série 8500, além dos estreantes coreanos da série 9500, as mudanças ganharam ritmo e as frotas 1100, 1400 e 1600 deixaram de circular pelas linhas, assim como a frota 4400 também está deixando, de maneira gradativa, juntamente com a frota 5550, que pouco durou por aqui. Ou seja, de um momento em que tínhamos quase vinte frotas diferentes, de diversas idades e montadoras, passamos a ter poucas de uma mesma.

Não sei ao certo quantos de vocês que me acompanham utilizam o trem, nem quantas vezes, tampouco se prestam atenção em detalhes. Mas como utilizo o sistema quase que diariamente, desde 2009, percebi que alguns 'amigos' não estão mais presentes. Muitos deles, infelizmente, presenciei o desmanche. Para a população é ótimo que venham trens novos, maiores, mais confortáveis e rápidos. Mas, particularmente, fica um sentimento de saudosismo de entrar e curtir uma viagem nos trens mais antigos, que tanta história carregaram e fizeram. Aos pouquinhos, os velhos amigos de todos os dias estão nos deixando, para lembrarmos dos 'trens velhos' e de como era o sistema, para dar lugar aos novos trens, que trarão novas histórias e novas lembranças à todos que estão por aqui diariamente.

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