Série 5500 e Série 5550


Por Diego Silva

Olá, caros leitores! Hoje, fugindo à regra, postaremos uma história de frota, por conta de um problema de calendário. Falaremos do Eletrocarro e de sua versão reformada. Infelizmente, a frota de Eletrocarros está totalmente imobilizada, por conta de seguidos problemas desses trens. Sua versão reformada ainda presta serviços, dando suporte fundamental na Linha 12-Safira.

Propaganda da Sorefame sobre seus próprios trens
Em 1977, a Fepasa licitou a compra de 50 trens, para utilização no seu, então, Ramal de Jurubatuba (hoje, Linha 9-Esmeralda). Os trens foram encomendados à empresa portuguesa Sorefame, em consórcio com a Mafersa e a belga ACEC. Em 1978, a então frota 9500 entrava em circulação.,
Seu uso foi, digamos, um pouco restrito, pois tratava-se de um trem que consumia um alto índice de energia elétrica, com um potencial relativamente baixo. Como sempre, a necessidade de trens era uma constante em São Paulo. Com isso, a então RFFSA solicitou à Fepasa que cedesse alguns trens para compor a frota da zona leste, que vivia um tremendo caos com a falta de trens. Nisso, lá pelo comecinho da década de 1980, os Eletrocarros seriam transferidos para as linhas de subúrbio da zona leste paulista.

Máscara detalhada do Eletrocarro (parte de um documento sobre o trem)
Eletrocarro em Presidente Altino
Propaganda da RFFSA, anunciando a chegada de 'novos trens' na Zona Leste
Foi na Zona Leste que o Eletrocarro fez maior fama. As poucas unidades que sobraram nas linhas da Fepasa logo foram enviadas também para a RFFSA, compondo uma frota única. Problemáticos como sempre, os 'belgas' sempre avariavam pelo caminho. Não espanta um dado: grande parte dos carros reboque se perderam ao longo dos anos. Tratava-se de um presente de grego, adquirido pela Fepasa. Reza a lenda que dois trens dessa série não poderiam passar no mesmo sentido, seguidos, pois causaria o desarme da subestação, tamanho era o seu consumo. Durante os anos 80 e 90, a frota quase toda se perdeu, devido à inúmeras avarias e problemas quase impossíveis de se corrigir. Quando começamos a conhecer o sistema, já restavam poucos trens dessa série, além de alguns sobreviventes de sua modernização.

Eletrocarro, já como 'Série 160' da RFFSA.
Em 2007, a CPTM recuperou alguns carros que estavam no pátio de Engenheiro Manoel Feio, enviando-os para a modernização. A reforma ficou a cargo das empresas Bombardier e Tejofran. A recuperação consistiu em total reavaliação da caixa, aplicação de nova máscara, modernização do interior e substituição dos equipamentos de tração e frenagem. Nisso, em 2008, os 'novos' trens retornaram, com uma cara completamente diferente do que eram:

Versão reformada: melhor que a versão original

Em 2010, uma notícia no mínimo curiosa: o retorno dos Eletrocarros à linha 8-Diamante. Por conta das diversas avarias nos trens da série 5000, a CPTM achou por bem enviar um reforço de frota, para tentar suprir a ausência dos trens que avariavam ao longo do dia. Com isso, um retorno não muito bem sucedido aconteceu. O que seria uma solução se tornou mais um problema: os Eletrocarros não se adaptaram à Linha 8, causando muitos atrasos. Até mesmo o ATC não reconhecia o sistema da Linha 8.


Pouco tempo de operação, os Eletrocarros foram devolvidos para a Linha 12-Safira, onde rodaram por mais alguns meses, até todos eles serem retirados de circulação. Atualmente, tudo o que sobrou dessa frota encontra-se encostado próximo à estação Tatuapé. São cerca de 6 composições, entre revisados e originais. Infelizmente, não temos os dados técnicos desses trens para fornecer à vocês.

Trens estavam sendo remobilizados: CPTM desistiu




A CPTM, por sua vez, tinha um contrato de revisar todas as unidades Eletrocarro existentes, para colocar todos de volta à operação. Mas, assim como fez com os Budd 1400 e 1600, simplesmente resolveu abandonar tudo e investir em trens mais modernos e atuais. Um fim triste para um trem que sempre foi muito problemático, mas que também deixou a sua história registrada em São Paulo. Seus últimos exemplares ainda estão em circulação, modernizados. Espera-se que tenham uma vida um pouco mais longa...

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